Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Não mais alvos que a neve?

Os "wokes" não são apenas aqueles que falam "todes" e "bem-vindes". Eles encontraram no passado do verbo "to wake" (acordar, tornar consciente) uma nomenclatura para um movimento social contra o racismo e supostas injustiças.

Este movimento de origem afroamericana já está a ecoar na desconstrução teológica evangélica brasileira. 

A bola da vez é o hino "Alvo mais que a Neve" escrito originalmente por Eder Reeder Latta em 1881 (Blessed be the Fountain).

Estão a questionar a letra? Já olharam de onde vem Eder Reeder Latta? Já perguntaram por sua base bíblica? 

Eder Reeder Latta, um pregador metodista, que atuou durante a Guerra Civil Americana pela abolição da escravatura. Curioso, não?

Um abolicionista sendo usado como referência de preconceito? 

E a sua Teologia? De onde vem? Ele teve como fonte de inspiração o seguinte versículo:

"Embora os seus pecados sejam vermelhos como o escarlate, eles se tornarão brancos com a neve; embora sejam rubros com a púrpura, como a lã se tornarão." (Is. 1:18)

O que fazer? 

Agora temos um motivo a mais para vigiarmos sobre cantores evangélicos que vão compor sem a mínima coerência histórica e bíblica. Desta vez, foi Kléber Lucas. Quem mais?

E os não "wokes" mais acordados e vigilantes? 

Vamos seguir cantando, e vamos reafirmar e proclamar as palavras do profeta Isaías que 700 anos de Cristo já falava sobre Ele.

Bendito seja o cordeiro
Que na cruz por nós padeceu
Bendito seja o seu sangue
Que por nós ali ele verteu
Eis nesse sangue lavados
Com roupas que tão alvas são
Os pecadores remidos
Que perante seu Deus já estão
Alvo mais que a neve
Alvo mais que a neve
Sim nesse sangue lavado
Mais alvo que a neve serei
Quão espinhosa a coroa
Que Jesus por nós suportou
Oh! Quão profundas as chagas
Que nos provam o quanto Ele amou
Eis nessas chagas pureza
Para o maior pecador
Pois que mais alvo que a neve
O Teu sangue nos torna, Senhor
Alvo mais que a neve
Alvo mais que a neve
Sim nesse sangue lavado
Mais alvo que a neve serei, eu serei
Se nós a Ti confessarmos
E seguirmos na tua luz
Tu não somente perdoas
Purificas também ó Jesus
Sim e de todo o pecado
Que maravilha de amor
Pois que mais alvo que a neve
O teu sangue nos torna, Senhor
Sim meu Senhor
Alvo mais que a neve
Alvo mais que a neve
Sim nesse sangue lavado
Mais alvo que a neve serei
Sim eu serei
(Alvo mais que a neve) oh aleluia, glória ao teu nome Jesus
Alvo mais que a neve
Sim nesse sangue lavado
Mais alvo que a neve eu serei
Sim eu serei
(Mais alvo que a neve)
Mais alvo que a neve
Serei
Eu serei

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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Espiritualidade, Comida e Jardim

O que espiritualidade tem a ver com comida e jardim? 

A Bíblia diz que Deus plantou um Jardim no Éden (Gn. 2:28). Sim, Deus foi o primeiro a fazer o jardim, e de tão importante que era o seu jardim, ele decidiu criar um cuidador para ele, e depois viu que esse cuidador cuidaria melhor se tivesse uma cuidadora junto dele. 

Ainda sobre o jardim o grande Jardineiro, na qualidade de Criador, fez brotar da terra árvore que fosse agradável aos olhos e desse fruto bom para comer. Tudo era lindo e agradável. Agradável aos olhos, ao olfato, ao tato e ao paladar. 

Vocês já pensaram nos cheiros das frutas? Tudo muito bem-feito para ser desfrutado. A criação e o Criador são mesmo 5 estrelas.

Ele também fez a árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn. 2:29). Por quê? Porque importava uma espiritualidade plena. 

Tudo devia ser celebrado e cuidado, e também os limites da sua espiritualidade. A espiritualidade plena é aquela que não está desassociada das coisas ao nosso redor. 

A espiritualidade precisa ser vista numa espiral que contempla a verticalidade e também o horizontal. É um constante olhar para cima e para baixo. É viver tão plenamente que já não se pode classificar material e espiritual, e santo e profano. 

