Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



segunda-feira, 27 de julho de 2026

O Pastorado é Solitário

O ministério pastoral é muito pessoal e solitário porque não deixa de ser a formação de Cristo, primeiramente em nós. Uma formação que traz um toque de pessoalidade. Não é feito por atacado.

Outra razão porque o pastorado é solitário é porque muitos não conseguem acompanhar o nosso compasso. Infelizmente, alguns ficarão para trás.

Também há a história que Deus está a escrever na vida dos outros, que, por hora, deixa-nos sozinhos. Há gente boa que se vai porque precisa ir.

A solidão do pastor acontece, especialmente, quando ele está na reta final. Não será incomum serem abandonados, esquecidos, postos de lado e até negligenciados.

E os motivos são, basicamente, a velhice, uma enfermidade, uma escolha errada, ou o natural tempo de abrandar, de parar.

Não faltará motivos para terminarmos como Paulo. "11Só Lucas é que ficou comigo" (2 Tm. 4)

Entretanto, enxergaremos mais tarde que até os 'abandonos' são um convite para o principal.

Há uma PRINCIPAL RAZÃO porque o ministério pastoral é solitário e por vezes, muitas vezes, termina ainda mais solitário: é porque, nem que seja no fim, precisamos "tocar" na SUFICIÊNCIA de Cristo.

O nosso amor por Ele escapa por entre os dedos de mãos que estão ocupadas demais para o silêncio aos pés dEle.

Amamos a Palavra que pregamos, não a Palavra em si mesma e para si mesma. Não sabemos amar a Palavra despretensiosamente.

Todos vão seguir correndo de um lado para o outro e nós, já sem aquele vigor, vamos olhar os comboios de toda esta gente e pensar lá no íntimo: eu também estive lá.

Ali, sozinhos aos pés da cruz, vamos descobrir que não há solidão, há solitude, há Cristo em nós, a esperança da glória.

E só assim, viveremos plenamente o que pregamos: "conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus" (Fp. 3:12).

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Aué - A Fé Ganhou!

    AUÉ? A fé ganhou ou está a perder, com tanta polêmica? A música do álbum "O Grande Banquete".

    A 1ª questão que pesa, antes da música, é quem é o compositor/cantor, Marco Telles. Ele é um missionário que prega com poesia e que defende que o Evangelho deve ser pregado e cantado a partir de sua própria cultura, ou seja, de maneira contextualizada.

    A questão 2 é sobre o nome "Zé", que é diminutivo de José, do hebraico YOSEF, cujo significado cairia muito bem à canção: "Deus Acrescenta", "Deus multiplica". 

    O Zé da música é chamado, com carinho ou de maneira popular, como alguém que não tem tanta importância, e, ainda assim, Deus acrescenta na "CIRANDA da fé".

    E quando Deus acrescenta na "ciranda da fé" e a libertação é chocante como um paralítico que entra a saltar, depois de ter buscado ouro e prata e ter recebido a cura, até a cor que se mostra não importa, mas escandaliza os críticos das formalidades.   

    A COR e o samba é a questão 3. A Maria tem uma forma de expressar e se o que ela sabe é dançar, ou melhor sambar, ela exulta em alegria e os seus pés acompanham-na, da forma como sempre fez.

    A saia dela balançou mostrando a sua cor, seja ela a cor da sua pele ou seja lá outra coisa que sabem bem reparar aqueles que estão só para criticar e não para louvar, como bem fazem os fariseus de carteirinha. Eles estão presentes em nossas celebrações e não se alegram com mais um coração que Deus encontrou, antes continuam sufocados e sufocando quem a verdade verdadeiramente tornou livre. 

    E a FOLHA que cai, que me ensina a me prostrar? Este é o meu 4º ponto. Penso que esta é parte da música que merece a atenção dos adoradores que o Pai procura, que O adorem em espírito e em verdade. Caiam como folhas secas!

   Vamos ao ponto 5 "AUÉ", quando a fé ganha. Ah, diga-se de passagem, que "aué" vem do tupi, língua brasileira, equivalente a uma de tantas no hebraico (na Bíblia), "raná" (celebrai com júbilo. Extravasem!

   Em 6º lugar, há tantas músicas que nunca cantamos no culto de domingo, mas cantamos nos Acampamentos e em outras concentrações.

   E, por último, já ia me esquecendo de abordar que esta música tal como os livros bíblicos de Ester e Cânticos dos Cânticos também não mencionam o nome de Deus, embora é palpável de como Ele age.

   Enfim, depois de pisar o chão de mais de 20 países e encontrar tantas expressões culturais tão diferentes, que serão reunidas diante do Cordeiro, de todas as línguas, povos e raças, estou mais preocupado em cair como folha seca junto com o Zés e as Marias, ainda que as suas cores e formas sejam diferentes das minhas. 

