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segunda-feira, 27 de julho de 2026

O Pastorado é Solitário

O pastorado é um caminho por vezes, e muitas vezes, solitário. Por quê? 

É solitário porque há entraves e lutas muito particulares do ônus de quem foi chamado a cuidar do Rebanho de Cristo. 

Não é cabível dividir algumas cargas com quem não ter um coração pastoral, e ainda há os que têm coração pastoral e não lhes toca a responsabilidade de serem eles os pastores, diretamente, responsáveis por um rebanho.

O pastorado será solitário porque há coisas que Jesus quer tratar, pessoalmente, com cada um. O ministério pastoral é muito pessoal porque não deixa de ser a formação de Cristo, primeiramente em nós. 

E esta formação, de Cristo em nós, tem um toque de pessoalidade. Não é feito por atacado.

Outra razão porque o pastorado é solitário é porque muitos não conseguem acompanhar o nosso compasso. Podemos falar, podemos ter gente bem intencionada e com vontade, e até bons discípulos, entretanto, aquele passo a mais que precisamos dar, comumente, deixa-nos um pouco mais à frente. 

Este "mais à frente" coloca-nos numa posição de solidão, de quem está sozinho a sentir a dor desta particularidade poimênica.

O pastorado também é solitário porque haverá lutas íntimas, confissões que não devem ser feitas a qualquer um. Feliz daqueles que encontraram um amigo na caminhada, com quem partilham as suas profundas crises e até insanidades.

A história que Deus está a escrever na vida os dos outros, por hora, deixa-nos sozinhos. Há gente boa que se vai porque precisa ir. 

A solidão do pastor acontece, especialmente, quando ele está na reta final. Não será incomum serem abandonados, esquecidos, postos de lado e até negligenciados. 

E os motivos são, basicamente, a velhice, uma enfermidade, uma escolha errada etc. Não faltará motivos para terminarmos como Jesus e Paulo.

"9Vem ter comigo o mais depressa possível, 10pois Demas abandonou-me. Preferiu as coisas deste mundo e foi para Tessalónica. Crescente foi para a Galácia e Tito para a Dalmácia. 11Só Lucas é que ficou comigo. Traz contigo Marcos, que me é muito útil no cumprimento da minha missão. 12Tíquico mandei-o para Éfeso.13Quando vieres, traz-me a capa que deixei em Tróade em casa de Carpo. Traz também os manuscritos, sobretudo os que estão escritos em pele.14Alexandre, o latoeiro, fez-me muito mal. Que Deus o trate conforme merece. 15Tem cuidado com ele, pois levantou muitas dificuldades à minha pregação.16No meu primeiro julgamento ninguém me defendeu. Todos me abandonaram. Que Deus lhes perdoe. 17Mas o Senhor esteve comigo, deu-me forças e fez com que a boa nova que lhes anunciei desse muito fruto e que todos os não-judeus me escutassem. Assim fui salvo da boca do leão. 18O Senhor há de livrar-me de todo o mal e há de dar-me a salvação no seu reino celestial. A ele seja dada glória para todo sempre. Ámen." (2 Tm. 4)

Por fim, há uma principal razão porque o ministério pastoral é solitário e por vezes, muitas vezes, termina ainda mais solitário: é porque, nem que seja no fim, precisamos tocar na suficiência de Cristo. 

Estamos muito ocupados para desfrutar só de Jesus, para tê-lo como o mais importante da nossa vida e ministério. Fazemos tudo em Seu Nome e para Ele, entretanto, raramente Ele é suficiente porque conhecê-lo não é tudo o que queremos.

Até fazer o Seu Nome conhecido ganha maior importância. 

Ensinar aos outros a amá-lo torna parte importante do nosso ministério, quando nós mesmos estamos despidos deste abraço.

O nosso amor por Ele escapa por entre os dedos de mãos que estão ocupadas demais para o silêncio aos pés dEle. 

Amamos a Palavra que pregamos, não a Palavra em si mesma e para si mesma. Não sabemos amar a Palavra despretensiosamente. 

O tempo passa a correr enquanto corremos por todos, e todos um dia, estarão muito ocupados para estarem conosco. 

Eles também correrão de um lado para o outro e nós, já sem aquele vigor, vamos olhar os comboios de toda esta gente e pensar lá no íntimo: eu também estive lá.

Ali, sozinhos aos pés da cruz, vamos descobrir que não há solidão, há solitude, há Cristo em nós, a esperança da glória.

E só assim, viveremos plenamente o que tanto pregamos.

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