É por isso que mais tarde, Paulo fala "quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei para a glória de Deus." (1 Co. 10:31) 

A culinária ou gastronomia, a hospitalidade, o jardim, a contemplação, o contacto com a natureza, a criação, o trabalho, o casamento, o desporto, o sexo, o descanso, a leitura, a horta, a soneca, a viagem, a igreja... sim tudo, tudo num mesmo nível de temor a Deus. 

Tudo feito para a glória do próprio enquanto desfrutamos e reconhecemos a sua boa mão em todas as coisas.

Ainda não ficou claro? 

Fica então algumas dicas para que possamos perceber o que é viver para a glória de Deus, que vou chamar de "PALAVRAS-CHAVE DA ESPIRITUALIDADE":

1. TEMOR a Deus

2. ALEGRIA em tudo

3. SIMPLICIDADE como estilo de vida

4. RESPEITO ao próximo

5. SERVIR sempre que possível


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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A Igreja Brasileira depois das Eleições de 2022

A polarização também chegou nos arraiais evangélicos. As correntes do "Brasil Ungido", do "Brasil Amigo" e do "Brasil Umbigo" não fizeram um bom trabalho.

O que foi de bom é que a Igreja Brasileira se posicionou o que é muito importante dos dois lados, e até de um terceiro. Houve posicionamento. Isto faz parte do espírito da Democracia.

É verdade que a nossa Pátria está nos céus, somos peregrinos, e mais do que orar pelas autoridades somos chamados a "...viver no presente século de maneira justa, santa e piedosa..." (Tt. 2:14-15).

Não somos seres apolíticos. Desde os Reformadores, os Puritanos e os movimentos avivalistas promoveram ações políticas e transformação social impactante que foram frutos do Evangelho e da sã doutrina somados a um estilo de vida piedoso. E, diga-se de passagem, que as suas ações políticas em muito nos reportam aos profetas do Antigo Testamento e a João Batista que denunciavam a corrupção.

O primeiro grupo dos evangélicos atrapalhou a laicidade do Estado. Aonde Bolsonaro ia lá estavam eles a forçá-lo a declarar que o Brasil é de Jesus. 

Parecia a todos que ele governaria para os evangélicos. Fez falta que o Presidente estivesse mais com outros grupos e outras confissões. O que podia ser um risco porque este grupo é tão sensível que podiam interpretar como um desvio espiritual. 

Acho que este grupo, o do "BRASIL UNGIDO" gerou antipatia, acirrou os ânimos contra os evangélicos, transmitiu uma aparência caricata de nós como se todos fôssemos contra tudo e contra todos.

Infelizmente, a postura deste grupo alimentou aqueles que já tendenciosamente sempre nos denegriram. Oferecemos lenha grátis para sermos queimados vivos.

E o outro lado? O outro lado criticou tanto o discurso de ódio que se nivelou. Tornou-se tão intolerante quanto.

Mais que isto. Este segundo grupo flertou com a Teologia da Libertação, e definiu como critério para votação os mais pobres e as minorias. Usavam versículos bíblicos para justificar um viés que mais lembrava a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire que o próprio Evangelho.

Este grupo, "BRASIL AMIGO" esqueceu-se das maiorias trabalhadoras, arriscou princípios básicos em nome de um discurso de paz e amor, e parece-me ter relativizado a corrupção em nome de um suposto "mal menor".

E o terceiro grupo? Foi um grupo amargurado e desesperançado. Um grupo que tomou decisões como se a questão não fosse o bem do Brasil. Foi uma decisão unilateral, ora produzida pela dor da perda na Pandemia, ora porque queria agradecer algum favor recebido no passado. O que, notadamente, compreendemos devido as fragilidades emocionais e estruturais envolvidas.

Ambos colocaram suas questões pessoais acima do interesse na Nação. Foi como se o futuro Presidente fosse só deles, ou simplesmente porque queriam vingança. Este grupo podia ser chamado de "BRASIL UMBIGO".

Todos estes grupos não foram apolíticos de um lado, mas foram politiqueiros, militantes à beira da alienação.

O que fazer agora? 

Primeiro passo, reconsiderar os maus caminhos. 

O "Brasil Ungido" precisa redescobrir a sua vocação eterna. Somos peregrinos que veem a implicação da eternidade da vida, no Meio Ambiente etc, mas somos sempre seremos forasteiros em terra estranha que jaz no maligno.