   O resto é chatice como de um vinil a andar pra trás.


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sábado, 16 de agosto de 2025

Felca, a Exploração de Menores e a Regulamentação

Você já assistiu ao video "Adultização", Youtube? Felca Bressanin expõe o bacanal de Hytalo Santos e seu marido, com crianças e adolescentes. O caso mais chocante foi de Camilinha (17) que estava nesta prisão desde os 12 anos.

Por que as autoridades agiram só agora? Por que nada fizeram quando Antonia FONTENELLE fez a mesma denúncia, o ano passado? Seria por ser ela uma influencer bolsonaristas? 

Afinal, por que agiram tão "rápido"? Rápido? 

Resolveram agir, por que agora eles têm interesse na REGULAMENTAÇÃO das redes? 

Parece haver algo a ser costurado "maquiavelicamente"? Seria fazer a coisa certa com a motivação errada? 
 
Por que nada fizeram quando a então ministra DAMARIS, em 2019, propôs o programa "Abrace o MARAJÓ", contra a fome e exploração sexual infantil? Por que além de não ter apoio e chegou a ser perseguida? 

Todos estão aplaudindo o trabalho do Felca, ao qual também "tiro o meu chapéu", mas infelizmente, ele pode ser apenas mais uma marionete em mãos sujas que se querem mostrar limpas.

"Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!" (Is. 5:20)

terça-feira, 20 de maio de 2025

Sou pastor, não juiz de paz nem advogado

Ah, se esta moda pega! Tenho sabido de decisões unilaterais de divórcio, que o pastor é procurado e tem todo respeito, desde ele atue como um advogado ou juiz de paz. Há pastores que são advogados também, e isto é outra coisa. Vão agir como advogado, profissionalmente, mas não como pastor-advogado. O Evangelho e as leis civis nem sempre batem em pontos cruciais. 

Eles não são vistos como instrumentos de possível reconciliação e restauração. Eles são vistos como um "mágico" que vai apaziguar o coração de quem não quer o divórcio, para que sejam colaboradores no processo unilateral de quem decidiu romper com a família. 

E aí, se o pastor não se permite servir a isto, já não é tão bênção assim. 

Penso haver pastores, que por causa dos filhos envolvidos, fazem a "milha extra" para remediar os danos, entretanto, nenhum pastor que deseja agradar a Jesus, poderia permitir o reducionismo de seu ministério a ponto de atender os desejos de quem decidiu não ouvir o próprio Cristo e o Evangelho da reconciliação.

A descartabilidade do casamento não pode ser abraçada e acolhida no seio da igreja de Cristo. a mensagem do Evangelho continua a ser a mensagem da reconciliação com Deus, que passa pela reconciliação em nossos relacionamentos. 

Não estou a falar de casos absurdos, onde há perigo constante de morte e até abusos e traições. Estou a falar de situações, onde as pessoas se cansaram, e já não se permitem ser ajudadas para a restauração. Querem ser ajudadas para amenizarem as suas perdas como se fossem maiores que o desfacelamento da família. 

O Heterônimo de Paulo em Romanos 7

Gosto dos Heterônimos de Fernando Pessoa. Os Heterônimos são aqueles personagens que Pessoa criou, que dizem respeito a ele mesmo. Tenho particular admiração por Álvaro de Campos, que em seu pessimismo pontua bastante da realidade à nossa volta. 

Este pessimismo lembra-me Romanos cap. 7, lembra-me um suposto Paulo incapaz de viver a vida de santidade. Seria Paulo, em Romanos capítulo 7, um heterônimo? Estaria ele a desenvolver um outro personagem, a representar?

Quando Paulo fala de não conseguir fazer o que detesta e que o bem que gostaria de fazê-lo, não o pode, ele está a falar da tensão entre a LEI e a GRAÇA, que no início do capítulo é simbolizado pelo casamento que deixa de ter efeito com a morte, a "morte" da Lei (Rm. 7:1-4).

Nas palavras de Karl Barth esta tensão entre a Lei e a Graça é aplicada ao HOMEM RELIGIOSO e a ESPIRITUALIDADE, por isso cogita num breve a possibilidade de estar se referindo ao ANTES e ao DEPOIS de Cristo, e logo retorna a questão da religiosidade x espiritualidade. 

A. D. Carson é categórico em afirmar que, dado o contexto da carta ao Romanos, é inconcebível ser uma autobiografia. NÃO É UMA AUTOBIOGRAFIA.

