Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



quarta-feira, 26 de junho de 2024

Líderes Sobreiros

Líderes robustos e de caráter indelével remetem-nos aos jequitibás, árvore que demora 50 anos para estar pronto para o corte em contraposição ao eucalipto que já está pronto com 5 anos. Gosto desta metáfora usada por Rubem Alves, quando fala da diferença de entre os educadores formados pela vida e os professores feitos em breves cursinhos de verão.  

Entretanto, estive em Coruche neste final de semana, a capital mundial da Cortiça, e pensei ser mais apropriado falar sobre o Sobreiro, a árvore de onde se extrai a cortiça. Alguns só conhecem a sua utilidade para as rolhas das garrafas de vinho, outros já a viram em sapatos e bolsas, e até em acústica que é o caso da igreja que pastoreio. 

O Sobreiro demora 25 anos para a “desboia” que é a primeira colheira, de sua casca grossa e esponjosa. O que se faz com um sobreiro depois de tira-lhe a casca grossa? Deixa-o descansar e trabalhar ao longo de 9 anos para a “secundeira”, e assim sucessivamente, até ao fim de sua vida útil que é em média de 150 a 200 anos, cerca de 15 colheitas de cortiça ao longo da vida.

O que seria então, um líder sobreiro?  

Ele não está pronto tão cedo, até porque, se for uma espécie de "bispo", é bom que “não seja neófito, a fim de que não caia em laços” (1 Tm. 3:6), os quais somente com tempo ele será capaz de ter casca suficiente para amortecer os ruídos da adversidade.  

Por que temos tantos pastores e líderes com “mil” lições do que não fariam outra vez? Será por que todo início inexperiente e prematuro provoca tantos erros e desencontros?

Criar casca é muito importante. O vento, a chuva e sol golpeam o sobreiro dia e noite. Assim, também Paulo orienta ao jovem pastor Timóteo, “sofre as aflições como bom soldado” (2 Tm. 2:3). Há coisas que temos de passar, é mesmo “ser sóbrio e suportar as aflições” (2 Tm. 4:5). 

O que fazer com toda a casca criada? Não é somente criar a casca, é criar uma casca flexível e útil, o que para tanto, é preciso despir-se dela, a fim de que haja renovação e oportunidade de um melhor servir. O que aliás, caracteriza um líder ensinável em todas as áreas da vida (1 Tm. 3:1-7).

O descortiçamento que acontece, praticamente a cada década, sugere-me algo. Gosto de pensar em ciclos. Mudança de lugar, de ministério, de ênfase, de posicionamento, de igreja, de relacionamentos, podem fazer muito bem a todos, depois de "quase uma década".

Aquela casca que criamos, que é tão útil para servir, que será entregue para abençoar, é para que venha um novo tempo, uma nova oportunidade ao próprio sobreiro, de melhor produzir. 

A rolha da garrafa, os quadros, os enfeites, os sapatos e as bolsas, ficam para contar e testemunhar a história do sobreiro, e ele ganha espaço para criar novas potencialidades.  

Enfim, oramos por líderes sobreiros, que não têm pressa de ver o processo natural de Deus, que não tombam diante das circunstâncias, que engrossam com flexibilidade, e servem de matéria-prima da obra que Deus está a fazer, em Cristo Jesus.

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quinta-feira, 25 de abril de 2024

Cola-cola, Religião e 25 de Abril

A censura foi a primeira grande concorrente da Coca-cola em Portugal. Aquela novidade gaseificada e doce, que já circulava nos cafés, foi tida com uma droga pelo governo de Salazar, que se utilizou da incrível frase de Fernando Pessoa para proibi-la. 

"Primeiro estranha-se, depois entranha-se". 

Assim, vivia Portugal com tantas proibições, o que só atrasou o desenvolvimento, até que eclodiu 25 de Abril de 1974. 

Penso que uma das problemáticas das proibições é que os ajuntamentos religiosos eram permitidos, o que gerou a mentalidade errônea de que "Deus e a Igreja" eram subprodutos da Ditadura. 

Sendo assim, infelizmente, há aqueles que se arrogam no direito de denunciar como radical e ultrapassado, os valores básicos da família, e alguns princípios que não deviam ser rejeitados, necessariamente, em nome de uma suposta liberdade.

A Revolução dos Cravos não significa "jogar fora a água suja com o bebê". Até para fazer Festa, nós precisamos saber que tipo de liberdade estamos a construir.

Enfim, a Cola-cola Portugal já entranhou. O que mais Portugal estranha, e que precisa entranhar? 


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terça-feira, 16 de abril de 2024

Habitar o tempo de espera

"Habitar o tempo de espera"

Gostei tanto desta expressão. Ouvi-a de uma worker de L'Abri, e passei a pensar...