O "Brasil Amigo" precisa redescobrir a sua vocação na terra de maneira mais holística do que pensa ser. O tema da corrupção não pode ser amenizado porque alguém age como Robin Hood. Dar aos pobres precisa respeitar e contemplar princípios inegociáveis, e ações concretas não-paternalistas e imediatistas apenas.

O "Brasil Umbigo" precisa redescobrir o perdão das suas feridas e a gratidão ao Senhor acima dos homens na instrumentalidade que o Pai das Luzes faz de qualquer Governo.

Onde estamos?

A omissão não é o caminho. Quero fazer parte daqueles que intercedem e denunciam, com respeito, amor, verdade e criatividade. 

Somos todos a única Igreja de Jesus, a nossa Pátria está no Céus, e enquanto aqui somos chamados a "viver santa, justa e piedosamente" pois "a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens" (Tt. 2:14-15). 

E viver assim não é contraditório com as manifestações públicas passivas. Como bem partilhou a Professora Eugênia Luz: "há uma diferença muito grande entre ser pacífico e ser passivo... diante tudo o que está acontecendo no Brasil..."

Então, vamos sim nos posicionar, especialmente a favor da liberdade e da justiça porque são a base de um povo, de maneira "santa, justa e piedosa".

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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Orgulho de Ser PAULISTANO, filho de MINEIRA, filho de BAIANO

Nasci no Bairro da Mooca e, quando criança podia literalmente cantar "moro em Jaçanã". Depois, cresci perto da Zona Leste, numa simpática cidade, Poá. 

Poá é uma cidade-dormitório onde vivem milhares de nordestinos e imigrantes do Brasil inteiro. O que vi? Gente muito trabalhadeira que tal como meu pai baiano e minha mãe mineira ajudou a construir São Paulo. 

Vi muita gente boa crescer, conquistar, bem como queridos amigos perderam-se. O berço conta muito. Viver o Evangelho conta muito. Ter saído da Bahia e de Minas Gerais contou muito.

Se meus pais lá tivessem ficado poderíamos ter sido no máximo "pobres limpinhos", mas o destino de minha família poderia ter sido o que acontece hoje com a maioria na Bahia e com boa parte de Minas Gerais, especialmente o nordeste de Minas. 

Sinto por eles. Sinto que quem lhes estendeu as mãos foi de maneira maquiavélica para se eternizar no poder. Vai aqui uma crítica aos que já o podiam ter feito de maneira justa.

Bahia traz os piores índices, especialmente na Educação e é a número 1 em assassinatos. E novamente, elegeram um Governador do PT, partido que já governa há 20 anos. QUANTA CEGUEIRA e ALIENAÇÃO.

POR QUE TENHO ORGULHO DE SÃO PAULO? 

Pra já dá oportunidade a todos que chegam e são trabalhadores e estudiosos. 

Orgulho-me porque nunca permitiu um Governador do PT em sua História, e outra vez disse não ao PT ao eleger Tarcísio de Freitas, o que também fez a grande maioria do país. Ter o PT com a minoria da minoria traz esperança.

São Paulo é o lugar de crescimento e de oportunidade. Quem quer aproveitar, cresce.

Tal como São Paulo há regiões do Brasil que trabalham e produzem para sustentar aqueles que são vítimas de um sistema corrompido e alienante. Não culpo nem o baiano nem o mineiro, culpo seus aproveitadores, e culpo também os que não os olha devidamente.

Tão, tão, tão alienante que a Transposição do Rio São Francisco falada, idealizada e debatida já desde D. Pedro II saiu do papel, e ainda assim não foi suficiente para mudar o quadro "eleitoreiro" do Nordeste. Sim, eleitoreiro não eleitoral. É sujo!

Parabéns, São Paulo! Tenho orgulho de ser paulistano! "E, verás que o filho teu não foge à luta!" 

Seguimos fortes na RESISTÊNCIA com muita esperança. Ou o Governo Federal anda na linha ou já sabemos que o seu destino será o mesmo de Dilma. Afinal, 50.9% não fez um bom trabalho, nem o STJ, nem o TSE, agora resta aos Deputados e Senadores agirem a contento. E o farão porque são a maioria, e há muita gente boa como nunca antes.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

A Bênção da Angústia?

A angústia pode ser uma bênção? Sim. 

