Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



terça-feira, 8 de junho de 2021

Meta-Narrativa

Qual é a história mais importante?

Qual a importância da nossa história diante da História maior? 

A particularidade de nossa história não está desconexa da História que Deus está a escrever, ainda que façamos tudo errado. 

A pena da escrita não sai da mão de Deus em momento algum. Quando tudo dá errado e/ou fazemos até mesmo contra a vontade de Deus, não muda em nada aquilo que Deus decidiu em Seu próprio conselho. 

"Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?" (Rm. 11.34)

Somos a obra-prima, então o Grande Artista precisa caprichosamente atender aos nossos desejos? De maneira alguma. 

Por que que os amigos/inimigos de Jó quando o foram visitar, tiveram uma postura de juiz? Eles colocaram Deus numa mini-caixa, a caixinha do toma-lá-dá-cá. 

Acontecimentos individuais não revelam com clareza a grande História, necessariamente. É confusão pura querer compreender algumas catástrofes, pandemias, desastres naturais, mortes repentinas e imprevistas.

Nada, nada, e tudo ao mesmo tempo pode servir a meta-narrativa. Soberanamente Deus está a desenrolar o livro. Não o livro do fatalismo onde nada podemos fazer. 

O livro que Ele escreve pode ter a nossa cooperação ou não. 

Não murmurar, submeter a Sua vontade, e nunca julgar porque acontece isto ou aquilo, é uma boa maneira de enxergar uma "pena" maior que a nossa própria. 

Um exemplo? A história pessoal de José do Egito. Não era uma história desconexa da Grande História. O caso de José é fácil de "linkar" porque o seu desfecho é conhecido de todos. 

E aqueles casos em que o silêncio de Deus fica no peito de quem daqueles que sofrem? Esses poderão prosseguir se desfrutam do Emanuel, a presença absoluta de Deus em meio a fragilidade humana. 

Tudo, tudo, tudo haverá "de fazer convergir em Cristo tudo quanto existe" (Ef. 1.10).

Talvez por isso mesmo haverá um Dia em que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fp. 2.10-11).

Instagram: @vacilius.lima

quarta-feira, 26 de maio de 2021

A Hospitalidade e o Evangelho no Cotidiano

A hospitalidade deveria ser parte de nosso dia a dia, pois nos permite vivenciar muito do que ouvimos e cantamos no Domingo. 

Aliás, deveria ser uma porta de continuidade de nossa liderança, que ora serve, ora desfruta do servir dos outros. 

"Servi uns aos outros..." (1 Pe. 4.10) é um daqueles mandamentos de mutualidade. O servir propõe ao outro desfrutar, assim tal como o outro também servirá ao desfrute daquele que serviu. 

Stephen Crawford, num artigo da CBMW.ORG fala sobre a tendência da descontinuidade entre um domingo e outro, durante a semana. Ele escreve:

"Como criamos um senso de continuidade entre os cultos dominicais e toda a vida cristã? Ou, dito de outra forma, como podemos lutar contra a sensação de descontinuidade que muitos adoradores de domingo sentem entre o que acontece nos santuários no Dia do Senhor e a "normalidade" do resto da semana? Como nós, como cristãos comuns, permitimos que o sagrado se espalhe para o dia a dia? Uma resposta está na maneira como vemos nossas casas e praticamos a hospitalidade. O ato de hospitalidade permite que a sacralidade da adoração cristã e a realidade da mensagem do evangelho se espalhem no dia a dia, e nos faz ver muitos dos deveres domésticos e da rotina como lugares onde a ética do reino de Deus realmente prevalece de nossos corações e vidas."

A expressão que gostava de pinçar é: "senso de continuidade". A hospitalidade une um domingo e outro. Ela traz a oportunidade do servir mais básico.

Jesus, o nosso Mestre, ao qual devemos ser moldados, lavou os pés dos discípulos (João 13.1-17). O ato de lavar os pés era um ato comumente usado numa atitude humilde em dizer: "És muito bem-vindo!" O "lavar os pés" contextualizado às nossas maneiras de melhor fazer, é um sinal contundente de hospitalidade. 