Assim sendo, é tranquilo pensar que Paulo está a usar um "heterônimo", não literalmente porque não usa outro nome, embora seja personagem que representa não a tensão entre a carne e o Espírito "ipsis litteris", antes, porém, o que não é possível alcançar pela Lei ainda que tenha ela a sua utilidade. 

Especialmente, o capítulo 6 e o capítulo 8 não deixam margem para que o capítulo 7 seja a luta do novo homem, uma vez que o velho homem já foi aniquilado, do grego “katargueté” que na voz passiva significa "anulado", "acabado" (Rm. 6:6).

O que temos hoje em operação não é o velho homem, mas sim a natureza pecaminosa. 

“Que diremos, pois, à vista destas cousas? Se Deus é por nós quem será contra nós?” (Rm. 8.31)  

“Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?” (Rm. 8.33)  

“Quem os condenará?” (Rm. 8.34)  

“Quem nos separará do amor de Cristo?” (Rm. 8.35)  


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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Eu sou livre para sorrir e chorar?


"Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram..." (Rm. 12:15)

Servos bem dispostos querem promover a alegria e o consolo aos que choram. Este seria o natural. O que seria antinatural? Estes servos não se permitirem sorrir para suas próprias alegrias, enquanto servem para a alegria dos outros, e ainda o perigo de não encontrarem oportunidade de chorar as suas próprias dores e perdas. 

Qual seria a razão de vivermos somente a alegria e a tristeza dos outros? Vejo algumas: 

Primeiramente, o nosso "olhar tristonho" para Jesus, enquanto um ser humano que viveu entre nós, limita o nosso sorriso, porque normalmente, Ele é retratado de modo cabisbaixo, reflexivo e triste, o que não é mal em si, sentimentos que tem o seu lugar, mas que não pode ser apenas assim. 

A Bíblia registra que Ele chorou (Jo. 11.35) e também destaca que Ele transformou a água naquilo que é símbolo de alegria, o vinho (Jo. 2.1-12 cf. Sl. 4.7; Jr. 48.33), com o detalhe que Ele estava num ambiente em que os sorrisos são característicos, uma festa, ambiente de abraços, de danças, de sorriso. 

E, diga-se de passagem, que a promessa messiânica dos efeitos e das bênçãos do Evangelho destaca a alegria, na profecia de Isaías 61:1-2: "A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado"
 
Há um espaço, portanto, para sorrir no Evangelho. 

Em segundo lugar, há o perigo de trabalharmos em "produção em série", ou seja, sorrimos com quem está alegre, e sem muita atenção, porque precisamos correr para abraçar os que choram, e como sempre há quem chora, choramos o choro dos outros, e ficamos anestesiados com o nosso próprio choro. 

Então, há o perigo de adiarmos o nosso luto. Não temos "tempo a perder" com o nosso choro, e nos esquecemos que nem sempre é choramingo leviano. E se fosse? Não haveria problema de nos permitir sentimentos aparentemente pequenos e insignificantes, porque se os sentimos são importantes, porque falam sobre nós. 

Precisamos ter "olhos de ver" a nós mesmos. Os nossos sentimentos são importantíssimos.

Qual é a maior problemática de não atentarmos para os nossos sentimentos? 

Se não atentarmos aos nossos sentimentos adoecemos e já não teremos a sensibilidade devida aos outros.

Se a alegria que sorrimos é sempre a dos outros, e as nossas lágrimas sempre é o choro dos outros, somos desumanizados num processo de auto robotização. Perdemos assim, a bênção de nos identificar com Jesus, que sendo Deus/homem, chorou e sorriu. 

Vamos relembrar que a nossa principal chamada é de sermos conformes a imagem de Jesus (Rm. 8:29), o que nos desafia a viver também os nossos sentimentos, com os quais Ele nos criou. 

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quinta-feira, 6 de março de 2025

Ainda Estou Aqui

O início do filme trouxe-me uma saudade de pé no chão, calor, jogar bola na praia, na rua, em qualquer lugar. Que clima de sol, que clima de clima solto de ser e estar, naquele Rio de Janeiro, fevereiro e março.

“Ainda Estou Aqui” de Walter Salles, de repente, perde o encanto e vira espanto.

Uma família de classe média-alta, privilegiada, entra num emaranhado estatal e infernal de acusação: "Vocês são todos uns terroristas!"

Como parte dos "terroristas" estava Eunice Paiva, protagonizada maravilhosamente por Fernanda Torres. Ela conseguiu manter a cabeça erguida, com elegância, numa tensão cruel entre um cenário trágico de dor e a esperança, que se esvaia sorrateiramente.

Aliás, acusar de "terroristas" os que se opõem é algo próprio da linguagem ditatorial, em nome da democracia. Isto lembra algum governo que persegue e prende opositores, e desmonetiza contas de quem se posiciona contra eles?