A angústia pode ser uma oportunidade de maior dependência de Deus, uma oportunidade em contar com a generosidade de alguém, e uma oportunidade em desfrutarmos de solitude.

A angústia não pode ser associada apenas com os piores dos sentimentos, como se fosse apenas inibidor e depressivo. 

Naturalmente, num primeiro momento a angústia fere-nos, incomoda-nos, tende a deixar-nos sem reação e alienados.

Por quê? 

A angústia aperta o coração, pressiona a alma, traz tons mais escuros ao nosso olhar. É como se estivéssemos a ser esmagados e as nossas forças esvaem-se. 

E, então? 

Então, voltamos aquela oportunidade de maior dependência de Deus, contar com a generosidade e empatia de alguém e, também, desfrutarmos de solitude.

Tudo isto é um movimento proativo em meio a um tempo que tende a ser de passividade, e por isso, é preciso haver decisões e abertura.

Estamos tão fracos e vulneráveis que não conseguimos orar? Então, confessamos a Deus que não queremos nem falar com Ele e estamos em dores e desanimados. Na contramão de nossos sentimentos perseveramos em oração.

A outra ação tão fundamental é contar com os outros.

Contar com os outros? E se os outros não forem proativos? Neste caso, devemos ser nós a pedir ajuda. Bater à porta e abrir o coração. Dizer: "Eu preciso de ajuda!"

Para além de Deus, da ajuda do outro, precisamos da nossa própria ajuda. E a encontramos no tempo de solitude.

Os tempos de angústia acabam por serem terreno fértil às reflexões. É uma oportunidade natural em rever, ponderar, reconsiderar...

Enfim, com toda a esperança que não vem de nós próprios terminamos este tempo com as palavras do Apóstolo Paulo em 2 Co. 4:9-11:

"Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos;
E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.


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terça-feira, 4 de outubro de 2022

Não somos Alice nem Peter Pan, somos nordestinos!

O Brasil cresceu e muito devemos aos nordestinos. Eles não só construíram todo o país, mas são diferenciados de qualidade e criatividade em tudo o que fazem.

Por quê? Ora essa! Porque são determinados e profundamente entregues e comprometidos com o que assumem.

Dizem que não são gratos. São sim, senhor! Tanto é que alguns ainda votam por gratidão ao que no passado lhes foi dado.

Também são espertos, são gaiatos, não são bicho-do-mato como pesam, pejorativamente, alguns.

Qual a minha esperança? 

Que eles, tal como meu pai, BAIANO, que sempre viu Lula como sindicalista à porta da Volkswagen, no ABC Paulista, assumam que ser contra o "bom-velhinho Peter Pan" é fundamental para a Segurança e o futuro dos seus queridos.

Ganhamos hoje um incentivo a mais, sendo minha mãe MINEIRA lá do interior, de Goiabeira. O Governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, declarou abertamente que o Governo do Lula deixou um rastro de destruição em Minas Gerais.

Não precisamos voltar a ser a Terra do Nunca, onde se roubava para dar um pouco aos pobres e muito aos ricos.

Nem precisamos ficar iludidos com as promessas ludibriantes e rasas de quem fantasia um País de Maravilhas que nunca existiu naqueles 16 anos de engano. 

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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Os negócios desta vida e o pastor

"Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra." (2 Tm. 2.4)

O que são os negócios desta vida? 

Os negócios desta vida são as coisas próprias da vida civil, do cidadão comum. 

Então, os negócios desta vida estão relacionados com moradia, educação, bem-estar e trabalho? 

Como um pastor, um missionário,vão fugir disto?

Estaria Paulo a privar ao seu pupilo Timóteo de que constituísse família e vivesse uma vida normal? 

Vivia Paulo nesta suposta anormalidade? 

Um duplo não ressoa nas Cartas Pastorais. 

Paulo aos pastores Timóteo e Tito recomenda que se envolvam com os negócios desta vida de maneira categórica. Contradição?

A referência que pode englobar muitas outras é: "Que governe bem a sua própria casa..." (1 Tm. 3:5)

Governar a casa é uma temática que passa, necessariamente, pela basicalidade do dinheiro, do tempo, da corpo e da cultura.

Por que mexer com a administração financeira, da agenda, da saúde e da educação? 

Porque são as coisas que mais ocupam as nossas emoções, atenção e foco. Afinal, são elas itens básicos para um cidadão comum.

