Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



terça-feira, 8 de outubro de 2024

Interessa a quem interessar, meu Sampa!

Nasci no bairro da Mooca e vivi em Jaçanã. Meus pais vieram da Bahia e Minas Gerais, e contribuíram para a grandeza de São Paulo.

Aliás, a grande Sampa é tudo de bom, de todos os lugares de onde viemos. 

O que não aprecio, e é contrário ao caráter da grande São Paulo, do bom paulistano, é dar oportunidade a um candidato que não tem historial como trabalhador. O trabalho é a alma paulistana!

Também lamento que a censura chegou nas disputas eleitorais da nossa Sampa. O povo merecia um processo limpo e democrático, sem conluios partidaristas.

Trago tantas reservas com a pegada coaching, entretanto, quando olhamos família, trabalho, conquista, valores, tivemos uma opção, no mínimo, decente. 

Só não me espanto, porque não é de hoje que o povo, insanamente, escolhe a Barrabás, e a sua escolha, paradoxalmente, pode contribuir para os propósitos que só o Soberano conhece.

A nossa Sampa que é uma referência para o Brasil e o mundo, em muitas coisas, e a sua história e calibre requeriam algo melhor, ainda que fosse o menos pior. 

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#pablomarçal #prefeituradesãopaulo #eleições2024 

terça-feira, 3 de setembro de 2024

O BRASIL PIOROU?

Sou brasileiro e amo a minha pátria. Sinto-me muito bem, sinto-me em casa, mesmo em meio ao caótico quadro que encontrei depois de alguns anos. Foi diferente estar no Brasil com a família toda.

Por que o Brasil piorou? 
Não é por causa da poluição visual. Até porque há lugares lindos e outros melhorados.

Por que o Brasil piorou?
Não é por conta da poluição sonora, pois sempre os brasileiros decentes sofreram o desrespeito do som pesado nas madrugadas. Vizinhos que não respeitam nem os idosos nem as crianças não são novidades.

Por que o Brasil piorou? 
O Brasil piorou, porque a falta de noção do desrespeito aumentou. Músicas com letras agressivas, explícitas sexualmente, ouvi-as a tocar numa loja que por norma tinha uma tradição de família no país. A moral tem sido diluída.

O Brasil piorou, porque aumenta o número de crianças "abandonadas" e terceirizadas por não terem uma referência moral dentro de casa. 

O Brasil piorou, porque cresceu a criminalidade. Ninguém sai de casa sem acionar, no automático, aquele "modo-alerta" que esconde o medo de que lhe aconteça o que aconteceu a algum conhecido.

Sinto muito pelo meus patrícios, povo amado e querido, porque um Brasil tão lindo está sendo "enfeiado", porque um povo tão alegre anda mais preocupado.

A boa sorte, entretanto, é que as suas belezas e sabores trazem um pitada de que ainda vale a pena. 

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quarta-feira, 21 de agosto de 2024

O Reino de Deus é um Reino de Amigos - Hans Burky

Concordo com este antigo pregador menonita, Hans Burky. Tenho descoberto na prática que não dá para celebrar o Reino de Deus sem amigos. 

Embora, o Reino de Deus não seja comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm. 14.17), os amigos se encontram para comer e beber juntos.

O próprio Jesus chamou o seus discípulos de amigos (Jo. 15:15), e com eles sempre estavam ao redor da mesa.

O diferencial dos amigos do Reino é não fazem da comida o centro de suas vidas. Eles são motivados pela justiça que pregam, pela paz que desfrutam e pela alegria que celebram.

Assim, tem sido a nossa passagem pelo Brasil, um reencontro de amigos. Sinto pelos que não pude reencontrar ainda, agradeço por aqueles que posso abraçar.


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quarta-feira, 26 de junho de 2024

Líderes Sobreiros

Líderes robustos e de caráter indelével remetem-nos aos jequitibás, árvore que demora 50 anos para estar pronto para o corte em contraposição ao eucalipto que já está pronto com 5 anos. Gosto desta metáfora usada por Rubem Alves, quando fala da diferença de entre os educadores formados pela vida e os professores feitos em breves cursinhos de verão.  

