Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Se calhar e se der jeito (Portugal não é Brasil - XXXI)

Aprendi essas duas expressões interessantes. Elas trazem um traço cultural que também herdamos, mas usamos outras maneiras de expressar.

"Se calhar" e "se der jeito". 

Vamos fazer isto? Então, alguém nos responder: "Se der jeito podemos fazer." Ou simplesmente, "se calhar". 

"Se calhar" é mais casual, mais "irresponsável" quando se trata de alguma possibilidade de compromisso. 

"Se calhar" também é usado no dia a dia para se referir a algo possível. É como dizer "se pah", ou "de repente", ou ainda "talvez". 

O que está por trás dessas expressões, que são tão diferentes do "sim, sim" ou "não, não" ensinados por Jesus?

É uma maneira de não se comprometer. 

É uma maneira de deixar ao ar. Aquela linha tênue entre o não querer definir e não querer contrariar. 

Esse traço cultural, algumas vezes, pode trazer alguma confusão e falta de clareza, por outro lado, pode ser um subterfúgio interessante a quem não está preparado para se posicionar. 

FOTO: Escadas em frente ao Terreiro do Paço e o Tejo, e Ponte 25 de Abril ao fundo.

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A Musicalidade (Portugal não é Brasil - XXX)

Quando estamos longe de nossa pátria, qualquer coisa que nos remete a ela, tem um forte impacto sobre nós.

E a música tem um especial impacto porque nos remete às nossas raízes mais profundas, de nossa terra, de nossa  cultura, e de momentos em família. 

E sempre estamos a ouvir alguma música brasileira, porque o português aprecia a nossa musicalidade. 

Para além da musicalidade, há um detalhe interessante a respeito do padrão moral-cultural. As palavras feias, parvas, os palavrões, mudam de cultura para cultura. Sendo assim, alguns funks que nos soam mal, profanos e agressivos, eles sabem do que se trata, penso eu, mas ao mesmo tempo eles não enxergam a mesma agressividade que atinge os nossos ouvidos. 

Digo isso, com alguma base? Sim, sim. Funks muito fortes aos brasileiros foram tocados nas Festinhas de Escola do Murilo, nosso filho de 07 anos, naquela altura. Fiquei "escandalizado", mas logo pensei: "Não há o mesmo peso com que os meus ouvidos recebem". 

A musicalidade brasileira é atraente aos portugueses, pois as nossas músicas estão nas "paradas do sucesso". São tocadas para animar os Parques Aquáticos, são ouvidas nos Centros Comerciais. Enfim, estamos por toda parte. 

E a musicalidade portuguesa aos brasileiros?

Aos ouvidos brasileiros é um misto de curiosidade e estranhamento. 

A música portuguesa mais tradicional, mais ouvidas entre os aldeões, ao som da viola portuguesa e da sanfona, é algo típico, que nos lembra aquelas canções caipiras dos interiores do Brasil. Não é o sertanejo. É aquele tipo de voz, que os mais antigos, chamam de "taquara rachada". Um estridente incómodo e interessante, ao mesmo tempo. 

O que é curioso é ver jovens envolvidos nesse estilo, e com grande audiência nos Programas de Domingo. 

E o Fado?

O Fado é uma mescla de atração e afastamento. O Fado serve a alguns momentos. Especialmente, aqueles em que estamos mais pensativos, e com saudades. O Fado é para sentar, ouvir, e chorar. 

Entretanto, sabemos que dá dança, com alguns mais caracteristicamente animados, num tom acima. Aliás, o "tom acima" é contraditório, porque pode dar à dança, bem como pode cortar mais, agudamente, a alma. 

Acho tão bom essa versatilidade cultural que nossas músicas propõem, sem contar que muito há de afro em ambas.

Enfim, há tempo de chorar e sorrir, tempo de abraçar e não o fazer, tempo de reflexões profundas e de extravasar a alma. E a nossa musicalidade, de todos nós, bem serve-nos a isto. 

Boa música.

FOTO: Música a entrada da Vila de Óbidos

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

A Literatura (Portugal não é Brasil - XIX)

Quando tirei o Curso de Letras, estudamos Literatura Portuguesa, e naturalmente a Literatura Brasileira. 

Transitamos entre Machado de Assis, Gonçalves Dias, Fernando Pessoa e seus Heterônimos, Luís Vaz de Camões e alguns outros.

O que eles têm em comum, para além da "obediência" ao Movimento Literário de quem faziam parte? 

Eles amavam a Língua Portuguesa, e brincavam com ela, com todo respeito e muita elegância. 

Os Lusíadas fizeram-me sonhar com as descobertas, temer e encantar-me com os perigos dos mares, ficar embasbacado com a descoberta e a cultura de outros povos, considerar uma Cristologia e religiosidade impregnada em seus versos, ainda que sua obra tenha cunho antropocêntrico, próprio do Classicismo.

E já em Portugal, descobri José Saramago. Achei intrigante "O Memorial do Convento". Ele traz um misto de religiosidade e ao mesmo tempo um sarcasmo com o divino. Ainda traz nuanças de sexualidade como uma profanação da religiosidade, e não do sagrado necessariamente. 

Conhecer alguns dos principais escritores portugueses e suas obras, é uma aventura a mais, que traz discernimento do inconsciente coletivo. Ler seus pensadores dá-nos uma dimensão a mais da alma portuguesa. 

Fica então a dica de viajar de comboio (trem) com um bom livro em mãos, e os olhos revezando com as lindas paisagens bucólicas.

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Velharias (Portugal não é Brasil - XVIII)

"Quem guarda tem."
Já ouvi esta frase várias vezes, e de vários lados. 

E aliás, passei por situações em que tive de "deitar fora" (jogar fora) algumas coisas, e via claramente, um desapontamento, um reação de discordância e de susto.

Então, passei a usar o argumento: "É útil? Ocupa espaço desnecessariamente? Seria útil a outros? A reciclagem agradece?" 

O "português raiz" gosta de velharia? Normalmente, sim. E muito comum encontrar Lojas, e Feiras de velharias. 

Duas coisas importantes: 

1. Há velharias muito uteis, e bonitas, que chegam a parecer "novarias" dado a uma decoração adequada.

2. Quem guarda o passado, tende a valorizar mais o presente.

Enfim, tenho aprendido que há um sentimento nobre por trás das velharias. 

E, em caso de exagero e de algo insano e não justificável, o Ministério da Saúde adverte:

"Há muitos perigos em acumular, e pode tornar-se uma doença."

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FOTO: Pedra Cavada em Foz do Arelho 

"Des-igrejar" acelerado com a Pandemia

Por que a Pandemia acelerou a tendência do "desigrejamento"?
 
Os olhos de muitos abriram-se a igrejas mais bem equipadas, tecnologicamente. Especialmente, no caso de jovens, e dos mais informatizados, tem havido uma empatia natural por aqueles que fazem um bom trabalho. 

Também podemos ser honestos, e admitir que a facilidade em ouvir bons pregadores, tornou-se uma opção a considerar. Quem disse que não é possível estar no Culto local, e ao mesmo tempo no culto vizinho?