Como "fazer dinheiro" e como gastá-lo. Comer o mais saudável possível. Ter tempo de qualidade em família o que inclui lazer, tempo ao redor da mesa e, ainda que de maneira frugal, boas refeições.

O que mais? Investimentos. Quantos pastores terminam o seu ministério de maneira muito triste porque envelheceu e já não serve mais. Daí, vive da ajuda de outros, às vezes se torna um peso para a família porque estava tão comprometido com o ministério que não podia se envolver com as coisas desta vida.

A experiência do próprio Paulo como "fazedor de tendas" já seria suficiente para não entendermos que o não envolvimento com os negócios desta vida não está relacionada com os negócios em si, mas sim com a motivação e a sua legitimidade.

Por motivação é só perguntar "Por que vou investir nisto?" E se a resposta for o bem estar da família já seria nobre para começar a considerar.

E por legitimidade é a capacidade de discernir as implicações que envolvem aquele comprometimento. 

Quanto tempo? Onde? Com quem? É justo? É de boa fama? É um desafio que posso levar por quanto tempo? É um socorro presente na angústia? Por que poderia ser uma armadilha? De que forma podia somar com o ministério? 

E se formos mais honestos com o texto, leríamos o versículo anterior: "Suporte comigo os sofrimentos, como bom soldado de Cristo." (2 Tm. 2:3)

A legitimidade, antes de tudo, está relacionada com o sofrimentos a favor do Evangelho. 

As angústias do Evangelho devem ser as minhas, e quantas vezes, estar fora do contexto eclesiástico integral é uma oportunidade de ver estampado as razões porque Cristo sofreu. 

Enfim, é todo investimento e renúncia que contribui com o Evangelho.

Então, "Business as Mission" é mais que bem-vindo, não apenas em países em que trabalhar é obrigatório.

Cada vez mais, o campo missionário precisa de gente que trabalha fora porque em algumas realidades somente assim poderão testemunhar de sua fé de maneira a serem ouvidos, porque antes de ouvirem, viram-no a viver.

Aliás, diga-se de passagem que a ocupação com uma atividade paralela pode ser uma das poucas oportunidades de humanizar um pastor, onde ele será chamado pelo nome, e será tido como um "sujeito normal", gente como toda gente.

@vacilius.lima
Professor, diga-se de passagem

quinta-feira, 24 de março de 2022

Ao redor da mesa começa e termina uma caminhada

Caminhar com tranquilidade, sem presa, provoca em nós contemplação e a bênção de baixarmos a guarda.

"Baixar a guarda" não é vulnerabilidade? Sim. E quem disse que a vulnerabilidade é negativa? 

A vulnerabilidade faz com que estejamos abertos a uma abordagem diferente.

A vulnerabilidade faz com que estejamos abertos a reconhecer as nossas limitações e fraquezas.

Se vamos para um encontro assim, relaxados, diminuem os nossos preconceitos.

Então, depois de uma caminhada sentamos ao redor da mesa vulneráveis a partilhar, a ouvir, a considerar, a cuidar e a ser cuidado.

E se não houver a caminhada prévia? Não há problema porque a mesa tem um poder semelhante.

Aliás, a nossa proposta é o que acontece "ao redor da mesa", onde somos cuidados e também onde podemos cuidar. Cuidar não de nós mesmos, num instinto de sobrevivência, mas cuidar dos outros numa entrega de servos.

O autocuidado bem como o cuidado mútuo florescem ao redor da mesa.

Ao redor da mesa somos iguais porque, num primeiro momento, a conexão é o que está posto sobre a mesa. A comida é o interesse comum.

Há um esvaziamento de nós mesmos. Estamos unidos em torno dos mesmos sabores, e então comentamos ou, simplesmente, expressamos a respeito. 

Isto também nos desarma, e mais uma vez a bênção da vulnerabilidade para que alguém nos cuide e também seja cuidado.

Então, a partilha se estabelece, e acontece os olhos nos olhos, as perguntas, as histórias, a partilha de sabores e dissabores da vida.

Há aí um ambiente fértil para a confissão e a cura, as lágrimas e o consolo, a confrontação e o acolhimento, as perguntas e algumas respostas, as dores e a empatia.

E, depois? 

Retomamos a caminhada. Talvez, não aquela caminhada que incentivamos no início, mas a caminhada de volta para a vida, para o futuro.

Voltamos à nossa realidade numa dimensão mais ampla e com uma cosmovisão mais completa porque fomos amados e amamos.

