O ministério pastoral é muito pessoal e solitário porque não deixa de ser a formação de Cristo, primeiramente em nós. Uma formação que traz um toque de pessoalidade. Não é feito por atacado.
Outra razão porque o pastorado é solitário é porque muitos não conseguem acompanhar o nosso compasso. Infelizmente, alguns ficarão para trás.
Também há a história que Deus está a escrever na vida dos outros, que, por hora, deixa-nos sozinhos. Há gente boa que se vai porque precisa ir.
A solidão do pastor acontece, especialmente, quando ele está na reta final. Não será incomum serem abandonados, esquecidos, postos de lado e até negligenciados.
E os motivos são, basicamente, a velhice, uma enfermidade, uma escolha errada, ou o natural tempo de abrandar, de parar.
Não faltará motivos para terminarmos como Paulo. "11Só Lucas é que ficou comigo" (2 Tm. 4)
Entretanto, enxergaremos mais tarde que até os 'abandonos' são um convite para o principal.
Há uma PRINCIPAL RAZÃO porque o ministério pastoral é solitário e por vezes, muitas vezes, termina ainda mais solitário: é porque, nem que seja no fim, precisamos "tocar" na SUFICIÊNCIA de Cristo.
O nosso amor por Ele escapa por entre os dedos de mãos que estão ocupadas demais para o silêncio aos pés dEle.
Amamos a Palavra que pregamos, não a Palavra em si mesma e para si mesma. Não sabemos amar a Palavra despretensiosamente.
Todos vão seguir correndo de um lado para o outro e nós, já sem aquele vigor, vamos olhar os comboios de toda esta gente e pensar lá no íntimo: eu também estive lá.
Ali, sozinhos aos pés da cruz, vamos descobrir que não há solidão, há solitude, há Cristo em nós, a esperança da glória.
E só assim, viveremos plenamente o que pregamos: "conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus" (Fp. 3:12).