O mais patético ainda é não ouvir o clamor: "Ainda estou aqui" que ecoa de gente de bem ("Eunices" de nossos dias), ainda presa desde 08 de janeiro de 2023.

Voltando ao filme, é incrível como gerações não somente sobreviveram pela postura aguerrida de uma mulher. A família Paiva conseguiu construir, des-construir, conquistar, denunciar, servir um ao outro e servir os outros.


Enfim, vê aí dia 08 de Março, conhecido como o Dia Internacional da Mulher, e podemos honrar todas as "Eunices" que não desistem de sua família enquanto choram.


#eunicepaiva #rubenspaiva #aindaestouaqui #dia08dejaneiro #ditaduramilitar #diainternacionaldamulher #fernandatorres #fernandamontenegro #terroristas


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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Missões é uma réplica da Encarnação

O que deveria ser a nossa suposta encarnação em missões? O que foi a encarnação de Cristo? 

Jesus, o nosso modelo, despiu-se da sua glória e assumiu a forma humana, tornando-se um como nós, os homens. Não apenas tal como os homens, antes sendo propriamente homem entre os homens (Fp 2.7-8).

Deixo-vos dois grandes exempos do que poderia ser uma réplica da encarnação de Cristo na obra missionária: 

O pastor americano Robert Woodberry Sheppard, missionário metodista que se estabeleceu na cidade de Piracicaba, São Paulo, comprou um túmulo ali cidade para se identificar com o povo.

Hudson Tayor, fundador da China Inland Mission (hoje conhecida como OMF Internacional) marcou as missões por se identificar de maneira tal com os nativos, que se vestia das mesmas roupas e deixou crescer o cabelo.

O que fizeram eles? 

Eles não apenas se despiram de onde moravam. A mudança não foi somente geográfica. Tal como Jesus ele usou as sandálias e bebeu da água do povo que os recebeu.

Nenhum missionário será capaz de comunicar de maneira clara o Evangelho de Cristo, se antes não se identificar com os costumes e o estilo de vida do povo que o recebe. 

A postura crítica no lugar de atitude de aprendiz, só fecha as portas.

E tudo começa com pequenos gestos, pequenas adaptações, pequenas renúncias e um ato de admiração por quem nos recebe.

Assim, vivemos em Mouraria de Tornada, uma pequena Aldeia (Vila) portuguesa, onde aprendemos a ter cabras, galinhas e horta. É o que mais chega próximo da realidade dos aldeões. 

E um bom caminho para a boa aculturação não é fazer de conta de gosta, é gostar de verdade, amar, acarinhar, abraçar, enfim, viver.

Que Cristo e as verdades de sua encarnação, possam nos levar a identificação com Ele mesmo e com o povo a quem servimos. Maranata!

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sábado, 21 de dezembro de 2024

O Verbo é a Luz

“Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo.” (Mt. 2.2) 

A ESTRELA APONTOU PARA O “MENINO” JESUS. Quem é o “menino” Jesus? O "menino" que se fez adulto e cumpriu o Seu propósito de vida e morte.

“1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.2 Ele estava no princípio com Deus.3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.7 Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.8 Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.” (Jo. 1) 


O Verbo é a Palavra que transmite Acção, Movimento – DEUS MOVEU-SE A FAVOR DA SUA CRIAÇÃO 

“1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.2 Ele estava no princípio com Deus.3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.”  (João 1) 

O Verbo é a luz do homens, a luz acima das luzes humanas.


O Verbo é a Luz – JESUS BRILHOU NAS TREVAS DA HUMANIDADE 

“5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. 7 Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. 8 Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz. 9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.” (João 1)  

Nas leis da física, há o fenômeno da refração, quando a luz passa de um material para outro, pode reduzir a sua velocidade de valores astronômicos a meros 17 metros por segundo. Entretanto, ela volta a sua velocidade normal quando ultrapassa as barreiras.   

A luz de Jesus em nós pode parecer fraca, entretanto se trata da luz de Jesus, que é poderosa para salvar.


O Verbo Tornou-se Carne – DEUS ESVAZIOU-SE EM JESUS 

“14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1)  

O Pai das Luzes, a Luz que veio ao mundo, que demoraria 8 minutos do Sol à Terra, submeteu-se a 9 meses no ventre de Maria e mais 30 anos para fazer o seu ministério.   

Jesus conheceu a escuridão de um ventre para que nós conhecêssemos a luz, a glória de Deus.


QUANDO TU CONHECESTE A LUZ? QUANDO SAISTE DAS TREVAS?  


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terça-feira, 8 de outubro de 2024

Interessa a quem interessar, meu Sampa!