Sendo assim, permita-se cuidar de si mesmo, permita-se ser cuidado. Cultive a bênção da partilha ao redor da mesa.

A mesa não apenas como um lugar de sobrevivência, mas de acolhimento.


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Ao redor da mesa os olhos se abrem

As últimas notícias nos tabloides de Jerusalém eram de morte. Foi-se a esperança. Jesus, o Messias prometido para a restauração de Israel, estava morto. 

Dois discípulos iam cabisbaixos em decorrência desta triste notícia, sem perspectiva do amanhã. 

O que aconteceu? 

Jesus aproximou-se deles, e a narrativa do Evangelho de Lucas cap. 24 diz que Jesus, simplesmente, "ia com eles". Ele andou com eles.

Na verdade, o que Jesus fez? 

Primeiramente, Jesus ouviu o que estava em seus corações.

Ouviu e fez-lhes algumas perguntas. Perguntas intencionais. Perguntas que demonstravam interesse pelo que eles estavam a viver.

Depois, expor a Palavra numa jornada que terminou ao redor da mesa.

O que é marcante nesta narrativa é que o coração deles queimava, entretanto, os olhos somente foram abertos ao redor da mesa.

Foi ao redor da mesa que os seus olhos foram-se abertos.

O que isto pode nos sugerir? 

Não haveria de acontecer situações semelhantes? 

Quantas vezes, as pessoas ouvem e ouvem a Palavra do Senhor, ela chega a queimar os corações, todavia, apenas ao redor da mesa podemos enxergar a revelação de algumas verdades, que Deus quer nos ensinar.

É aquela experiência sobrenatural, que parece um tanto óbvia, quando dizemos: "Uau! Isto é aquilo!"

"Afinal, posso enxergar o que pensei saber."

"Agora, meus olhos podem ver."

Quantas pessoas recebemos, quantas delas vivenciam o que aconteceu depois da caminhada? Somos muitos. Aliás, sobre a caminhada que termina ao redor da mesa podemos falar no próximo episódio. 

Aprendemos de arrependimento, e ao redor da mesa temos oportunidade de confissão.

Ouvimos falar de não guardar rancor, nem amargura, e nem de deixar o sol se pôr sobre a nossa ira, então ao redor da mesa temos oportunidade de reconciliação e perdão antes de recostarmos a cabeça cheia de angústias. 

Quantas pregações sobre avançar e não deixar que o passado nos aprisione, e ali ao redor da mesa as nossas vivências são descortinadas, fazemos conexões e percebemos porque somos como somos, e fazemos o que fazemos.

São muitas as vezes que ouvimos sobre andar prudentemente, e então, ao redor da mesa vemos aplicabilidade e pertinência com a nossa realidade.

É ao redor da mesa que a Palavra de Deus que enxergamos será enxergada em nossas vidas.

Enfim, ao redor da mesa todos temos oportunidade de termos "olhos de ver" e "ouvidos de ouvir" com um significado mais profundo, revelador e transformador.

Boa refeição! E que os nossos olhos se abram...


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sábado, 19 de março de 2022

Ucrânia: uma necessidade Emergente

Todos nós estamos a falar nos horrores que circundam a Ucrânia, naturalmente. Não daria para ser diferente nesta conjuntura. Entretanto, não podemos nos esquecer que há outras tantas necessidades para respondermos. 

A Invasão da Ucrânia não pode nos cegar, inclusivamente, de que há sérias consequências para os próprios russos, e a nossa humanidade e bom senso não nos permitem celebrar que os russos vivam isolados novamente, e amarguem duras penalidades. 

Há muitas mães a chorarem na Ucrânia, entretanto, muitas delas também choram do outro lado as perdas deste desatino. 

Não podemos nos esquecer da Síria cuja Guerra já dura por 11 anos. O que dizer da Palestina? Por que ninguém mais fala na Venezuela? E também não podemos deixar que a África fique ainda mais abandonada. 

Queremos fazer o bem aos ucranianos? Fazemos bem. 

Por outro lado, não devemos tratar as necessidades a nossa volta como, algumas vezes, tratamos as doenças crônicas. "É mesmo assim! Não há o que fazer. Um paliativo aqui, outro ali, e vai-se vivendo."

A Igreja, as Ongs, as Agências Missionárias, os próprios missionários, o ser humano com coração, não podem se esquecer de que existem por uma razão e não devem se desviar do que devem fazer, só porque todos estão a correr numa só direção. 