E a questão da relevância da Igreja local? A pergunta que não quer calar: "Por que eu preciso de uma igreja local?"

As pessoas têm descoberto que podem ser ministradas, e contribuir à distância. Até Jesus fez milagres virtualmente. Curou o filho do Centurião mesmo à distância (Mt. 8.13). Jesus não está limitado ao toque físico. Então, porque as pessoas necessitam da "fisicalidade"? 

Quem disse que não posso olhar "olho no olho" por vídeo conferência?

Então, não cabe mais o coronelismo em proibir de que não "assistam" a outros cultos. Não cabe mais dizer que o que vale é físico, somente.

O que pode reverter, tratar, amenizar, essa tendência? Há caminhos técnico, ético e ministerial.

Assumir um modelo híbrido funcional, e cada vez mais aperfeiçoado tecnologicamente. 
Parar de "proibir" e até criticar que as ovelhas "visitem" outros cultos, porque é o que inevitavelmente acontece.

Penso que apenas uma coisa seria suficiente, ou altamente eficaz.

Ter um pastor e uma comunidade, que não se encontram somente online. Um pastor que liga, ora junto, não impõe, mas ama. E cuja prática essa, seja partilhada por outros.

Um pastor que ama tanto, que chega a ser vulnerável. Mostra-se gente, mostra-se ovelha também.

Somente essa relação encurtada é que pode "constranger" a ovelha a permanecer arrebanhada. E ainda que ela se vá, e não valorize, quando chegar o "dia mal" é possível que sinta falta, e saudades. 

Se ela for, o pastor deve permanecer sem criticá-la e demonstrar que as portas estão abertas para a volta, porque o dia que ela quiser voltar, sabe que será abraçada. Afinal, o que mais ela sentiu foi a falta daquele abraço. 

C. S. Lewis escreveu: "A amizade é o instrumento no qual Deus revela para a cada um de nós, a beleza dos outros."

Uma beleza que traz a força do amor: "Devemos amar com todo o nosso coração, mesmo que não haja garantias. Isso não nos torna vulneráveis, nos torna vivos." (Brené Brown)

Não dá mais para ser igreja, senão de forma relacional. 

Hoje as pessoas não estão em busca de sermões. Elas só estarão dispostas a ouvirem um bom "sermão", se antes perceberem que são amadas. 

Há aqueles que estão em busca de uma boa música, mas nem isso seria capaz de manter a ovelha por perto, especialmente em dias onde sorrir e pular não seja o mais convidativo. 

Bem já dizia o sumo-pastor: "O bom pastor dá a vida por suas ovelhas." 

Pastores que dão a sua vida, colherão os frutos de ovelhas que permanecem. E se dentre essas, algumas se forem, ficará a boa consciência de que fizeram-no como para o Senhor. 

Somente um engajamento mais comprometido, e cheio da graça do Bom Pastor, é que pode haver um combate à tendência do "desigrejamento". 

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sábado, 13 de fevereiro de 2021

Maneira mais direta? (Portugal não é Brasil - XVII)

Quem já andou (participou) na apanha da pera, sabe tanto da generosidade como da maneira mais rude de seus Senhores.

Os portugueses são tais como os Senhores da Apanha de Pera? Não. 

Eles têm uma maneira mais direta de responder, o que não significa ignorância. 

Há portugueses mais rudes e brutos, assim com alguns brasileiros o são. Aliás, em qualquer parte do mundo há quem não tenha boas maneiras.

Em todos esses anos de Portugal, tive apenas duas experiências mais negativas. Uma com uma a atende escolar, e outra com líder religioso. Ambos em instituições, onde as pessoas deviam ser mais humanas, e polidas.

No entanto, normalmente, os portugueses são amistosos e gentis, mas à sua maneira. Os brasileiros que compreendem esse traço cultural, assusta-se, mas não critica, nem critica. 

Não podemos confundir pessoas que se portam mal, com uma maneira mais direta de dizer as coisas, e responder. 

Responder mal é uma questão de carácter. Responder de maneira mais direta é uma questão cultural. 

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FOTO: Vista entre Salir do Porto e São Martinho do Porto

Tremores, Resiliência e Esperança (Portugal não é Brasil - XVI)

Estava numa Reunião Online, por volta das 22 horas, do dia 12 de Fevereiro, na Região Centro de Portugal, quando senti o chão tremer. Aliás, sentimos, também a família que estava no Piso acima.

Esse "leve" tremor, ainda que tenha metido medo, seu protagonismo no texto, é só para nos remeter a 1969 quando o sismo atingiu 8 na escala Richter. 13 vítimas mortais, e muitos prejuízos na infraestrutura, para além do pânico. 

E ainda mais chocante foi o terremoto de 1755, provocado por um maremoto que se aproximou a 20 metros, e em seguida um incêndio, que fez 10.000 mortos. Uma destruição total e impiedosa, do centro de Lisboa.

Quem anda hoje na Praça do Comércio, não pode imaginar, que toda aquela beleza ressurgiu das cinzas. Se a praça fosse chamada Fênix, não teria problema.

 O que aprendemos com o povo português? Resiliência. Aquela capacidade divina de reorganização e adequação, frente aos desafios que se impõem circunstancialmente. 

Essa capacidade de reerguer-se é uma virtude. Se caminhássemos na linha do tempo, Portugal passou por inúmeras possibilidades de deixar de existir, sem contar quantas vezes já "quebrou".

E agora, depois de um ano de Pandemia, terá a oportunidade e o dever de se levantar novamente. 

Nessa direção foram as palavras do Presidente Marcelo Rebelo no dia 11 de Fevereiro, quando sabiamente destacou a esperança. 

Esperança e resiliência andam juntos. 

Permite que elas sejam parte de sua vida, e Portugal, e também o Brasil, ganharão mais força.

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FOTO: Praça do Comércio, no Dia 25 de Abril

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Saudades (Portugal não é Brasil - XV)

Como falar de saudade entre Portugal e Brasil, sem a lembrança  de Fernando Pessoa e Gonçalves Dias?

"Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães por nós

Choraram,

Quantos filhos em vão rezaram! 

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!"

Somente aqueles que deixaram os seus mais queridos, podem conhecer quão longínquo é o Atlântico, e quanto do seu sal, são lágrimas. 

As 10 horas de voo, não traduzem um sentimento eterno, profundo, agudo, e penetrante como os abraços moribundos de quimera que assusta. 

Esses abraços vêm mesclados com abraços de ternura e consolo. Lembranças que provocam dores, e ao mesmo tempo, gratidão. 

Gratidão pelos bens vividos. Gratidão pelos amados queridos. Gratidão pela esperança.

A gratidão é tão viva quanto as lágrimas, e as lágrimas quanto a gratidão.

Lágrimas, que ontem à noite caíram dos nossos olhos, do Murilo e de mim. Vi-o mais quieto, e tomei-o ao colo. E ao perguntar-lhe, ele respondeu: "Por que que Adão foi pecar? Agora, temos de morrer, e antes dos meus vovós morrerem eu queria-os perto de mim. Eu quero minha família toda pertinho de mim." 