Quem falou esta expressão, vive num contexto em que o ritmo de vida adequa-se, ou inspira-se, nas estações. As casas L'Abri trabalham com "termos" onde as estações são referenciadas.

Ouvir esta expressão: "habitar o tempo de espera", de quem trabalha naquele contexto, também é inspirador, porque eles têm uma prática de oração e dependência de Deus que, normalmente, não tomam decisões para ontem. Aliás, o mais natural é deixar para amanhã, a fim de que hajam confirmações.

Pensei mais...

"Habitar o tempo de espera" é diferente de só esperar, porque não há outra opção, como se fosse uma carga pesada e desnecessária. 

"Habitar o tempo de espera" é assumir que o outono nos prepara para o inverno, e a paz de que o inverno também tem o seu fim. 

"Habitar" este tempo difícil da espera, como um tempo importante e necessário, abre os nossos olhos para contemplar e depender dAquele que "muda os tempos e as estações" (Dn. 2:21-22).

Enfim, vamos entrar no processo da espera, como quem habita o lugar onde deve estar, o tempo que for preciso, na dependência do Senhor dos tempos. 


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terça-feira, 26 de março de 2024

A festa da ressurreição

A FESTA DA RESSURREIÇÃO 

Dias atrás, nos primeiros dias de Primavera aqui no "Velho Mundo", fui tratar a terra de um vaso que estava um pouco de canto, esquecido. Queria plantar novas plantas. Quando cheguei perto estava a rebentar uma planta que estava adormecida durante o inverno.

Foi assim com Jesus, ele estava adormecido, e no devido tempo rebentaria para a vida. 

"Virá um descendente do rei Davi, filho de Jessé, que será como um ramo que brota de um toco, como um broto que surge das raízes." (Is. 11:1)

Os horrores da sepultura não puderam contê-lo. 

Depois, da morte e do sábado fúnebre, aconteceu uma nova manhã. Jesus ressuscitou!

"Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento, os pães da sinceridade e da verdade." (1 Co. 5:8)

A maior manifestação, portanto, de nossa gratidão e alegria pela ressurreição, por uma fé que não é vã, é a demonstração com uma vida agradável ao Senhor. 

Celebremos a festa! Jesus ressuscitou!


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O silêncio do sábado

Há caminhadas que se tornam ainda mais pesadas, quando os ombros estão carregados de dúvidas e questionamentos, e os pés empoeirados pela desesperança. Elas carregam o nosso sábado fúnebre para o nosso domingo.

"Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para um povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém. No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia acontecido." (Lc. 24:13-14)

Jesus já havia ressuscitado e estes dois discípulos ainda estavam assombrados com os pavores da crucificação.

"Ele lhes perguntou: "Sobre o que vocês estão discutindo enquanto caminham? " Eles pararam, com os rostos entristecidos. Um deles, chamado Cleopas, perguntou-lhe: "Você é o único visitante em Jerusalém que não sabe das coisas que ali aconteceram nestes dias?" (Lc. 24:17,18)

Nós somos estes dois discípulos, entre as promessas e o "ainda não", quando o passado em nosso hoje tem mais peso que as perspectivas do amanhã. 

Será que vai acontecer o que Ele prometeu?

Por que devíamos descansar frente a tantos desafios? 

Como as ondas não agitariam a nossa paz? 

Os nossos dias ruins, a turbulência de nossas incertezas, não muda a presença dele. 

"Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles;" (Lc. 24:15)

E, é exatamente por isso que, o nosso Retiro Sepal será sobre Resiliência, porque cremos que Ele se aproxima de nós quando estamos nas caminhadas mais longas e desanimadoras. 

Sendo assim, vamos caminhar juntos e sentir a presença que cuida da nossa esperança. 


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A Páscoa aponta para a Cruz

A morte e o sangue, numa aparente contradição, trazem a vida. 

Não é assim, no parto? Não é assim com o grão de trigo que precisa morrer para germinar? Não é assim na Páscoa? 

A Páscoa do hebraico “Pessach” é a “passagem do anjo destruidor”, cuja fúria seria impedida com a “passagem do sangue” do cordeiro. 

O rito da Páscoa implicava na “morte do Cordeiro”, morte esta que acontece num contexto de libertação aos israelitas; por isso, Jesus é o nosso Cordeiro Pascal.

"Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado." (1 Co. 5:7)

A Páscoa, portanto, tem uma direta relação com a Cruz, porque ela é sinônimo de morte e de vida ao mesmo tempo. 

A morte que era nossa, foi assumida pelo único que podia trazer a vida por sua própria morte. 

"Ele vos concedeu a vida, estando vós mortos nas vossas transgressões e pecados," (Ef. 2:1)

Então, vamos celebrar a Jesus, o nosso Cordeiro Pascal, que fez germinar a sua vida em nós.


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