A necessidade emergente está aí, e devemos abraçá-la, no entanto, vamos seguir em nosso foco. Vamos avaliar. Vamos agir com clareza.

Muito cuidado para não sermos engolidos pela tirania do urgência emergente. Muito cuidado para não usarmos os ucranianos para a autopromoção e nos desviarmos fazendo o bem.

Enfim, bem-vindos aos ucranianos, mas não nos esqueçamos do necessitado à nossa porta. 

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Brasileiros sem lenço nem documento em Portugal

 
"Sem lenço, sem documento

Nada no bolso ou nas mãos

Eu quero seguir vivendo, amor

Eu vou

Por que não"

O final da música Alegria, Alegria de Caetano Veloso lembra-me a realidade de muitos brasileiros cá em Portugal.

Sabemos de famílias que não puderam fazer o Teste Grátis do Covid pelo SNS porque não tinham o número de Utente. Já vivem uma vida de severas limitações e tiveram de pagar 30 Euros por cada Teste e não podiam deixar de fazê-lo porque foi à pedido da Escola.

Onde tudo isto começou?

Com a decisão de viver em Portugal e, ao mesmo tempo, entrar como turista. O visto de turista vence em 3 meses e depois disto, sem o Visto de Permanência, a pessoa fica vulnerável. 

Outra problemática é a busca de um Contrato de Trabalho para com isto buscar o Visto de Residência. Normalmente, não é fácil conseguir um Contrato porque há uma "engrenagem maligna" que se alimenta de ter alguém que precisa na mão de quem que quer pagar menos, clandestinamente.

Conhecemos pessoas que trabalham duro, sem direitos básicos, e nem sequer podem reivindicar nada, porque estão a espera de uma promessa de Contrato há alguns anos.

E as taxas moderadoras nos Hospitais, e a compra de medicamentos? Quem tem aquele número de Utente paga um valor simbólico para o atendimento hospitalar, e há muitos exames com valores ínfimos, e também medicamentos com descontos consideráveis.

Então, é só ter o número de Utente? Lembram-se do Visto de Residência?

As coisas estão mesmo interligadas. Uma depende da outra.

Isto pode afetar o "turistar"? Sim, sim. Os Meios de Transportes para já não são tão viáveis assim, então ter um carro é fundamental. Ter um carro não é o mais difícil. Trabalha-se e compra-se um. Não é tão caro como no Brasil. 

Qual é o problema? 

A Carta de Condução. Os 3 meses de turista termina, então vamos transferir a Carta de Motorista do Brasil para Portugal. É simples. É só ir ao IMT passar lá algumas boas horinhas, e quando chegar no Atendente apresentar a Carteira + o Visto de Residência. 

Problema? Sim. Problema de mobilidade. Limitação em desfrutar de tantas belezas e privilégios. 

Isto afeta a oportunidade de conhecer e viajar pela Europa? Também. Pode até sair. Escolher aquela Capital dos sonhos, mas quando retornar vai passar pela Alfândega, e então temos problemas.

Há mais um possível problema. 

Todos estes constrangimentos, normalmente, levam as pessoas a não conhecerem o melhor de Portugal, e dos portugueses e das portuguesas.

Há então, o perigo de criar uma indisposição tão severa que a vida torna-se amarga e não se vê a beleza, e não se desfruta dos melhores sabores.

A História, a Cultura, a Geografia, e a Culinária tornam-se mais possíveis quando há uma visão e também uma logística básica.

E tudo agrava-se quando fala-se em nome de Deus para justificar as suas próprias escolhas. Soa muito mal e desconfortável. 

Todos sabemos que Deus usa caminhos diversos e surpreendentes para abençoar, mas o que está em questão não é o que Deus faz, antes sim, o básico que nós podemos fazer.

Devia haver ao menos um esforço prévio de conseguir um emprego antes de vir, e ter paciência no processo com o Consulado Português no Brasil. Também esta é a experiência de muitos. 

Tenho visto gente que escolheu este caminho e enfrentou um processo moroso e delicado, entretanto, chegaram a Portugal com as "bênçãos" da Agência Portuguesa para as Migrações e Asilo (APMA).

Nós passamos por este processo como família. Não foi fácil reunir tantos Documentos e cumprir tantas exigências prévias ainda no Brasil, e foram acrescentadas outras quando cá ao chegarmos. 