Nasci no bairro da Mooca e vivi em Jaçanã. Meus pais vieram da Bahia e Minas Gerais, e contribuíram para a grandeza de São Paulo.

Aliás, a grande Sampa é tudo de bom, de todos os lugares de onde viemos. 

O que não aprecio, e é contrário ao caráter da grande São Paulo, do bom paulistano, é dar oportunidade a um candidato que não tem historial como trabalhador. O trabalho é a alma paulistana!

Também lamento que a censura chegou nas disputas eleitorais da nossa Sampa. O povo merecia um processo limpo e democrático, sem conluios partidaristas.

Trago tantas reservas com a pegada coaching, entretanto, quando olhamos família, trabalho, conquista, valores, tivemos uma opção, no mínimo, decente. 

Só não me espanto, porque não é de hoje que o povo, insanamente, escolhe a Barrabás, e a sua escolha, paradoxalmente, pode contribuir para os propósitos que só o Soberano conhece.

A nossa Sampa que é uma referência para o Brasil e o mundo, em muitas coisas, e a sua história e calibre requeriam algo melhor, ainda que fosse o menos pior. 

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#pablomarçal #prefeituradesãopaulo #eleições2024 

terça-feira, 3 de setembro de 2024

O BRASIL PIOROU?

Sou brasileiro e amo a minha pátria. Sinto-me muito bem, sinto-me em casa, mesmo em meio ao caótico quadro que encontrei depois de alguns anos. Foi diferente estar no Brasil com a família toda.

Por que o Brasil piorou? 
Não é por causa da poluição visual. Até porque há lugares lindos e outros melhorados.

Por que o Brasil piorou?
Não é por conta da poluição sonora, pois sempre os brasileiros decentes sofreram o desrespeito do som pesado nas madrugadas. Vizinhos que não respeitam nem os idosos nem as crianças não são novidades.

Por que o Brasil piorou? 
O Brasil piorou, porque a falta de noção do desrespeito aumentou. Músicas com letras agressivas, explícitas sexualmente, ouvi-as a tocar numa loja que por norma tinha uma tradição de família no país. A moral tem sido diluída.

O Brasil piorou, porque aumenta o número de crianças "abandonadas" e terceirizadas por não terem uma referência moral dentro de casa. 

O Brasil piorou, porque cresceu a criminalidade. Ninguém sai de casa sem acionar, no automático, aquele "modo-alerta" que esconde o medo de que lhe aconteça o que aconteceu a algum conhecido.

Sinto muito pelo meus patrícios, povo amado e querido, porque um Brasil tão lindo está sendo "enfeiado", porque um povo tão alegre anda mais preocupado.

A boa sorte, entretanto, é que as suas belezas e sabores trazem um pitada de que ainda vale a pena. 

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quarta-feira, 21 de agosto de 2024

O Reino de Deus é um Reino de Amigos - Hans Burky

Concordo com este antigo pregador menonita, Hans Burky. Tenho descoberto na prática que não dá para celebrar o Reino de Deus sem amigos. 

Embora, o Reino de Deus não seja comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm. 14.17), os amigos se encontram para comer e beber juntos.

O próprio Jesus chamou o seus discípulos de amigos (Jo. 15:15), e com eles sempre estavam ao redor da mesa.

O diferencial dos amigos do Reino é não fazem da comida o centro de suas vidas. Eles são motivados pela justiça que pregam, pela paz que desfrutam e pela alegria que celebram.

Assim, tem sido a nossa passagem pelo Brasil, um reencontro de amigos. Sinto pelos que não pude reencontrar ainda, agradeço por aqueles que posso abraçar.


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quarta-feira, 26 de junho de 2024

Líderes Sobreiros

Líderes robustos e de caráter indelével remetem-nos aos jequitibás, árvore que demora 50 anos para estar pronto para o corte em contraposição ao eucalipto que já está pronto com 5 anos. Gosto desta metáfora usada por Rubem Alves, quando fala da diferença de entre os educadores formados pela vida e os professores feitos em breves cursinhos de verão.  

Entretanto, estive em Coruche neste final de semana, a capital mundial da Cortiça, e pensei ser mais apropriado falar sobre o Sobreiro, a árvore de onde se extrai a cortiça. Alguns só conhecem a sua utilidade para as rolhas das garrafas de vinho, outros já a viram em sapatos e bolsas, e até em acústica que é o caso da igreja que pastoreio. 

O Sobreiro demora 25 anos para a “desboia” que é a primeira colheira, de sua casca grossa e esponjosa. O que se faz com um sobreiro depois de tira-lhe a casca grossa? Deixa-o descansar e trabalhar ao longo de 9 anos para a “secundeira”, e assim sucessivamente, até ao fim de sua vida útil que é em média de 150 a 200 anos, cerca de 15 colheitas de cortiça ao longo da vida.