Abraçamo-nos e pude sentir uma dor aguda, e as lágrimas foram inevitáveis. 

E o que acontece depois? A vida segue com aquela gratidão e esperança. 

As lágrimas  partilhadas fizeram bem, e hoje ele estava bem alegre, e sorridente. O bálsamo da Graça nos alcançou mais um dia.

Fernando Pessoa, ameniza a desesperança, ou cultiva a esperança, na continuidade do poema Mar Salgado: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena."

Ainda que tenha "alma grande", quem está do lado de cá, por mais lindo que seja Portugal, algumas vezes sente-se como Gonçalves Dias, em seus dias na Universidade de Coimbra, quando escreveu "Canção do Exílio", em 1843. 

"Minha terra tem palmeiras, 

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.


Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida, 

Nossa vida mais amores."


Em cismar - sozinho - à noite -

Mais prazeres encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá."


O poema continua, e caminha para o final com um "grito": "Não permita Deus que eu morra, sem que eu volte para lá!"

Nem que a volta seja apenas para abraçar os nossos queridos, por alguns dias ao menos. Tomar um caldo-de-cana com pastel de vento, e outras "coisitas" mais.

Aguenta, coração!


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FOTO: Vista do Terraço da Associação Cascatas



Questão de Segurança (Portugal não é Brasil - XIV)

Nos últimos anos, Portugal foi destacado entre os Países mais seguros do mundo, para se viver. Os critérios levam em conta até a possibilidade de atos terroristas, e índice de assassinato. 

Não é somente uma questão de estatísticas e ranking. 

Andar em Portugal é, drasticamente, leve. Sair, parar o carro, caminhar pelas ruas e praças, sem a tensão de que a qualquer momento, você pode ser abordado, por um criminoso qualquer, é uma experiência inexplicável para quem vivia numa cidade, Poá, perto da Zona Leste de São Paulo.

Saber que sua cidade está nas estatísticas, entre os Municípios onde mais se matou, em São Paulo, é angustiante. Mais angustiante agora. Porque enquanto lá, desenvolvemos comportamentos preventivos.

Comportamentos esses que ao repetirmos cá, sorrimos. Não há mais sentido esconder o Telemóvel (celular), por exemplo.

Depois de alguns anos em Portugal, parece-me um pesadelo lembrar-me de que num fim de noite, 3 de colegas foram alvejados por atiradores, a sangue-frio, dos quais 2 morreram ali, ao pé de casa. 

É inimaginável, triste, chocante, e terrivelmente inadmissível que coisas assim fazem parte da vida de muita gente querida.

Com esse histórico fui viver numa das Zonas mais perigosas de Portugal. Agualva-Cacém. Confesso-lhe que sorria quando alguém dizia: "Isto não é mais como dantes. Está muuuuito perigoso." 

Muito perigoso porque de tempo em tempo, alguém era roubado, e levavam-no o Telemóvel. 

Então, vivemos num Paraíso?

Quem tem aquele histórico, que partilhei, pensa sim estar num Paraíso, tendo em vista que, Paraíso nos remete a um lugar de paz.

Por outro lado, não há Paraíso em sua totalidade, porque ainda assim há um perigo ou outro, porque o "mundo que jaz no maligno", e ele permite-se ser conhecido, de outras maneiras.

Não há perigos nas ruas, mas há grande número de assassinato dentro de casa, e também de suicídio. 

É também chocante quanta gente toma anti-depressivos.

Outro mal que mata os portugueses é a nicotina. É um país de fumantes. 

Enfim, ainda num Paraíso, se não se sabe viver, ele pode ser um inferno. Daí a necessidade do Paraíso começar dentro de cada um, dentro de cada lar.

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FOTO: Jardim do Palácio de Queluz, onde nasceu e morreu D. Pedro I, o Imperador do Brasil.

Monsanto - a Aldeia Mais Portuguesa (Portugal não é Brasil - XXIII)

Monsanto, enquanto tradição e simbologia, é a "Aldeia mais Portuguesa de Portugal", título oficial desde 1938. 

Tudo foi construído em pedras. A vista do horizonte é de tirar o fôlego, a mais de 700 metros de altura. 

A aventura é raríssima com vestígios deixados pelos bárbaros,  visigodos e árabes. 

A História é também riquíssima. A Aldeia foi doada ao primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, em 1165. E muito tempo depois, foi reconquistada do Reino de Leão pelos Cavaleiros Templários, e reconstruída.

Vale a pena conhecer. Se for no Verão, o Sol escaldante dificulta muito a subida. Por outro lado, a recompensa pode vir em seguida, com alguma piscina natural, da região, como Penha Garcia. 

Novamente, a beleza e o valor da História devem ser enaltecidos.

Um detalhe riquíssimo é pensar, como conseguiram construir tudo aquilo, em pedras, e  naquela época. 

E os túmulos? Eram feitos em pedra, e sob medida. Encaixava-se com exatidão o corpo, e até o desenho da cabeça, o que faz com que não serviria a outro. Ainda alguns desses "caixões" estão lá, intocáveis. 

É um tipo de visita que fazemos com a "pulga atrás da orelha", e com uma gratidão enorme pela capacidade que a humanidade tem. 

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FOTO: Escadaria de um Castelo em Monsanto

O Galo de Barcelos (Portugal não é Brasil - XXII)

Tal como os Doces típicos de cada Zona (região), ou Freguesia (Município), também encontramos algumas Lendas, Contos e Símbolos. 

Penso não ser confortável falar sobre o símbolo que carrega a minha Cidade, Caldas da Rainha. Então, vamos falar de Barcelos, e assim poderíamos contar tantos outros. 

O Galo de Barcelos, surgiu quando um galego, em peregrinação pelo Caminho de Santiago, chegou a Barcelos e, foi acusado de um crime, digno de enforcamento. Então, disse ao juiz que se o Galo, um frango assado, cantasse, seria a prova de sua inocência. E assim, o galo cantou, e o peregrino foi absolvido atempadamente (em tempo).

O que poderíamos inferir dos Contos, Lendas e Símbolos? 

Eles motivam o Turismo, e consequentemente a Economia. Esse olhar seria muito empobrecido. 

O que mais podemos enxergar

Um povo que valoriza o seu passado, tem raízes, e está mais preparado para as intempéries da vida. 

As Lendas, os Contos e os Símbolos são maneiras de não deixar o passado morrer. Eles comunicam pertença ao local, a Terra. 

O que advém daí

Maior cuidado com o que é seu próprio. Agrega valor ao que se tem, ainda que seja tão simples e corriqueiro. 

Coisas assim, provocam gente não ir, e quem vai, volta, nem que seja só para estar um bocadinho mais, antes de novamente partir.

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FOTO: Entrada de Barcelos, ao Norte de Portugal

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

As Estações Ditam o Ritmo (Portugal não é Brasil - XXI)

Ainda no Outono, vi meus vizinhos a arderem (queimarem) folhas secas, galhos e ervas daninhas. E diziam: "Temos que correr com isso, porque logo não mais dá jeito." E pensava comigo: "Que exagero!" 

