Sinta-se Em Casa

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domingo, 23 de abril de 2023

A BÊNÇÃO DE CHORAR

Quais os espaços de vulnerabilidade que encontramos hoje? Onde podemos chorar e ter companhia, sem palavrórios? 

É uma bênção simplesmente chorar e não precisar ouvir frases prontas, jargões de vitória, que castram o luto, a dor e a tristeza.

 Onde podemos chorar, meus amigos? Qual é o lugar seguro e de acolhimento? 

A Igreja devia ser este lugar. Aliás, ela é este lugar, porque quando não é assim não é igreja dentro daquilo que conhecemos no Novo Testamento: 

"Chorai com os que choram" (Rm. 12:15) - Não está a dizer para pregar aos que choram. Os que choram precisam apenas de companhia. 

"Confessai as vossas fraquezas para serdes curados" (Tg. 5:16). Quem é vulnerável num ambiente onde não há espaço para as lágrimas?

Está alguém contente? Cante. E o que faz quem está triste ou sofrendo? Ore (Tg. 5:13)

Na Igreja onde Tiago era pastor os tristes podiam orar. Eles não eram intimados a cantar. 

O maior espaço de contradição e incoerência na Igreja é o tempo de louvor. Por quê? Porque se eu estiver de luto, com o coração partido, completamente destruído, eu sou desafiado a cantar por fé, a escalar montanhas, e não posso nem permanecer sentado porque senão serei olhado de lado e, certamente, serei julgado pelo meu "mal comportamento".

Seria por isto que o melhor lugar para ir não é numa festa? 

Em algum momento da vida o melhor para ir não numa igreja, é sim num velório porque encontramos espaço de vulnerabilidade.

Na casa onde há luto o sábio já dizia que é lugar para ir, e quem lá chega deve encarnar apenas o olhar e a reflexão porque é ali que se vê o fim de todos (Ecl. 7:2). Onde há luto é lugar para estar, simplesmente estar. 

Jesus, o nosso modelo, o nosso Mestre, chorou (Jo. 11:35). 

Quem olha para Jesus encontra espaço e tempo de vulnerabilidade. 

Vamos olhar para Jesus? 

Instagram: @vacilius.lima

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Caso extraconjugal com a Noiva de Cristo

Não somos os esposos da Noiva de Cristo. 

Nós não podemos em nome da excelência e até mesmo do zelo em não adulterar o Evangelho, colocar extrema DEDICAÇÃO no cuidado para com a Noiva de Cristo, a Igreja, nivelando as nossas queridas esposas a um simples vaso decorativo ou a uma mão-de-obra barata. 

O efeito colateral também é duplo, respectivamente. Algumas avançam para além do limite que seria suposto porque não querem ficar para trás, enquanto outras perdem a voz e anulam-se. Ambas vão ajudar a matar o casamento. Nem uma nem outra podem ser equiparadas à mulher virtuosa.

Entretanto, voltamos aos homens. A pergunta não é: "O que estamos a fazer pela Igreja?" Devíamos perguntar: "O que não estamos a fazer por nossa esposa?"

"Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo." (Efésios 5:28)

Pastores e missionários que são maridos não estão isentos deste privilégio, ministério e responsabilidade.

O seguinte alerta: "Cuidem de vocês mesmos e do rebanho" (At. 20:28) que custou o sangue de Cristo e não o nosso próprio sangue, implica cuidar do casamento, cuidar da esposa como prioridade.

Por prioridade não estamos a motivar a negligência ministerial e a apatia no trabalho pastoral. O que importa são os investimentos que Cristo espera de nós. 

Ele espera que os casados cuidem das coisas de casa, primeiramente (1 Co. 7:33-34).

Este é outro texto que não isenta maridos que são pastores e missionários. Não adianta adjetivar o pastorado de santo ministério e diminuir o relacionamento conjugal porque "digno de honra é o leito sem mácula" (Hb. 13:4).

Nada pode fazer de qualquer ministério maior que o nosso primeiro ministério: "Amar a nossa esposa tal como Cristo amou a Igreja" (Ef. 5:25)

O amor de Cristo pela Igreja é referência para o casamento e não para o pastorado. Há pastores assumindo um caso extraconjugal com a Noiva de Cristo.

Cristo amou a Igreja. Ele é o esposo da Noiva. Nós somos trabalhadores que estão a preparar a Festa. 

Lê-se em algum lugar que a prioridade dos maridos é amar a Igreja tal como Cristo a amou? 

Lê-se em algum texto sagrado que a nossa devoção à Igreja está acima de nossa devoção e cuidado para com a nossa esposa?

Maridos líderes, como andam as emoções de sua esposa? Ela sente-se nutrida? Ela sabe que é prioridade? Ela tem a segurança de que ela está acima da Igreja para você? 

Somente hoje compreendo o testemunho de um pastor que conheci. Ele disse-me: "Vacilius a igreja ia muito bem naquela altura, mas eu chegava em casa e minha esposa não tinha brilho. Esgotei todas as possibilidades e vi que ela precisava mudar-se de localidade, mudar-se para outros ares. Então, eu decidi deixar a Igreja e a minha esposa foi curada".

Já passei por fases de dedicação extremas que eu não compreendia este nível de maturidade.

Não basta um tempo de Férias, algumas saídas para comer fora. O que devia acontecer, é dizer não por causa dela, é mudar a agenda por causa dela.

