Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



terça-feira, 28 de julho de 2020

Mais Pequeno?

Cá nas terras de Camões não é errado falar "mais pequeno", mas jamais podemos tratar algum desconhecido na 2a pessoa do singular. "Te, ti, contigo" é para os mais chegados.

Falar "na cara" o que é preciso é natural, mas ralhar seria suposto somente com quem cometeu alguma asneira.

Por esses dias estava numa fila, que os mais alguns ainda chamam-na de bicha, e vi um "senhorinho" a chamar a atenção a outro mais jovem. E não foi motivo de briga. Eles dizem o que deve ser dito, depois conversam como se de nada tivessem discordado. Admiro como separam tão bem o que é, e o que pessoal.

Sabemos que num país continental como o Brasil, deparamos com muitos "Brasis". Mas, atenção! Não é diferente em Portugal. Não comparamos o tamanho geográfico, mas há muitos "Portugais" coladinho um ao outro.

Estou a ver isto na Aldeia para onde mudamos. Aliás, Aldeia não é de índio. Refere-se ao que conhecemos como aqueles antigos vilarejos.

A começar do pão e do peixe entregues a porta. E depois as pessoas são mais relacionais.

Até o clima muda dentro de poucos kilometros. As serras de Sintra trazem uma temperatura mais amena, e por causa do mar, as Caldas da Rainha tem um frescor próprio, mas entre uma e outra passamos por Lisboa e, normalmente, é mais quente. Mas, se subimos para Castelo Branco, de onde escrevo, pertinho da Espanha, aí sim precisamos de "ventuinha" e água fresca.

Aliás, fresco é gelado. O fresco de frescor é frescura. Frescura que não diz respeito aquela pessoa manhosa, cheia de "mi, mi, mi".

"Enfim", serve apenas para terminar um texto, porque o mundo a ser descoberto, para além dos 2 anos, ainda segue quase inexplorado.

Até mais ver! Passe bem!

sábado, 11 de julho de 2020

Quem Não Trabuca?


Hoje foi um dia incrível. Despertei por volta das 6h30m, e logo defini qual seria a minha agenda.

As coisas começaram a mudar, quando desci ao encontro do meu novo vizinho, e depois de algumas palavras, ele disse-me que ia começar a apanha de batatas.

Ao que me ofereci: “O vizinho permite que eu o ajude? ” Então, foi-se a minha manhã de sábado, numa agenda que desconhecia.

A certa altura, ele afirmou: “O vizinho hoje vai comer sardinhada.” Daí, sentei ao redor de uma grande mesa, espalhadas por ela mais 5 pessoas, e desfrutei das sardinhas com as batatas colhidas há poucas horas, e do que não falta a uma casa portuguesa, o vinho, e este devia ser degustado com respeito, porque era caseiro.

Conversa vai, conversa vem, e a senhora exclamou: “Quem não trabuca, não manduca.” Pedi explicação, e partilhei a versão paulina com eles: “Se alguém não quiser trabalhar, não coma...” (2 Ts. 3.10).

“Quem não trabuca, não manduca” também serve ao nosso trabalho missional. É preciso suar para chegar ao coração do povo. Sem vivenciar a realidade do povo, nossa mensagem não será ouvida.

“Quem não trabuca, não manduca” deve aplicar-se aos nossos filhos. Desde tenra idade devemos partilhar tarefas, as quais devem ser recompensadas, para que seja gerado o senso social da “paga do trabalho”.

“Quem não trabuca, não manduca” é antes de tudo, a experiência do próprio Deus em Cristo: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo. 5.17).

Diante de uma "siesta" tão merecida, tendo feito algo importante, minha tendência é  pensar em alguma dignidade pessoal, de que as coisas aconteçam. Nada, nada disso!

“O trabalho da sua alma ele verá, e ficará satisfeito...” (Is. 53.11). É nEle e dEle, a realização.

Eu hoje só fui capaz de apanhar batatas, e almoçar sardinhada, porque a promessa de Deus, em Cristo Jesus, não falha.

Por outro lado, já sei que ainda há muito trabalho. Muito trabalho para que eu não apenas associe “Quem não trabuca, não manduca” com “Quem não trabalha, também não coma”, mas que saiba explicar o significado de cada termo, e porque surgiram. 

Não estou a referir-me apenas ao significado em latim: “trabucar” = trabalhar. E “manducare”, que é comer com as mãos – num tempo em que não se usavam talheres.

Por hora, só sei que o dito popular, vem da região de Castelo Branco, uma região que nem sequer visitei. Ah, falta muito, ainda falta muito, para eu chegar aos pés da humilhação de Cristo.