No preparo da casa, das refeições, do ambiente, sempre haverá um espírito de servo que não pode ser apenas de um. Toda a família que aprende a alegrar-se com a hospitalidade cresce em comunicação, partilha e servir mútuo. 

O servir não acontece sozinho. Ele vem com o fruto do Espírito. É uma rica oportunidade de partilhar o amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl. 5.22-23).

Aqueles que recebem as pessoas em casa sabem o quanto é um ambiente oportuno de cultivo do fruto do Espírito, pois há tensões e bênçãos prévias e posteriores, e quiçá haverá enquanto estamos a receber. 

Que tal "oportunizar" a sua casa, e a casa de outros com a sua visita, a bênção da continuidade não apenas do servir, mas também do desfrutar? 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Hospitalidade: Lugar de Cuidado e Cura!

A hospitalidade é, sem dúvida, um instrumento da Graça de Deus. Ela aspergi um bálsamo de renovo e cura.

Faz parte da hospitalidade uma boa refeição, feita com amor. Entretanto, é muito mais que comida e uma cama preparada. 

Faz parte da hospitalidade despir-se para ouvir - atentamente - o que o outro deseja dizer. E no falar há partilha, há derramamento, há confissão.

"Confessai as vossas fraquezas uns aos outros para serdes curados..." (Tiago 5.16)

Haveria melhor ambiente para a confissão e o abrir do coração que o aconchego da hospitalidade? 

É muitas vezes ao redor da mesa que as pessoas se desarmam e se derramam, e ainda se tornam vulneráveis. Uma vulnerabilidade positiva de ser que somos. 

Por que acontece assim? Porque um ambiente seguro e confiável promove partilha, e muitas vezes das mais profundas e intocáveis até então.

Quando os temores são partilhados, eles já não assustam tanto.

Quando as alegrias são celebradas, elas se multiplicam. 

Quando os pecados são confessados, eles não têm o mesmo peso.

Quando as desesperanças são divididas, vê-se a luz do amanhã.

Hospitalidade é mais que um prato, é mais uma cama. 

Hospitalidade é um bálsamo, é uma abraço na solidão, é um olhar de esperança, é uma oportunidade de sentir-se o centro de toda atenção. 

Não há mais ninguém além daquele que é recebido, e quem é recebido sente o quanto ele importa.

Importa muito a pessoa em si, independentemente das limitações e dificuldades que ela pode trazer.

Não poderia ser diferente? 

Infelizmente, até pode, se não temos as perspectivas e motivações corretas.

A perspectiva é servir da melhor maneira, a motivação é o que Deus está a fazer na vida de quem recebemos. 

Sendo assim, o bálsamo do cuidado e da cura andam juntos.

O que mais poderia ser bálsamo e cura para além da presença do Espírito Santo sendo ministrada? 

Dentre as várias visitas e atos de hospitalidade na Bíblia, podemos hoje mencionar quando Maria, mãe de Jesus, entra na casa de Zacarias e saúda Isabel. João Baptista saltou em seu ventre e ela foi cheia do Espírito Santo e alegria. A mesma alegria desfrutou Maria que entoou: "Minha engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador!" (Lc. 1.39-47)

A hospitalidade é uma bênção de mão dupla. A alegria no Espírito pode ser desfrutada tanto por aqueles que recebem como por aqueles que são recebidos. 

Abre as portas e deixe o bálsamo da alegria no Espírito ser derramado, ainda que num primeiro momento haja lágrimas. E permita-se ser recebido por outros também.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Hospitalidade Sutil e Nociva?

Hospitalidade é sinônimo de boa acolhida. É abraçar quem está de fora. Colocar para dentro e incluir no lar. É dizer: seja muito bem-vindo, e faz parte connosco.

Hospitalidade como acolhimento está relacionado com pessoas, por outro lado, podemos dar boa acolhida a coisas também. 

Boa acolhida a coisas boas como um bom livro, uma boa música e um bom filme. 

E a boa acolhida a coisas nocivas?

É sim muito perigoso acolher tudo que vem de fora. E a tecnologia traduzida em redes sociais, e sites disponíveis para o que desejarmos, comumente são acolhidos como parte de nosso lar. 