Mas, alinhei com eles. Fui à Câmara, e pedi autorização para fazer o mesmo. Entretanto, fi-lo alguns dias depois. Resultado: vieram as chuvas, e não pararam mais. O chão não seca, de maneira nenhuma.

As Estações ditam o ritmo do povo. Ouvi de um idoso, agricultor: "O tempo é que manda."

Mesmo com as alterações climáticas. Vemos as diferenças, nitidamente. E não se trata de um ou outro dia. São períodos longos. Bem diferente de 4 Estações num só dia (em São Paulo). 

Tempo das árvores peladas, tempo das folhagens abundantes. Tempo de dias mais curtos, e tempos de dias tão cumpridos, com sol a brilhar 9 horas da tarde, e não da noite.

Estou a escrever no fim da tarde, quando os dias estão em passos de ficarem mais alargados. E em breve chegará a Primavera. 

Ainda é Inverno, e isto requer bebida quente, roupas adequadas, lareira, aquecedores, gente escondida dentro de casa, por causa do frio, da chuvinha teimosa.

Estou a descobrir, inclusivamente, que há tempo para plantar cada coisa. Plantamos no começo do ano, Favas, e um tipo de couve mais resistente ao gelo. 

Realmente, há tempo para plantar e colher. Há tempo para abraçar de frio e para tirar a roupa, de tanto calor. Há tempo para ficar escondidinhos, e tempo para sair e completar. 

Qual o ensino para a vida?

Há tempo para tudo na vida. Já não dizia o Pregador em Eclesiastes cap. 3?

Tempo para falar, e tempo para calar. Tempo para lock-down, e tempo de praia e Shopping. Tempo para mais tempo juntos, e tempo de tarefas pessoais. Tempo de cansar, e tempo de descansar. 

Só não podemos cultivar tempo de intrigas, tempo de desafetos, tempo desistir, tempo de escravidão no pecado. Antes, porém, tempo de perseverar.

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FOTO: Boca do Inferno, Cascais

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Não há Bichos Peçonhentos? (Portugal não é Brasil - XX)

Qual a primeira atitude de brasileiro ao ver uma cobra
? Matá-la prontamente. Afinal, não é uma ameaça? Ainda que hoje seja questionável, por Leis de Defesa ao Animal. 

Ah, se os cantos e recantos do Amazonas falassem. Em meio ao perigo, e as necessidades básicas de sobrevivência, e até frente ao estilo de vida dos nativos, o que vai fazer o Governo. Presenciei nos Igarapés e Igarapós do Rio Abacaxis, uma caçada a Jacaré, durante a noite. 

E se aparecesse uma cobra? Todos estavam alertas. Mas, por quê? Porque as cobras sempre serão peçonhentas.

Cá em Portugal não é assim. Soube tarde demais... Quando meus amigos viram tratar-se de uma cobra- de-escada, ficaram com muita pena dela. Entretanto, arrepiava-me de tanto nervoso. 

Naquela altura brinquei: "As cobras-de-escada em Portugal são como os portugueses: pacíficos."

É muito interessante essa característica do povo. Desbravadores, mas pacíficos. Muitos Reis lutaram por defender a Terra e o povo, mas procuravam evitar os embates. 

Inclusivamente, nas Linhas de Torres Vedras, 1809 e 1812, os portugueses serviam os Ingleses, enquanto esses pegavam em armas. Assim, estrategicamente, construíram 152 Fortificações, que impediram aos Franceses de chegarem a Lisboa.

É verdade, que há muito sangue que clama nessa terra, mas foram circunstancias. Os portugueses não são, essencialmente, sanguinolentos. Eles são lutadores, e desbravadores, o que é diferente. 

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FOTO: Ria de Aveiro, a Veneza Portuguesa

Os Países Vizinhos (Portugal não é Brasil - XIX)

Atravessar fronteiras, pisar num outro país, é uma experiência inusitada para um Paulista. Mais de 24 horas de São Paulo até a fronteira mais próxima com a Ciudad do Leste, no Paraguai. Também fiz de ônibus, 36 horas, até Jaguarão, no Uruguai. 
Loucura, loucura.

Cá em Portugal, viajamos 4 horas em direção ao Algarve, e chegamos a Ayamonte, na Espanha. A outra experiência fui em direção oposta, ao Norte, e depois de Viana do Castelo, chegamos a Monção que faz fronteira com a Galiza. 

Outra curiosidade é que chegamos a viajar 4 horas de avião até Manaus, e depois mais 30 minutos até Tefé, ainda de avião, sem contar as horas de barco, depois disto.

Com essa experiência de longas viagens, foi impressionante viajar duas horinhas e chegar a Pisa, Itália, e ainda menos de 3 horas e chegar a Londres. 

Essa facilidade de intercâmbio entre os países da Europa é formidável.

O que isto comunica? Qual a realidade em torno desta liberdade de ir e vir, e tudo tão pertinho?

Abertura, troca, acessibilidade a outras culturas e Línguas. É quase impossível viver em Portugal, e não ser desafiado a falar outras Línguas. "Pra já" o Inglês, praticamente, toda gente fala. 

Como viver em Portugal, e não conhecer ou desfrutar dos "Estados" que nos cercam, se pensamos nas dimensões do Brasil?

Portanto, ir a Inglaterra, França, etc, é mais simples que ir a Minas Gerais e Bahia, para quem está em São Paulo.

A diferença é que mergulharemos numa cultura, totalmente trans-cultural. E vale a pena, pela paisagem, pela culinária, pela Língua, pela experiência incrível, e multi-culturalidade.

Então, desfrute de Portugal, e tenha-o como a porta de entrada para um mundo maravilhoso, criado por Deus e pelos homens e mulheres que Ele criou.

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FOTO: Pueblo aos arredores da Comunidade de Madri

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Pastor de Ovelhas (Portugal não é Brasil - XVIII)

Quando você ouve a palavra "pastor", no que pensa?

Se for um brasileiro a perguntar-se, naturalmente, virá a imagem de uma Igreja, e de um líder religioso. Se tal brasileiro for evangélico, pode lembrar-se de uma figura que lidera, que se renuncia, que estende a mão. Se não, prontamente, associá-lo-á a um filão (interesseiro) oportunista. 

E se for um português a responder, a realidade normalmente, remeter-se-á a uma paisagem bucólica, pastoril, provavelmente de uma Aldeia, onde as ovelhas são cuidadas. 

A profissão de pastor de ovelhas, é muito comum em Portugal. Ganha-se um salário não alto para cuidar das ovelhas dos outros, mas pode ser um bom salário se cuidar das próprias ovelhas. 

Uma das razões, de tanta ovelha, e ovelhas precisam de pastor (necessidade que Jesus - o bom pastor - identificou nas multidões errantes), é que o comércio de queijo é abundante. Há queijo de muitas zonas (regiões), e são celebrados nas refeições, com vinho, etc.