O que seria então, um líder sobreiro?  

Ele não está pronto tão cedo, até porque, se for uma espécie de "bispo", é bom que “não seja neófito, a fim de que não caia em laços” (1 Tm. 3:6), os quais somente com tempo ele será capaz de ter casca suficiente para amortecer os ruídos da adversidade.  

Por que temos tantos pastores e líderes com “mil” lições do que não fariam outra vez? Será por que todo início inexperiente e prematuro provoca tantos erros e desencontros?

Criar casca é muito importante. O vento, a chuva e sol golpeam o sobreiro dia e noite. Assim, também Paulo orienta ao jovem pastor Timóteo, “sofre as aflições como bom soldado” (2 Tm. 2:3). Há coisas que temos de passar, é mesmo “ser sóbrio e suportar as aflições” (2 Tm. 4:5). 

O que fazer com toda a casca criada? Não é somente criar a casca, é criar uma casca flexível e útil, o que para tanto, é preciso despir-se dela, a fim de que haja renovação e oportunidade de um melhor servir. O que aliás, caracteriza um líder ensinável em todas as áreas da vida (1 Tm. 3:1-7).

O descortiçamento que acontece, praticamente a cada década, sugere-me algo. Gosto de pensar em ciclos. Mudança de lugar, de ministério, de ênfase, de posicionamento, de igreja, de relacionamentos, podem fazer muito bem a todos, depois de "quase uma década".

Aquela casca que criamos, que é tão útil para servir, que será entregue para abençoar, é para que venha um novo tempo, uma nova oportunidade ao próprio sobreiro, de melhor produzir. 

A rolha da garrafa, os quadros, os enfeites, os sapatos e as bolsas, ficam para contar e testemunhar a história do sobreiro, e ele ganha espaço para criar novas potencialidades.  

Enfim, oramos por líderes sobreiros, que não têm pressa de ver o processo natural de Deus, que não tombam diante das circunstâncias, que engrossam com flexibilidade, e servem de matéria-prima da obra que Deus está a fazer, em Cristo Jesus.

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quinta-feira, 25 de abril de 2024

Cola-cola, Religião e 25 de Abril

A censura foi a primeira grande concorrente da Coca-cola em Portugal. Aquela novidade gaseificada e doce, que já circulava nos cafés, foi tida com uma droga pelo governo de Salazar, que se utilizou da incrível frase de Fernando Pessoa para proibi-la. 

"Primeiro estranha-se, depois entranha-se". 

Assim, vivia Portugal com tantas proibições, o que só atrasou o desenvolvimento, até que eclodiu 25 de Abril de 1974. 

Penso que uma das problemáticas das proibições é que os ajuntamentos religiosos eram permitidos, o que gerou a mentalidade errônea de que "Deus e a Igreja" eram subprodutos da Ditadura. 

Sendo assim, infelizmente, há aqueles que se arrogam no direito de denunciar como radical e ultrapassado, os valores básicos da família, e alguns princípios que não deviam ser rejeitados, necessariamente, em nome de uma suposta liberdade.

A Revolução dos Cravos não significa "jogar fora a água suja com o bebê". Até para fazer Festa, nós precisamos saber que tipo de liberdade estamos a construir.

Enfim, a Cola-cola Portugal já entranhou. O que mais Portugal estranha, e que precisa entranhar? 


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terça-feira, 16 de abril de 2024

Habitar o tempo de espera

"Habitar o tempo de espera"

Gostei tanto desta expressão. Ouvi-a de uma worker de L'Abri, e passei a pensar...

Quem falou esta expressão, vive num contexto em que o ritmo de vida adequa-se, ou inspira-se, nas estações. As casas L'Abri trabalham com "termos" onde as estações são referenciadas.

Ouvir esta expressão: "habitar o tempo de espera", de quem trabalha naquele contexto, também é inspirador, porque eles têm uma prática de oração e dependência de Deus que, normalmente, não tomam decisões para ontem. Aliás, o mais natural é deixar para amanhã, a fim de que hajam confirmações.

Pensei mais...

"Habitar o tempo de espera" é diferente de só esperar, porque não há outra opção, como se fosse uma carga pesada e desnecessária. 

"Habitar o tempo de espera" é assumir que o outono nos prepara para o inverno, e a paz de que o inverno também tem o seu fim. 

"Habitar" este tempo difícil da espera, como um tempo importante e necessário, abre os nossos olhos para contemplar e depender dAquele que "muda os tempos e as estações" (Dn. 2:21-22).