Avaliamos quem deixamos entrar? 

É também sutil e nocivo não apenas quem e o que deixamos entrar, mas também o quanto eles desagregam. 

Vários aparelhos ligados ao mesmo tempo. A privacidade é boa ao trabalho, aos estudos e ao lazer. Entretanto, devemos acolher a tecnologia como aliada da família e não como instrumento de desagregação.  

Faz parte da boa acolhida, de uma família que assume a bênção da Hospitalidade, preservar-se ao redor da mesa, com todos os aparelhos desligados, e distantes daquele tempo sagrado em família. Aliás, nem uma chamada telefónica é digna de interromper as conversas ao redor da mesa. 

A que distância o seu aparelho fica quando você está a partilhar a refeição com a família? 

A família que cultiva tempo ao redor da mesa, com boas conversas, todos desconectados, estão mais preparados para acolher outros, e consequentemente evitar o perigo da alienação como acolhida a tudo o que desagrega. 

Também não deveria haver a acolhida virtual-tecnológica quando estamos na cama. Aparelhos ligados não nos desliga. Provoca a dopamina, este neurotransmissor que produz uma sensação de prazer e que aumenta a motivação. As horas passam a voar e depois estamos cansados e com menos horas para dormir.

"O uso descontrolado da tecnologia causa prejuízos na vida das pessoas como um todo. Elas perdem o foco das coisas realmente importantes e têm uma qualidade das relações empobrecida. Isso é pouco percebido, principalmente por quem é viciado em jogos. A pessoa perde o foco, fica mais distraída, retém menos informações e tem uma diminuição da memória", observa Dora observa Dora Góes, psicóloga do Programa de Dependências Tecnológicas do IPQ (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas).

Tome a melhor decisão. Não acede nada quando na cama. Não dê boa acolhida as redes sociais. Antes, porém, cultive um tempo de solitude, de gratidão pelo dia, de intercessão. 

E faz de seu lar, um ambiente de hospitalidade, de boa acolhida a coisas boas de maneira a agregar. 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Hospitalidade com Trancas

É uma bênção ter as portas abertas? Sim, sim. É uma bênção, e também um perigo. Perigo? Por que uma bênção também seria um perigo? 

Seria o perigo em receber a visita errada? O perigo em recebermos alguém com carácter duvidoso? Pode até ser assim, este tipo de perigo. Entretanto, há um perigo ainda mais grave. O perigo de não termos o equilíbrio devido entre o convívio com os outros e o viver da família enquanto família.

Ouça o que Edith Schaeffer, esposa de Francis Schaeffer, fundadores de L'Abri - uma casa de hospitalidade, diz sobre hospitalidade:

"Uma família é uma porta com dobradiças e tranca. As dobradiças devem ser bem lubrificadas para abrir a porta nas horas certas; a tranca deve ser firme para que as pessoas saibam que a família precisa estar sozinha parte do tempo, apenas para ser família." (O que é uma Família?)

A família precisa estar sozinha apenas para ser família. O que é ser família? É ser quem somos, sem receios. É derramar-se em liberdade de brincar e sorrir, de sentir e chorar, de pecar os pecados mais básicos do relacionamento, se constranger e confessar com sinceridade, na esperança e no compromisso de que queremos ser melhores que somos. 

Precisamos ser família com privacidade e liberdade, e descobrir que devia fazer parte do ser família abrigar outras famílias.

Abrigar de portas abertas, sem o deslize em nunca fechá-la. 

Quantas visitas são-nos um bálsamo de alegria e cura, e quanto das nossas visitas recebem esta mesma bênção. Por outro lado, precisamos admitir que há trabalho envolvido neste processo. 

Trabalho e investimento provocam cansaço. O que não pode é provocar canseira. O cansaço é parte do trabalho. Então, se descansa e toca a andar. Já a canseira é o cansaço acumulado sem a bênção do descanso devido. 

A hospitalidade que não coloca limites recebe uma invasão que é nociva à qualidade da vida familiar. 