Até para conhecer a História é importante ter esse discernimento. Fui a Viseu, e lá estava um Monumento, dedicado a Viriato. Viriato era um pastor de ovelhas, que se tornou um guerreiro Lusitano, contra as Ordas Romanas, com a ajuda de outros pastores guerreiros. Eles eram pastores de ovelhas, de quatro patas.

A propósito, um amigo nosso, pastor de igreja, vive numa Aldeia distante, de Trás-os-Montes, e sua filha, quando andava (estudava) na Escola, e dizia que seu pai era pastor, todos pensavam nas ovelhas de quatro patas. Tanto é que, numa das visitas a sua casa, uma amiga perguntou-lhe: "Onde o teu pai guarda as ovelhas?

Enfim, quando encontrar um pastor em Portugal, lembre-se quem pode ser ele, e a que se presta. 

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FOTO: Ovelhas, e o nosso Murilo, numa Aldeia de Castelo Branco

Passear o Cão (Portugal não é Brasil - XVII)

Antes de passear o cão, é preciso ter um. E os portugueses, normalmente, têm um cão. Cachorro, como sempre falamos no Brasil, é apenas para os filhotes. Eles crescem, viram cães, e saíamos a passeá-lo. 

Novamente, voltamos a casa, antes do nosso passeio com o cão, e temos uma escolha, um pouco preocupante. São muitas as famílias que preferem ter um cão aos filhos. 

A taxa de natalidade em Portugal, ou na Europa, é um dado preocupante sim, a ponto de haver Freguesias (Municípios) que dão incentivo financeiro, para que alguém opte por filhos. 

Entretanto, a família pode decidir-se por não ter um filho, mas é certo que terão um cão.

Quem tem o cão precisa passeá-lo, especialmente, aqueles muitos cães que vivem em Apartamentos pequenos, tal como víamos no Edifício onde vivíamos, na periferia de Lisboa.

As pessoas saem a passear o cão, e o que merece destaque são as oportunidades de partilha. 

As conexões acontecem. As pessoas param e conversam sobre os cães. Depois de alguns encontros (in)voluntários, eles já estão a falar mais a respeito de si mesmos, e as oportunidades de relacionamento são incríveis.

Temos experimentado algo assim, em nossa Aldeia. Há nas Aldeias maior abertura para conversas, mas sem dúvida, que uma boa ponte é passear o cão, e assim a vida fica menos "cold".

Bom passeio.

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FOTO: Passeio com a Luna, nossa cadela, em nossa Aldeia

Dois Beijinhos e um Beijinho Grande (Portugal não é Brasil - XVI)

Antes da pandemia, era muito comum o cumprimento com dois beijinhos, com exceção de Cascais, que é um só beijinho. Aliás, já houve anedotas (piada) sobre eles, por se tratar de uma Zona (Região) mais catita (chique).

Portugal é, sem dúvida, um dos países mais acolhedores, e uma das marcas desse acolhimento é a receção (recepção) com dois beijinhos, se estiver fora de Cascais.

E como "dão" o beijinho virtual, por telefone, ou quando se despedem? Eles dizem, graciosamente: "um beijinho grande".

Outra palavra, que é mais que palavra, é um estilo de ser, do povo português é o "convívio". Eles valorizam bastante o ajuntamento ao redor da mesa. 

Do convívio surgem outras expressões bem peculiares: almoçarada e jantarada, por exemplo.

Não é uma questão apenas de gestos e expressões. Trata-se da cosmovisão arraigada na alma do povo, de valores extremamente fortes, como a importância da família. 

Viver em Portugal é uma experiência latinizada na Europa. Vamos desfrutar desse calor, menos quente que o Brasil, mas não tão "cold" quanto outros países da Europa. 

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FOTO: Castelo do Mouros em Sintra

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Turismo e a Geografia (Portugal não é Brasil - XV)

Que privilégio incrível visitar diversas regiões de Portugal, e descobrir tantos "Portugais". 

Pensei que os vários "Brasis" que conheci, estava relacionado com o tamanho continental. Entretanto, em Portugal não se justifica as longas distâncias, como razão para tantas diferenças de uma Região para outra.

Visitei Trás-os-Montes. Paisagem bucólica. Olhar de baixo, ou olhar de cima, é de tirar o fôlego na mesma. Passamos por Vila Real, e aprofundamos a exploração em Mondim de Basto. Era Verão, e um bom mergulho em rios cristalinos, não podia faltar. 

E Serra da Estrela? Os queijos da Seia, e as montanhas cobertas de gelo. Imaginem o encanto de uma família brasileira, brincar, escorregar, na "neve".

E o Algarve? Dizem que o País vira inteiro para baixo. Região plana de Praias lindíssimas. As falésias são uma beleza à parte.

Alentejo e o Norte são regiões onde se come muito bem. Especialmente o Norte, vimos a fartura somada ao preço. Os dois "Bs" funcionam bem. Normalmente, é bom e barato. 

Não poderia deixar de fora das dicas, a região Centro de Portugal. Vivemos nas Caldas da Rainha - Freguesia conhecida pelas Artes - e o "mascote" é uma figura bem polêmica e questionável. 

Há Jardins lindíssimos. Mosteiros imponentes como o da Batalha. E um lugar especial para os Surfistas. Peniche e Nazaré que o dizem. 

Visitar Portugal é pequeno, mas imenso de opções. É possível, ficar uma semana sem sair de uma pequena região, se for visitar todos os pontos turísticos. Um exemplo? Sintra. Só para visitar as opções na Vila de Sintra, com o Palácio Nacional, o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena, a Quinta da Regaleira, onde filmaram o poço no filme Rei Arthur, etc. Quantos dias para explorar tudo isso?

Como não mencionaria as Ilhas? Visitamos São Miguel, nos Açores. Valeu muito viver outra realidade, e outras paisagens. E a Madeira? Trazem as águas que remetem as praias brasileiras. As águas são mais quentes.

Enfim, viajar por Portugal é uma experiência inusitada, e lembra-nos que "os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento as obras de suas mãos". 

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FOTO: Serra da Estrela

A Língua de Camões (Portugal não é Brasil - XIV)

"Andei" (estudei) na Universidade de Letras, e naquele tempo, fui saboreando um bocadinho de Portugal, nas aulas de Literatura Portuguesa, com o Professor José Maria. Ele fazia viagens constantes a Coimbra. E levava professores de cá para lá, para aulas especiais. 

Naquela altura cogitou-se uma visita a Coimbra. Sonho que viemos a realizar, somente em 2018. O tamanho da Universidade de Coimbra com 3 Pólos, 8 Faculdades e 18 Museus, além do Jardim Botânico, e a sua idade datada em 1537, vislumbra a grandiosidade do Patrimônio Cultural de Portugal. 

Entretanto, alguns defendem que o maior Patrimônio é a própria Língua Portuguesa. "Minha Pátria é a Língua Portuguesa." (Fernando Pessoa)

Justamente, por conta desse orgulho e convicção é que muitos não aceitam o "Novo Acordo Ortográfico", e é compreensível. Por quê? 

Seria profanar as escritas dos poetas e dos reis. Seria um ultraje contra Camões. Seria trocar o original por suas variantes corruptelas. 