Enfim, vamos entrar no processo da espera, como quem habita o lugar onde deve estar, o tempo que for preciso, na dependência do Senhor dos tempos. 


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terça-feira, 26 de março de 2024

A festa da ressurreição

A FESTA DA RESSURREIÇÃO 

Dias atrás, nos primeiros dias de Primavera aqui no "Velho Mundo", fui tratar a terra de um vaso que estava um pouco de canto, esquecido. Queria plantar novas plantas. Quando cheguei perto estava a rebentar uma planta que estava adormecida durante o inverno.

Foi assim com Jesus, ele estava adormecido, e no devido tempo rebentaria para a vida. 

"Virá um descendente do rei Davi, filho de Jessé, que será como um ramo que brota de um toco, como um broto que surge das raízes." (Is. 11:1)

Os horrores da sepultura não puderam contê-lo. 

Depois, da morte e do sábado fúnebre, aconteceu uma nova manhã. Jesus ressuscitou!

"Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento, os pães da sinceridade e da verdade." (1 Co. 5:8)

A maior manifestação, portanto, de nossa gratidão e alegria pela ressurreição, por uma fé que não é vã, é a demonstração com uma vida agradável ao Senhor. 

Celebremos a festa! Jesus ressuscitou!


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O silêncio do sábado

Há caminhadas que se tornam ainda mais pesadas, quando os ombros estão carregados de dúvidas e questionamentos, e os pés empoeirados pela desesperança. Elas carregam o nosso sábado fúnebre para o nosso domingo.

"Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para um povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém. No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia acontecido." (Lc. 24:13-14)

Jesus já havia ressuscitado e estes dois discípulos ainda estavam assombrados com os pavores da crucificação.

"Ele lhes perguntou: "Sobre o que vocês estão discutindo enquanto caminham? " Eles pararam, com os rostos entristecidos. Um deles, chamado Cleopas, perguntou-lhe: "Você é o único visitante em Jerusalém que não sabe das coisas que ali aconteceram nestes dias?" (Lc. 24:17,18)

Nós somos estes dois discípulos, entre as promessas e o "ainda não", quando o passado em nosso hoje tem mais peso que as perspectivas do amanhã. 

Será que vai acontecer o que Ele prometeu?

Por que devíamos descansar frente a tantos desafios? 

Como as ondas não agitariam a nossa paz? 

Os nossos dias ruins, a turbulência de nossas incertezas, não muda a presença dele. 

"Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles;" (Lc. 24:15)

E, é exatamente por isso que, o nosso Retiro Sepal será sobre Resiliência, porque cremos que Ele se aproxima de nós quando estamos nas caminhadas mais longas e desanimadoras. 

Sendo assim, vamos caminhar juntos e sentir a presença que cuida da nossa esperança. 


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A Páscoa aponta para a Cruz

A morte e o sangue, numa aparente contradição, trazem a vida. 

Não é assim, no parto? Não é assim com o grão de trigo que precisa morrer para germinar? Não é assim na Páscoa? 

A Páscoa do hebraico “Pessach” é a “passagem do anjo destruidor”, cuja fúria seria impedida com a “passagem do sangue” do cordeiro. 

O rito da Páscoa implicava na “morte do Cordeiro”, morte esta que acontece num contexto de libertação aos israelitas; por isso, Jesus é o nosso Cordeiro Pascal.

"Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado." (1 Co. 5:7)

A Páscoa, portanto, tem uma direta relação com a Cruz, porque ela é sinônimo de morte e de vida ao mesmo tempo. 

A morte que era nossa, foi assumida pelo único que podia trazer a vida por sua própria morte. 

"Ele vos concedeu a vida, estando vós mortos nas vossas transgressões e pecados," (Ef. 2:1)

Então, vamos celebrar a Jesus, o nosso Cordeiro Pascal, que fez germinar a sua vida em nós.


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Evangelização e Cultura

Evangelização e cultura formam duas asas de um mesmo voo, e não se trata de uma asa espiritual e outra meramente humana. As duas são divinas e devem encontrar as suas respectivas e mais adequadas expressões humanas.

A humanidade não é algo a que devemos prontamente combater sob pretexto da espiritualidade e do divino, porque o próprio Jesus se deu como exemplo de quem assumiu a humanidade e as suas implicações.

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;" (Fp. 2:5-7)

A cultura é uma expressão da Criação em toda a sua criatividade. A  Criação aconteceu num ato único de Deus como lemos nos dois primeiros capítulo do "Livro das Origens". E vemos ali, que, depois dos seis dias e do sétimo de descanso, o DNA da Criação expandiu-se em criatividade, que nunca mais estancou. 