Hoje o convite é para abrirmos as portas com cuidado. Colocar limites a todo e a tudo que invade o tempo de qualidade de nossa família em sua particularidade.

Seja o hospitaleiro! Seja família "out" sem deixar de ser família para dentro.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Cuide-se! O Perigo do Burnout

"Você sabia que 75% dos pastores já tiveram pelo menos uma vez alguma crise importante relacionada a estresse?"

"E que 80% consideram que o ministério pastoral afeta suas famílias negativamente."

"E ainda, 33% dizem que estar no ministério é claramente um risco para as suas famílias."

"Uma das razões possíveis é que 80% dos pastores dizem que não passam tempo suficiente com a esposa." (Pastors at Greater Risk - Pastores em Risco de H. B. London Jr.)

Wayne Cordeiro partilha em seu livro "Andando com Tanque Vazio" que sofreu uma "Hemorragia Emocional". O que é isto? É quando a serotonina se exaure. Este hormônio que traz bem-estar e que se reabastece especialmente no descanso perde a força e dá lugar a adrenalina. E então, nas palavras de Wayne Cordeiro, acontece uma "fritura interior constante". 

Por que tudo isto acontece? Quais as possíveis razões? 

1. Acumulo de anos seguidos de uma agenda insensível para o descanso intencional. 

2. Ausência de tempo desligado de tudo com a família, ao redor da mesa, sem tecnologia, sem atender chamadas, sem olhar mensagens.

3. Falta de um dia de descanso semanal e férias anuais. 

4. Descuido com o próprio corpo, tanto em exercícios físicos como em alimentação. Aliás, algumas vezes a alimentação torna-se a grande fonte de serotonina, o que não é saudável. 

5. Não seriedade com a vida relacional amorosa. Relacionamento íntimo no automático, apenas como um escape superficial e que não comunica todas as afeições necessárias.

6. Acesso a conteúdos apenas para responder as demandas de trabalho sem o cultivo prazeroso de uma leitura livre. 

7. Suposição enganosa de que todas os desafios, oportunidades e necessidades precisam ser atendidas como prioridades, e cair assim na tirania do urgente.

Não acha que um estilo de vida assim é prejudicial? Veja se está dentro destes sinais de advertência partilhados por Wayne Cordeiro:

1. Sensação de desesperança; 2. Lágrimas frequentes; 3. Dificuldade para se concentrar; 4. Dificuldade para tomar decisões; 5. Irritabilidade; 6. Insônia; 7. Níveis de atividades menores; 8. Sentimento de solidão; 9. Falta de atração conjugal; 10. Distúrbios alimentares; 11. Dores.

E agora? O que fazer? Qual o caminho da restauração? Como não adoecer? Como evitar o burnout? 

O primeiro e grande passo é re-pensar a si mesmo à luz de nosso Modelo-Jesus. Ele ocupava-se com os discípulos e o ministério, mas sempre numa perspectiva relacional. E dentro ainda do relacional Ele fazia as suas retiradas para estar sozinho e também com o Pai.

Por que a vida com ênfase em relacionamento é mais saudável? Porque ela não anda no ritmo do mercado, do consumismo e do marketing. Ir na contramão significa conectar-se às pessoas, a Deus e a si mesmo. 

É o cultivo da contemplação. É intencionalmente retirar-se. Ter um tempo de solitude. Tempo de não somente falar com Deus, mas de ouvir o pulsar do próprio coração. Tempo de ouvir Deus na natureza, na beleza das coisas criadas, no cantar do pássaro, na exuberância de uma flor, ou simplesmente em sua fragilidade. 

Jesus não falou para olharmos o lírios do campo?

Também é um tempo de descanso. Abrir-se para uma soneca sem compromisso. Permitir-se parar. 

Talvez seja tempo, e de tempo em tempo, precisamos parar de falar sobre o cuidado de Deus, e passar a experimentá-lo em nossa particularidade. 

Nós precisamos de Deus, e Ele sabe que precisamos de pessoas, e também sabe que precisamos de nós mesmos. 

Qual será o seu próximo passo? Como pode recomeçar, ainda hoje?

Instagram: @vacilius.lima