Onde fica o profissionalismo? Fica no lugar que é preciso estar. Afinal, não há muitos empregos por aí em que perder a mulher implicaria perda do trabalho. E o ministério é assim.

Enfim, se amamos a Igreja mais que amamos a nossa esposa, estamos tomando o lugar de Cristo. 

Se cuidamos da Igreja com maior excelência que cuidamos de nossa esposa, estamos tomando o lugar de Cristo. 

E se tomamos o lugar de Cristo somos usurpadores. Será que falta o entendimento de que Cristo é o cabeça do homem e o homem o cabeça da mulher? (1 Co. 11:3). Não há homem que seja o cabeça sobre a Igreja de Cristo. 

Será que não temos fé suficiente para crer que é o próprio Cristo prometeu edificar a Igreja? (Mt. 18:18)

Sendo assim, reafirmamos que Cristo ama a sua Noiva e o seu amor pela Igreja é uma metáfora de nosso amor conjugal. O amor sacrificial de Cristo pela Igreja devia inspirar-nos a amar as nossas esposas e não a igreja. 

O amor de Cristo pela Igreja é suficiente ou ela precisa de nosso flerte.

Já viram aquela mentalidade: "Eu cuido da Igreja e a minha esposa cuida de mim?" E quem cuida dela, da esposa? 

Diante das demandas do ministério, precisamos olhar para Jesus e ouvir o seu doce e amoroso convite: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração" (Mt. 11:29)

Este terno convite pode ser o caminho para vivermos a vida comum do lar com discernimento a fim de que não sejam interrompidas as nossas orações (1 Pe. 3:7).

Enfim, cada qual, vamos todos, amar a nossa esposa como Cristo amou a Igreja.

Instagram: @vacilius.lima

segunda-feira, 3 de abril de 2023

O Canto da Rola

Há tantos lugares com nomes  diferentes e, aparentemente, ofensivos cá em Portugal.

Vamos começar com as VENDA DAS RAPARIGAS que é o nome de uma localidade da Freguesia de Benedita. Nada tem a ver com a prostituição ou escravos, mas sim com uma Quitanda que era de três irmãs. 

Hoje passamos a caminho de Mafra e lá estava uma Aldeia com o nome de PICANCEIRA.

Perto de nossa casa há um Restaurante chamado PORRINHAS dos Leitões.

Há ainda cá nesta Zona (diga-se de passagem que Zona no Brasil é pejorativo), no Conselho de Torres Vedras o nome sugestivo de uma Aldeia, FILHA BOA. 

Já no Concelho de Cascais, mais precisamente em Alcabideche há outra Aldeia que nos faz rir: PAU GORDO. Seria complicado dizer que vivemos no PAU GORDO? 

Hoje estamos mais preparados e aculturados para nomes assim. É por isso que passo por aqui para assumir, publicamente, com todas as letras, que vivemos no CANTO DA ROLA. 

É bom esclarecer que o "canto" de cá não é esquina, beco, quina, extremidade. Não é físico. Refere-se ao CANTAR da Rola. 

"Eis que passou o inverno: a chuva cessou e se foi. Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra." (Cantares 2:11-12)

Eu não podia escrever num momento melhor. É primavera. Temos muitas flores. Aquele tempo frio, húmido e chuvoso passou. E em especial hoje, dia 03 de Abril, pela manhã vi as rolas, parecia-me uma revoada, a cantarem. 

Vi que neste local há o CANTO duas vezes. Há o canto do CANTAR, e há por que não o canto do LUGAR que as rolas escolheram para alegrar? 

Canto da Rola, nome do Centro onde trabalhamos com Hospitalidade, Cuidado e Mobilização.

Qual o problema? Para os portugueses nenhum, mas para os brasileiros nem me fale. Ora, riem - timidamente - pelos cantinhos da boca, ora riem - maliciosamente. Só perde o duplo sentido aos brasileiros, se as chamamos de rolinhas.

Por que depois de 3 anos neste Centro resolvi falar sobre isto?

Trago esta discussão porque quando chegamos cá sofremos um choque cultural e, naquela altura frente as anedotas, recorremos apenas ao nome da Associação que gere a casa. 

A Associação Evangélica Cascatas não foi dado por razões da natureza cá em Portugal, embora nesta região, Centro Oeste, haja cascatas. A sua origem veio das Cascatas perto da Alameda del Vale na Comunidade de Madrid, onde temos a nossa casa-mãe.

Ou seja, AEC (Associação Evangélica Cascatas) está correto porque é o nome da organização oficial. E Canto da Rola também é bem adequado por ser o nome do Centro/Casa/Local.

Sendo assim, hoje assumimos sem medo das reações porque já temos nos aportuguesado de maneira considerável, graças a Deus, de modo que, nos soa mais normal muitas coisas que estranhávamos. 

E cá entre nós, uma verdade/desafio que os brasileiros precisam encarnar: somos nós é que devemos nos adaptar a eles e não eles a nós.

NOTA: gratidão a Alan Pallister que nos explicou pacientemente, algumas vezes, o que deu origem ao nome "Canto da Rola", e também devemos aos diretores da AEC - Associação Evangélica Cascatas em Portugal, por nos terem respeitado em nossa opção em usar AEC, o que ainda o fazemos dependendo do contexto.)

Instagram: @vacilius.lima