As línguas, os povos, a culinária, a adaptação geográfica, enfim, há um constante criar e recriar a partir do potencial legado pela Criação.

"E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão. E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Noema." (Gn. 4:21,22)

Há algo de divino nas culturas, há na cultura o gene da gênese, do gênesis de Deus. 

Por outro lado, também sabemos que todas as coisas foram afetadas pelo pecado. E aí sim, devemos estar atentos para não submeter as Escrituras e a missão de Deus aos caprichos pecaminosos da cultura. 

"Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição." (Marcos 7:7-9)

Ainda por um outro lado, devemos transitar, cuidadosamente, de maneira que sejamos bons "camelões culturais" sem comprometer a essência do Evangelho, na prática da Evangelização. 

"Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele." (1 Co. 9:19-23)

Ou seja, tanto a evangelização como a cultura são bênçãos divinas com traços e expressões humanas. Aliás, o próprio Evangelho não escapa a esta conjugação e conjunção, porque Deus falou aos homens na linguagem dos homens. 

Infelizmente, todavia, há uma tendência e um perigo jesuíta nas missões e nos missionários. Os jesuítas são exemplares na obediência ao chamado e até na renúncia, entretanto, eles desconsideraram a cultura que os recebeu. 

Os jesuítas tinham uma postura elitizada e separatista. Não havia a postura de aprendiz da cultura. Não havia a postura de uma criança. Ou seja, quando desrespeitamos a cultura nós estamos desobedecendo o princípio de humildade do Evangelho, porque ele nos ensina a ser tais como as crianças, e também somos discípulos, aquele que aprende.

Os missionários, e todo aquele que evangeliza, precisam ter uma postura e uma atitude de quem está aberto a aprender, e assim virá a adaptação cultural e as oportunidades que daí advêm.

Aqui devemos discernir entre transculturalidade e supraculturalidade. Se a evangelização numa outra cultura é uma missão transcultural, a supraculturalidade do Evangelho não é por causa de nossa boa cultura para com uma cultura inferior, mas porque o Evangelho está acima da cultura, no sentido que haverá de moldá-la, para a glória Deus.~

Moldar-se que, aliás, haverá de acontecer somente quando houver aculturação - a fusão das culturas em pauta. A cultura do missionário na evangelização, a supracultura do Evangelho e a cultura do ouvinte. 

Sendo assim, esperamos que as duas asas, da Evangelização e da Cultura, alimentadas pelo motor do Evangelho, que nortearam o grande missionário Paulo de Tarso, encontre em nós abrigo: "Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus." (2 Coríntios 4:5)


por Vacilius Santos

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Vacilius Santos é missionário da SEPAL em Portugal. Esposo de Mara Regina e pai de Thales, Jamily e Murilo. Ele é autor de vários livros, dentre eles TEOLOGIA DE MISSÕES e PORTUGAL NÃO É BRASIL. Atualmente é Diretor da Associação Evangélica Cascatas, uma casa de hospitalidade e cuidado integral inspirada em L´Abri, e serve como voluntário na área de mobilização para Despertamento Missionário (SIMPLY MOBILIZING) e mobilização para a Janela etária 4/14 (GLOBAL CHILDREN´S NETWORK). 

segunda-feira, 11 de março de 2024

Houve "a-ventura" nas Eleições Portuguesas

Prá já vale a pena salientar que a alternância de poder acaba por fortalecer a democracia. A centralização repetida é cansativa e gera desânimo por não alimentar novas perspectivas. 

Alguns escândalos morais também trouxeram alguma influência bem como a falta de governabilidade em questão básicas do cotidiano do povo. 

E o tão falado Chega? É um misto entre o fantasma da Ditadura e a saudade de bons valores. Muita gente migrou para uma "aVentura" não por plena concordância do que podia vir a ser, mas sim por discordância e protesto daquilo que "já está".

Manuel Alegre disse: "Como homem do 25 de Abril vejo com tristeza o resultado do Chega". O que ele precisa lembrar é que a democracia é exactamente isto, a voz do povo a chega para qualquer coisa que não deseja mais. 

Outro detalhe pertinente é que muita gente apercebeu-se que existe uma tendência nos governos esquerdistas de dar com uma mão e tirar com as duas. Há subsídios e mais subsídios os quais são muito bem-vindos, entretanto, a criatividade de "arrancar" dinheiro em taxas, sobretaxas é cada dia mais ampla. Que o digam os radares de velocidade, os quais - praticamente - nem havia quando cheguei em Portugal, e hoje há aos montes. 

Enfim, não sei o quanto será bom ou mal, o que sei é que a democracia permite ao povo "a-venturar", e cabe aos cidadãos a perseverante cidadania.


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