Verdade seja dita, o Português de Portugal, hoje, já sofreu algumas adaptações. Há muito havia lido Os Lusíadas, de Luís de Camões, e voltei a lê-lo cá em Portugal. Há construções que já não cabem. E mais tarde, haverá novas adequações. A Língua é viva, é dinâmica, ainda que esse processo seja bem mais moroso em Portugal.

Meus filhos, na Escola, já dizem que não se diz isso ou aquilo, conforme alguns idosos da Aldeia dizem-no. 

São idas e vindas. E então, compreendo o que dizem: "Vocês não falam o Português. Vocês falam o Brasileiro." Todos sabem que não existe o Brasileiro enquanto Língua Oficial. Falamos o nosso Português, que em Portugal, vulgarmente, chamam-no de Brasileiro.

Por que seria compreensível?  Por que há muitas corruptelas? Essa não é a questão principal. As diferenças, ficam por conta das adaptações culturais, na "dinamicidade" que Língua se permite. 

Uma coisa legal é fixe, ou porreira. Uma moça bonita é uma rapariga gira. Uma senhora é uma menina. O bumbum é o rabo. E assim vai...

O que é isso?  Culturalidade. Cultura-oralidade. É a Língua do povo, forjada consoante a imposição das circunstâncias mais adversas. 

E assim, Portugal continuará sempre sendo a mãe da nossa Língua Portuguesa, ou simplesmente, o Brasileiro enquanto Língua. E por que não, gente também

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FOTO: Universidade de Coimbra, Faculdade de Direito

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Os 3 "Fs" de Portugal - Futebol, Fátima e Fado (Portugal não é Brasil - XIII)

Ouvi, vi e vejo que o Futebol, Fátima e o Fado, sãos responsáveis por boa parte da Economia, e da paixão do povo. Boa fatia da Economia move-se pelo Turismo, e considerável parte dela está relacionada com esses 3 "Fs". 

Há o Museu do Fado, e inúmeros Restaurantes no Centro de Lisboa, cujo jantar acontece ao som do Fado. O Fado traduz muito da alma do povo português. É saudosista, e bem melancólico. Eu particularmente, aprecio a subida de tom, que me parece uma reação contra aquela tendência tristonha. 

E o Futebol? Há 3 grandes: Sporting, Benfica e Porto. Braga tem-se mostrado também forte. O Sporting tem ganhado a Taça de Portugal e a Taça da Liga, o que corresponde - a título de importância - a Copa do Brasil, e aos Estaduais. Entretanto, a chamada Primeira Liga, que é o  campeonato português - equiparado ao Brasileirão - o Sporting voltará a ganhar este ano. O último título foi em 2002, sob o comando artilheiro do brasileiro Jardel.

E Fátima? Fátima é uma cidade, onde situa-se o Santuário de Fátima. É absurdamente grande, e revela a fé do povo. Uma fé que já não é praticada pelos filhos, e muito menos pelos filhos dos filhos. Os cotas (uma expressão comum para os idosos), ainda cultivam essa devoção. Os filhos costumam ser "nominais". Comparecem a uma Missa ou outra, mas já não são devotos. E os netos daqueles cotas chegaram à conclusão que a religião, não passa de um ilusão e engano. Eles, normalmente, são ateus confessos, e muitos o são porque é assim que a malta (galera) acredita. 

Pensava que o ateísmo era uma realidade para jovens da idade do Thales, que está a terminar o Secundário (Ensino Médio). Esse triste quadro também se aplica aos adolescentes da idade da Jamily, 14.

Enfim, as paixões de Portugal são de tamanho gigante, o que aumenta o nosso desafio em servi-los à altura de seu entretenimento, fé e cultura. E trabalhar para que os seus corações se voltem a Jesus, acima de toda e qualquer coisa.

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FOTO: Estádio do Sporting, Alvalade. Uma prenda de Eduardo Pinheiro, assim que chegamos em Portugal, o que foi muito importante para hoje puxarmos (torcermos) ao Sporting.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Doçaria e Pastelaria (Portugal não é Brasil - XII)

Quando entrei numa Pastelaria, nas primeiras vezes, achei que tivesse algo errado. Não havia os nossos pastéis de vento. Só mais tarde vi que Pastelaria, trazia poucos salgados, o que mais aprecio dos salgados é a chamuça, e talvez porque é o que temos de mais parecido com os nossos pastéis. 

As Pastelarias, bem como as Doçarias, confeccionam trazem uma variedade incontável de doces. Incontável mesmo. 

Cada Freguesia, ou Região por assim dizer, costuma trazer um doce típico. Onde vou, busco saber o que há da Terra. Também aprendemos com um Programa de TV, chamado "As 7 Maravilhas Doces de Portugal". Assistir é muito interessante, mas visitar as "Províncias" e saborear seus doces nativos, não tem palavras. Só tem sabor. 

Vivemos nas Caldas da Rainha, e o doce da terra são as cavacas. Em Viana do Castelo temos os Rojões, que parece o "sonho" do Brasil. Em Belém, os famosos Pastéis crocantes de Belém. E os Pastéis de Feijão de Torres de Vedras? Uma das minhas delícias preferidas.

Vamos voltar às Pastelarias. Aprecio imenso o "Jesuíta" com uma "meia de leite" (o pingado do Brasil).

Há uma curiosidade Histórica. Muitos doces foram criados pelas Freiras, nos Conventos. E esse é o segredo porque há tantos doces à base de ovos. O Convento, as Freiras, o Tempo e os Ovos, somado a criatividade, são a causa de tantos doces maravilhosos. Uma demonstração do que estou a afirmar, é a Doceria Alcoa em Alcobaça, em frente ao Convento.

Ah, antes de terminar, vale muito a pena lembrar que, os doces não são enjoativos. Eles não trazem muito açúcar. 

Enfim, Portugal é lindo, e seus doces são uma maravilha à parte. Impossível falar dos sabores de Portugal, sem degustá-lo numa Pastelaria ou Doçaria. Bem-vindos!

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FOTO: Doces da Doçaria de Alcoa, em Alcobaça

Menos é Mais (Portugal não é Brasil - XI)

Fomos ao SEF (Serviços de Estrangeiros e Fronteiras), e queríamos acrescentar informações, sem que elas fossem pedidas. A atendente pediu um item, e outro item, e então eu queria "ajudar": "Trouxemos isto também" - referindo-me a algum documento, ainda não pedido. O que aconteceu? A atendente fez um sinal, e já logo percebi (entendi).

Hoje sinto-me parvo (tolo), e realmente não faz sentido, querer ajudar a atendente, salvo se realmente necessário. Hoje sei que devia fechar a boca, e responder somente o que me fosse perguntado. Talvez não é o problema de todo brasileiro, mas é uma dificuldade minha. Quero conversar, fazer comentários, nem que seja sobre o clima.

O brasileiro gosta de falar (normalmente), gosta de solucionar problemas, gosta de ajudar o próximo, gosta de meter-se em conversas alheias, gosta de meter o bitate (palpite). Os portugueses também podem ser assim, mas há uma maneira diferente de agir, mais recatada. 