Naquela altura "enfrentamos" o então SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) com a visão de que os gastos eram investimentos, e de que cumprir as exigências era uma carta de liberdade.

Então, a pergunta que fica é muito pessoal. Você quer mesmo cantar esta música?

"Sem lenço, sem documento

Nada no bolso ou nas mãos

Eu quero seguir vivendo, amor

Eu vou

Por que não"


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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

O Perdão na Perspectiva da Restauração

Perdoar e ser perdoado, ambos exigem um processo de restauração. Por quê? Porque as marcas e as consequências são sofridas tanto por quem ofende como por aquele que precisa liberar o perdão. 

A restauração não é um ato, ela acontece num processo.

Ao mesmo tempo em que restauração é um processo solitário porque requer uma atitude e persistência muito pessoais, ela requer a companhia de um abraço amigo. Aliás, não só de um abraço amigo, mas de "passos amigo". Aquela caminhada que não se pode fazer sozinho.

A restauração é um processo lento e doloroso porque o pecado também acontece num processo. Desde a Queda vemos isto. Olhar, desejar e comer do fruto repete-se. Não foi assim no adultério do Rei da Davi? 

Jesus sabe ser este um processo de desconstrução da santidade e da comunhão, pois nos alertou: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação." (Mt. 26.41)

É mais legítimo reconhecermos que ninguém cai em tentação abruptamente, antes entra-se gradativamente. 

É por isso que a retomada da comunhão e de qualquer relacionamento, que recomeça com Deus, passa por um processo de autoanálise e confissão. 

"Lembras-te de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras." (Ap. 2.5)

Reconhecer-se, assumir e confessar não é "pera doce", por outro lado, apenas Deus é o único que está num nível acima porque não tem Ele pecado. Ainda assim, humilhou-se em Jesus para levar os nossos pecados.

A suposta vítima também um dia precisou ser perdoada e encontra-se suscetível a pecar igualmente. Sem contar que o processo de queda, normalmente, conta com a desastrosa colaboração de quem é a vítima.

Quem tem mais pecado? Quem pecou ou quem cooperou para o outro pecar? Ambos estão sujeitos a restauração do Deus de amor e misericórdia.

Quem pecou e a vítima do pecado, ambos precisam de um "anjo", um enviado, que tenha "olhos de ver" do lado de fora.

Quem cuida, do lado de fora, não apenas enxerga melhor lá dentro, mas vê melhor os caminhos cá pra fora.

Você precisa ser restaurado porque pecou? Você precisa ser restaurado porque foi ofendido e traído? Ambos precisam daquela companhia amiga.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Perdão na Perspectiva do Cuidado

Perdoar requer muito esforço pessoal e muita graça divina, ao mesmo tempo. Uma combinação que algumas vezes passa pelos braços generosos do cuidado e também se embrenha num processo de restauração que requer ajuda. 

O cuidado é um instrumento da graça de Deus a qual encontra o esforço humano, aquela disposição em lutar, enfrentar, não se permitir ser o mesmo, ainda que a força seja pouca.

Neste caminho há algumas questões básicas: 

1. O perdão, naturalmente, existe porque há falhas, pecados, equívocos e injustiças. Entretanto, ele não brota livre e facilmente quanto o pecado. Custa muito! 

2. O perdão precisa ser construído num processo de cura que é derramado, paulatinamente, quase que gota a gota.

3. Precisa haver uma decisão em partilhar a mesma graça de que se desfruta. Vou perdoar porque primeiro sou perdoado em Cristo. Uma condição que nivela a todos nós.

Neste processo entra a boa mão do cuidado, ou melhor, os braços que abraçam e acolhem, os ouvidos que - atentamente - se inclinam a beber cada palavra, cada partilha. E por trás um coração pronto a amar.

É neste contexto de graça e amor, onde acontecem as lutas, os esforços e a dedicação, tanto de quem está com o coração em pedaços porque foi traído, magoado, entristecido, como também daqueles que, com um coração pronto, sofrem com os que sofrem. 

Não é assim o cuidado? Nunca daquele que está acima, intocável, mas sim, por parte daquele que mergulha no mesmo pântano, com um pé de fora, numa rocha, onde se apoia e soergue aquele que nele está atolado, pois afinal, um dia já lá esteve.

Você precisa perdoar? Busque ajuda e prove da graça que abraça, cuida e liberta.