Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



sábado, 19 de setembro de 2020

O Beijo a Partir de Herman Dooyeweerd? - II

Dooyeweerd bebeu de Abraham Kuyper. A cosmovisão cristã do neocalvinismo de Kuyper, influenciou fortemente a Herman Dooyeweerd. 

A convicção de que todas as coisas são "dEle, por Ele e para Ele", influenciou todas as áreas do conhecimento. Cristo tem o governo sobre todas elas.

E por isso mesmo, todas as áreas são transversais. Elas estão relacionadas entre si, em pé de igualdade. Nada é mais importante, a não ser o próprio Cristo. 

Vamos ilustrar com o beijo, conforme ouvi na Lecture I sobre Dooyeweerd, de Josué Reichow in L'Abri. Imagine se o beijo fosse analisado somente a partir de uma perspectiva química e anatômica. O que seria? Seria a troca de saliva entre duas pessoas, quando os músculos da língua se exercitam. 

Acho que o beijo dentro desta leitura não é nada interessante. 

Aliás, vale a pena ouvir as Lectures de Josué. Na terceira sobre Dooyeweerd ele transita sobre o café, e quanta coisa o envolve. 

Por que estes exemplos são pertinentes? Porque tudo o que acontece está atravessado por tudo. Nada acontece de maneira completamente singular. Tudo depende de tudo. É assim que Cristo exerce o seu Governo, sobre todas as coisas.

Por que fragmentamos? Porque parece dar mais jeito para estudar. Entrentanto, cada vez mais sabemos que todas as coisas tocam uma nas outras. Por quê? Por que Cristo as criou para sua glória, e refletem o seu caráter. 

Uma Pitada de Abraham Kuyper e o NeoCalvinismo

Abraham Kuyper (1837-1920) foi um estadista holandês, muito respeitado e influente, diga-se de passagem, para além de teólogo e filósofo. Ele fundou, em 1880, a Universidade Livre de Amsterdã.

Ele é considerado o "pai do neocalvinismo". O que isto significa? Ele rompeu com os princípios da Reforma Protestante? De maneira nenhuma. 

O que ocorreu é que precisava ser relevante para a sua geração na Europa. Uma geração pós-iluminista, após a Revolução Francesa. 

As questões de sua época, precisamente na Europa, já não tinha a mesma configuração que na época dos reformadores. Seria adaptar as mesmas verdades para outras perguntas, ou as mesmas respostas a perguntas que estavam a ser feitas de maneira diferente. Adaptação!

O que Kuyper faz, é manter os princípios da Reforma Protestante, mas já não de forma a protestar, no sentido de "meter o dedo no nariz". Ele seguia a protestar, mas numa postura mais argumentativa e dialógica. 

Ele foi fundamental para desenvolver uma "cosmovisão cristã" cuja convicção era:

"Não há um centímetro quadrado em todo o domínio de nossa existência humana, sobre a qual Cristo não clama: "É Meu!"

O que aprendemos com Kuyper? 

Precisamos discernir o nosso tempo, a nossa geração. 

O caminho é manter a mensagem, mas contextualizá-la, no sentido de transmiti-la com a relevância e pertinencia que tem. 

A nossa preocupação é com os falsos profetas sim, mas nem sempre o problema são os falsos profetas. 

Grande parte do insucesso da Igreja fica no mérito de pregadores que não comunicam de maneira clara e relevante. 

Talvez outro grande problema é a falta de cosmovisão cristã. Aquela postura de que o Domingo é do Senhor e a Segunda-feira é minha. O dízimo é do Senhor, e o restante é meu. A Igreja é do Senhor e a casa é minha. A Bíblia é do Senhor, mas os livros são humanos. Há músicas sacras, e as outras são do diabo. O prazer no Culto é do Senhor, e os outros prazeres não cultuam a Deus. 

Enfim, Abraham Kuyper desafia-nos a ver todas as áreas da vida sob o domínio de Cristo. 

A vida assim fica mais completa.Viva a vida toda para a glória de Deus! 

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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Uma Pitada de Herman Dooyeweerd - I

Herman Dooyerweerd (1894-1977) foi um jurista holandês, de vocação filosófica, que defendia o diálogo nivelado entre todas as esferas do conhecimento, das artes à economia, da igreja às empresas, da cultura à justiça, das relações sociais ao governo.

Todas as áreas são igualmente importantes, porque foram criadas por Deus, e requerem o governo de Cristo, igualmente. 

Dooyerweerd defendia que todo pensamento filosófico é fundamentado em pressuposições teológicas, ainda que inconscientemente. Há uma direção concêntrica, fora do próprio pensamento. 

Conforme Dooyerweerd, Emanuel Kant na Crítica da Razão Pura, quis lançar a base da transcendência entre o "conhecimento a priori" e o "conhecimento empírico". Dooyeweerd diz que este "conhecimento a priori" está relacionado com o impulso religioso. Ou seja, há um "conhecimento a priori" antes do suposto "conhecimento a priori".

O que é isto? É o "ego pensante" que transcende a si mesmo em busca de Deus, e vai achá-lo no próprio Deus ou em outro deus qualquer.

O "ego pessoal" em conexão com outros egos é governado por um espírito, ou a "dynamis" do Espírito, ou um espírito apóstata. As duas humanidades estão em guerra o tempo todo, em todas as áreas.