E, novamente, voltamos a questão dos tamanhos e quantidades. Se eles o fazem, nós ainda mais. Temos uma maneira um tanto quanto exagerada em fazer as coisas. 

Se não observamos essa diferença, podemos nos meter em sarilhos (entrar em confusão). 

Pincei - aleatoriamente - do livro "As Pequenas Memórias" de José Saramago: "Embora, verdade seja dita, eu tenha a impressão de que os pais, naqueles primitivos tempos, não fossem muito de importar-se com pormenores..." 

Penso não ser apenas "naqueles primitivos tempos". Menos é mais.

Sei que precisamos discernir, pois há situações em que falamos algo, e de pronto somos correspondidos, e surge uma boa prosa. Entretanto, há situação e situação. Vamos "afulinar". 

Saiu para passear o cão ou a criançinha, então é possível alguém abrir-se a uma conversa.

Está numa fila (os mais velhos, usam mais "bicha")? Normalmente, a oportunidade acontece a partir de um comentário, se a fila não anda, algo corriqueiro, e calha uma oportunidade. 

Importante alerta: se um português fala de seus problemas, não significa que ele deseja que você o solucione. Entra aí a necessidade, de novamente, discernir. A linha é tênue. 

Enfim, menos é mais, senão mais será menos. Mais palavras, menos oportunidades. Ah, e por favor, menos críticas, será sempre mais. Menos postura de quem já sabe, será sempre mais.

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FOTO: Show dos Golfinhos no Zoológico de Lisboa

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

A Mulher Brasileira (Portugal não é Brasil - X)

O que posso falar da mulher brasileira? Por experiência pessoal, de 19 anos de casados, a mulher brasileira é asseada, amorosa, fiel, boa mãe e esposa, etc. Uau! Naturalmente, não posso afirmar que todas têm esse perfil.

E as histórias que temos ouvido cá? 

Ouvi de portugueses diferentes que, a mulher brasileira é carinhosa, e pronta em agradar o parceiro na relação. Será que é só por essas virtudes, que os portugueses gostam tanto?

Diríamos que sim, entretanto, há um fator meio complicado a pontuar. São muitos os casos de casamentos que foram desfeitos, por causa de uma mulher brasileira imoral, somado a português também imoral. Sem falar na prostituição em si.

É preciso pontuar que há público para elas. Destaco assim porque se há alguém a ser criticado nesses desvios, são todos, menos a mulher portuguesa.

O que podemos falar da mulher portuguesa? Deixamos essa fala aos homens casados com elas. Seria interessante também ouví-las. 

E aquelas velhas anedotas da mulher portuguesa de bigode? São velhas anedotas, que não cabem mais para a atualidade. 

Frente a esse quadro, fica a dica para a mulher brasileira: "Não seja dada aos portugueses. Um pouco de atenção já será mal-interpretada. O recato é fundamental para não reforçar o pré-conceito. Cuidado com o que veste, e como fala, também é um ato de prudência."

Enfim, mulheres brasileiras em Portugal, precisam ter atenção ainda maior.

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FOTO: Palácio Nacional de Sintra

A Re-construção da nossa Imagem (Portugal não é Brasil - IX)

"O brasileiro já chega com saldo negativo. Depois, de algum tempo ele "zera". E leva muito tempo para que fique positivo. E ainda assim, sempre será o brasileiro." 

Ouvimos isso de um português, mais chegado, e que costuma abrir o coração e dar-nos dicas preciosas.

Por que este descrédito? Porque não inúmeras as histórias de malandragem, e do "jeitinho brasileiro", contra a boa-fé de muitos portugueses. 

Brasileiros em Portugal, precisam vigiar dobrado. Não só para não quebrar a Lei, mas para não fazer nada que soa mal ao "olhar preconceituoso" do português. "Olhar preconceituoso" é uma referência ao "pré-conceito" construído com embasamento. 

Somos nós que devemos re-construir, a nossa própria imagem. Coisas simples podem ajudar. Falar que vai, e vai. O "sim-sim", "não-não" é precioso. 

Outra importante acção (ação) nesta re-construção é não criticar os portugueses, e aos seus gostos. Pelo contrário, apreciar sua cultura.

Também, importante é, não falar alto em lugares públicos, e não fazer barulho aos vizinhos. É constrangedor e desrespeitoso. 

Há exceção "pré-conceito"? Sim. Desde que chegamos a Portugal, já no segundo mês, até hoje, temos crédito numa Loja de Queluz. Naquela altura, fizemos o orçamento do Frigorífico (Geladeira) e Máquina de Lavar-Roupas. Os donos, olharam para nós, e disse a senhora: "Já vi quem são vocês. Podem comprar o que quiserem, e pagam-nos como puder." Então, fizemo-lo. Tudo já foi pago. E no final do ano, precisamos de algo, voltamos lá, e compramos da mesma forma. E, novamente, pela graça do Senhor, antes do tempo previsto, já pagamos.

Outra experiência, de bom testemunho, e re-construção da imagem brasileira, foi encostar num carro, no estacionamento do Mercado, e deixar um bilhete com o nosso número de Telemóvel (celular). E, depois do orçamento, efetuamos o pagamento do serviço. O dono do carro ficou muito agradecido, e não poupou palavras para enaltecer a atitude.

Penso que em acções como essas, não há apenas uma re-construção de imagem, mas sim a manifestação da glória de Deus. 

Experiências como essas, demonstram que precisamos tanto de boa consciência, como do poder de Deus, para que as coisas aconteçam.

Nesta altura, pode haver algum brasileiro a questionar o outro lado da moeda. E a imagem do português que nos foi explorar? E a resposta é simples e óbvia: "Quem deseja viver na terra deles, precisa livrar-se dos pré-conceitos, se deseja o mesmo para si."

Boa re-construção de imagem, com cuidado e a bênção do Senhor. 

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FOTO: Piscina Natural de Penha Garcia - Castelo Branco

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

A Herança do Rei, e o Presidente (Portugal não é Brasil - VIII)

 D. João VI, apresentava-se como um Rei simpático, porreiro e fixe (legal). Ele fazia toda semana a Cerimônia do "beija-mão", e o que fez de mais importante para o Brasil, foi a abertura dos Portos. Durante os anos em que viveu no Brasil, foi sim uma bênção para o futuro do Brasil. 

Tanto a Cerimônia do "beija-mão" como a abertura dos Portos, trazem um outro lado da moeda. A Cerimônia era uma forma de apaziguar os ânimos, de causar esperança, e adiar soluções. E a abertura dos Portos, especialmente explorada pelos Ingleses, muito estava relacionado com as dívidas da família Real.  

O Rei, era espalhafatoso, desregrado e comilão. Estilo de vida que custou caro à Coroa. Ele passou a "negociar" títulos e mais títulos de honra, por dinheiro. E, quando deixou o Brasil, esvaziou os recursos do Banco do Brasil, para além da indenização que o Brasil deveria pagar a Portugal, por anos. Atitude que fez o Brasil nascer endividado, e, entretanto, não resolveu os sérios problemas de Portugal.

O que o Rei D. João VI tem a ver com o Presidente Marcelo Rebelo, reeleito com mais de 60% dos votos?

Marcelo Rebelo, chegou para o pronunciamento de vitória, conduzindo o próprio carro. Sem Seguranças, e sem carro de luxo. Um presidente que renunciou usar todo direito de Antena, que tinha como direito, porque não achou justo frente ao tempo que já tinha disponível. 

Ele caminha pelas ruas de sua cidade onde vive, Cascais, e compra comida em "take away". E os milhares de "self" que os portugueses têm com ele? Enfim, é uma figura do povo, que serve ao povo, e não onera os cofres do Estado. 

Quero ater-me a estes dois exemplos. Sei que eles não se aplicam a todos os Reis, nem a todos os outros Políticos. 

Mas, esperamos - de todo coração - que as Autoridades Brasileiras parem de reproduzir o mau-exemplo de D. João VI. Sejam mais simples, parem de onerar o Estado, e sejam mais servos do povo. Utopia? 

Quando olhamos para o Presidente Marcelo Rebelo, vemos que é possível sonhar, e por isso oramos.

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Foto: visita a Águeda com a Marinha e a Luara, cidade que passou a ser conhecida mundialmente, em 2012, pelos Chapéus (Guardas-chuva) suspensos. 

Piadas, Anedotas e Coisas "Engraçadas" (Portugal não é Brasil - VII)

A questão do humor e das anedotas, também traz um forte traço cultural. Num primeiro momento, não é nada tão percetível (perceptível). Ainda não sei o tipo de humor que prevalece (negro, seco, satírico, verde, hacker, etc.). 

Aliás, antes de algum brasileiro se aventurar a rir com os portugueses, de suas anedotas, precisam antes compreender o significado de algumas palavras. 

O termo "gozar" cá em Portugal é equivalente a "tirar um saro da cara do outro". O programa mais inteligente de humor, traz o nome "Isto é Gozar com Quem Trabalha", de Ricardo Araújo. Eles satirizam, especialmente, figuras políticas.

Outra palavra fundamental, antes de umas boas risadas, é a "piada". "Piada", enquanto termo, em Portugal significa uma "coisa sem graça", ou simplesmente, "aquela coisa que não deveria acontecer". 

Frente ao assédio sexual: "Isto não tem piada, e não é simpático. Por muito que gostasse de dizer que isto não me incomoda, incomoda...", escreveu Krista, acrescentando que "isto acontece todos os dias a jornalistas mulheres e tem que parar". (Notícias ao Minuto)

Inclusivamente, quando uma anedota é engraçada, podemos dizer que ela "tem piada", porque o termo "engraçado" significa uma coisa boa, bacana, gira (bonita). Então, uma "piada engraçada" seria uma "anedota que tem piada".

Tendo havido a compreensão de alguns termos básicos, como "piada", "gozar" e "engraçado", dentro da realidade portuguesa, podemos então rir das anedotas. Sim, as chamadas piadas do Brasil, são as anedotas de Portugal.

Eles não contam anedotas dos brasileiros. Algumas das "piadas" (ou melhor, anedotas) que contamos no Brasil, sobre os portugueses, eles contam-nas dos alentejanos. O Alentejo ("para além do rio Tejo"), tem um estilo de vida mais rural. Lugar lindo, onde se come bem, mas onde a vida parece fugir mais lentamente. Aliás, em algumas coisas lembram os mineiros, em outras os baianos.

Vamos a uma curta, que podíamos contar sobre os baianos: "Sabem porque é que os alentejanos não comem iogurtes? Porque quando chega ao estômago, já passou o prazo de validade...".

Enfim, estamos ainda a re-configurar a nossa "caixinha de risadas". Esperamos em breve, rir de todas as anedotas.

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Foto: Azenhas do Mar, na região de Sintra. A propósito, sem nenhuma anedota, nem fazer a ninguém gozar, tivemos um dia "engraçado", ou melhor, um dia bom.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

"Pra já" tudo é "mais pequeno"? (Portugal não é Brasil - VI)

O mapa de Portugal cabe dentro de um dos menores Estados brasileiros, Pernambuco. E a população do país inteiro, tem uma população "mais pequena" que a capital paulista. De pronto, falamos sobre o "mais pequena".

Embora o verdadeiro tamanho de Portugal seja bem maior, conforme mapas mais atuais defendem, ele ainda é pequenino - geograficamente. 

"Pra já" Portugal não é menos importante porque é "mais pequeno" - geograficamente. "Mais pequeno" não é só aceitável, mas é tido por certo, em terras lusitanas. "Pequenez" essa que não ofusca a sua grandeza cultural e histórica, as quais são de tamanho incomparáveis. 

O tamanho geográfico de Portugal, pode causar alguma dificuldade na adaptação de um brasileiro?

Se a questão fosse apenas geográfica, e de mapa, penso não haveria grande problema assim. Entretanto, eles estão aí, porque o tamanho, algumas medidas, acabam por influenciar as nossas sensações, impressões e certas conclusões. 

Possíveis problemas e dificuldades com o tamanho de Portugal:

1. Associar tamanho geográfico, e a quantidade da população, a um olhar de desprezo. "Facto" que já presenciei até num português. Colocou-se assim: "Eh, pa. Isto não tem nada a ver com o Brasil. Somos pequeninos. O Brasil tornou-se uma potência." Talvez quisesse ele, retribuir aos elogios que eu já havia feito a Portugal. 

2. Achar que viajar 1 hora em Portugal, equivale a viajar 1 hora no Brasil. Ah, depois de 3 anos cá, as distâncias se multiplicaram. Ainda fazemos deslocações com maior facilidade, mas já estamos a avaliar mais, para saídas que ultrapassam 30 minutos. O preço das portagens (pedágio), e até as paisagens influenciam. 1 hora em auto-estrada, com a repetida paisagem, bucólica, e sem movimento, dá uma sensação de ser mais distante. Ainda assim, aprecio imenso. Prefiro a natureza aos prédios.

3. Não aceitar o tamanho reduzido das oportunidades e até mesmo da "popularidade", ou da influência em si, é um problema. No Brasil qualquer um, e para qualquer coisa, haverá público. Em Portugal, para além de serem mais seletivos, há os números reduzidos, drasticamente. Qualquer brasileiro que trabalha com o público, seja nas artes, na música, na publicação de livros, ou até canais na multimédia (mídia), tende a ficar muito desapontado se não ajustar a sua possibilidade de alcance.

Então, o tamanho do País, tem sua influência, e nossas motivações precisam ser ajustadas e adaptadas a essa realidade.

Mas, não posso deixar de falar das viagens. É muito mais possível fazer viagens "longas", quando são planeadas (planejadas). Conhecer o País, de um extremo ao outro, não é uma tarefa tão difícil assim.

Ama Portugal? Então, desfrute com empatia desse "pequeno gigante". 

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Foto: Mara Regina e Fernando Pessoa, em frente ao Café "A Brasileira"