Sendo assim, podemos dizer que Dooyerweerd defende a visão holística de toda criação, e que a queda não tirou do homem o anseio pela eternidade. E que em resposta a esta inclinação, ou ele perde-se em si mesmo, ou encontra o governo de Cristo. 

sábado, 12 de setembro de 2020

Adiafa - um Pentecoste Português

Adiafa, do árabe, "hospitalidade, banquete" tornou-se uma festa tipicamente portuguesa, que acontecia depois das vindimas, e que se estendeu aos trabalhadores da apanha de pêra, maça e outros frutos. 

Lá andei com meu filho Thales por alguns dias, e no final o convite para a Adiafa.

Lembrei-me do Pentecostes, porque a razão cultural do ajuntamento é a mesma: celebrar os dias da Colheita. 

Não pára por aí. Assim como no Pentecostes, havia várias Línguas: Francês, Inglês, Português, Criolo, e o Brasileiro (como dizem eles), que não podia faltar. 

O que mais haveria de comum entre o Pentecostes narrado por Lucas, e a Adiafa narrada por mim?

Havia muita gente boa, cheia de muitas coisas de Deus, mas que não o reconhece em seus caminhos, necessariamente.

Também havia cá e lá, gente com um coração ardente por partilhar o Evangelho.

O que mais? Gente que parecia embriagada por razões diferentes. Algumas de tão cheia de Deus, e outras de tão cheia do fruto da videira.

Algum coração disposto a pregar Jesus? Sim. Entretanto, bem disposto a respeitar a cultura, ouvir e aprender, criar conexões, andar no caminho da pré-evangelização, e a marcar um comportamento que brilha nas trevas, que deixa perguntas por onde passa. 

O Espírito Santo não foi derramado como no Pentecostes, mas certamente estava lá na Adiafa, da terra do Bom Vento em Carvalhal, sutilmente, a iniciar ou dar continuidade na obra que veio fazer.

Ora, no Pentecostes, ora, na Adiafa, mudam-se os trabalhadores, mas o Espírito é o mesmo.

sábado, 15 de agosto de 2020

Amigo Estou Aqui!

"Amigo estou aqui!" É uma expressão que nos remete a "Toy Story". Que roteiro incrível! Lembrei-me do filme porque fiquei emocionado hoje, de forma inesperada, ao ler a carta de Paulo a Filemon. Que história incrível!

Vi GRATIDÃO: "Sempre dou graças ao meu Deus, lembrando-me de ti nas minhas orações," (1.4).

LIBERDADE: "...embora tenha em Cristo plena liberdade para te mandar o que convém," (1.8).

TRANSPARÊNCIA: "todavia, prefiro rogar-te por esse teu amor, sendo eu como sou..." (1.9).

RESPEITO: "mas sem o teu consentimento nada quis fazer..." (1.14).

APELO CONSTRANGEDOR: "Assim pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo." (1.17)

CONFIANÇA: "Escrevo-te confiado na tua obediência, sabendo que farás ainda mais do que peço." (1.21)

ACEITAÇÃO: "E ao mesmo tempo prepara-me também pousada, pois espero que por vossas orações vos hei de ser concedido." (1.22)

ESPAÇO PARA OUTROS: "Saúda-te Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus companheiros." (1.25)

Penso que temos aí alguns ingredientes fundamentais de uma boa, profunda e rara amizade. 

Estes itens vão combater a vergonha e certos receios desnecessários a amigos. 

Também opõe-se a libertinagem e o uso egoísta da amizade. Joga as dúvidas ao chão. E não permite sufocar o outro com exclusivismo.

Ao contrário, cria um porto seguro que faz muito bem ao coração. 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Mais Pequeno?

Cá nas terras de Camões não é errado falar "mais pequeno", mas jamais podemos tratar algum desconhecido na 2a pessoa do singular. "Te, ti, contigo" é para os mais chegados.

Falar "na cara" o que é preciso é natural, mas ralhar seria suposto somente com quem cometeu alguma asneira.

Por esses dias estava numa fila, que os mais alguns ainda chamam-na de bicha, e vi um "senhorinho" a chamar a atenção a outro mais jovem. E não foi motivo de briga. Eles dizem o que deve ser dito, depois conversam como se de nada tivessem discordado. Admiro como separam tão bem o que é, e o que pessoal.

Sabemos que num país continental como o Brasil, deparamos com muitos "Brasis". Mas, atenção! Não é diferente em Portugal. Não comparamos o tamanho geográfico, mas há muitos "Portugais" coladinho um ao outro.

Estou a ver isto na Aldeia para onde mudamos. Aliás, Aldeia não é de índio. Refere-se ao que conhecemos como aqueles antigos vilarejos.

A começar do pão e do peixe entregues a porta. E depois as pessoas são mais relacionais.

Até o clima muda dentro de poucos kilometros. As serras de Sintra trazem uma temperatura mais amena, e por causa do mar, as Caldas da Rainha tem um frescor próprio, mas entre uma e outra passamos por Lisboa e, normalmente, é mais quente. Mas, se subimos para Castelo Branco, de onde escrevo, pertinho da Espanha, aí sim precisamos de "ventuinha" e água fresca.

Aliás, fresco é gelado. O fresco de frescor é frescura. Frescura que não diz respeito aquela pessoa manhosa, cheia de "mi, mi, mi".

"Enfim", serve apenas para terminar um texto, porque o mundo a ser descoberto, para além dos 2 anos, ainda segue quase inexplorado.

Até mais ver! Passe bem!