Entretanto, estive em Coruche neste final de semana, a capital mundial da Cortiça, e pensei ser mais apropriado falar sobre o Sobreiro, a árvore de onde se extrai a cortiça. Alguns só conhecem a sua utilidade para as rolhas das garrafas de vinho, outros já a viram em sapatos e bolsas, e até em acústica que é o caso da igreja que pastoreio. 

O Sobreiro demora 25 anos para a “desboia” que é a primeira colheira, de sua casca grossa e esponjosa. O que se faz com um sobreiro depois de tira-lhe a casca grossa? Deixa-o descansar e trabalhar ao longo de 9 anos para a “secundeira”, e assim sucessivamente, até ao fim de sua vida útil que é em média de 150 a 200 anos, cerca de 15 colheitas de cortiça ao longo da vida.

O que seria então, um líder sobreiro?  

Ele não está pronto tão cedo, até porque, se for uma espécie de "bispo", é bom que “não seja neófito, a fim de que não caia em laços” (1 Tm. 3:6), os quais somente com tempo ele será capaz de ter casca suficiente para amortecer os ruídos da adversidade.  

Por que temos tantos pastores e líderes com “mil” lições do que não fariam outra vez? Será por que todo início inexperiente e prematuro provoca tantos erros e desencontros?

Criar casca é muito importante. O vento, a chuva e sol golpeam o sobreiro dia e noite. Assim, também Paulo orienta ao jovem pastor Timóteo, “sofre as aflições como bom soldado” (2 Tm. 2:3). Há coisas que temos de passar, é mesmo “ser sóbrio e suportar as aflições” (2 Tm. 4:5). 

O que fazer com toda a casca criada? Não é somente criar a casca, é criar uma casca flexível e útil, o que para tanto, é preciso despir-se dela, a fim de que haja renovação e oportunidade de um melhor servir. O que aliás, caracteriza um líder ensinável em todas as áreas da vida (1 Tm. 3:1-7).

O descortiçamento que acontece, praticamente a cada década, sugere-me algo. Gosto de pensar em ciclos. Mudança de lugar, de ministério, de ênfase, de posicionamento, de igreja, de relacionamentos, podem fazer muito bem a todos, depois de "quase uma década".

Aquela casca que criamos, que é tão útil para servir, que será entregue para abençoar, é para que venha um novo tempo, uma nova oportunidade ao próprio sobreiro, de melhor produzir. 

A rolha da garrafa, os quadros, os enfeites, os sapatos e as bolsas, ficam para contar e testemunhar a história do sobreiro, e ele ganha espaço para criar novas potencialidades.  

Enfim, oramos por líderes sobreiros, que não têm pressa de ver o processo natural de Deus, que não tombam diante das circunstâncias, que engrossam com flexibilidade, e servem de matéria-prima da obra que Deus está a fazer, em Cristo Jesus.

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quinta-feira, 25 de abril de 2024

Cola-cola, Religião e 25 de Abril

A censura foi a primeira grande concorrente da Coca-cola em Portugal. Aquela novidade gaseificada e doce, que já circulava nos cafés, foi tida com uma droga pelo governo de Salazar, que se utilizou da incrível frase de Fernando Pessoa para proibi-la. 

"Primeiro estranha-se, depois entranha-se". 

Assim, vivia Portugal com tantas proibições, o que só atrasou o desenvolvimento, até que eclodiu 25 de Abril de 1974. 

Penso que uma das problemáticas das proibições é que os ajuntamentos religiosos eram permitidos, o que gerou a mentalidade errônea de que "Deus e a Igreja" eram subprodutos da Ditadura. 

Sendo assim, infelizmente, há aqueles que se arrogam no direito de denunciar como radical e ultrapassado, os valores básicos da família, e alguns princípios que não deviam ser rejeitados, necessariamente, em nome de uma suposta liberdade.

A Revolução dos Cravos não significa "jogar fora a água suja com o bebê". Até para fazer Festa, nós precisamos saber que tipo de liberdade estamos a construir.

Enfim, a Cola-cola Portugal já entranhou. O que mais Portugal estranha, e que precisa entranhar? 


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terça-feira, 16 de abril de 2024

Habitar o tempo de espera

"Habitar o tempo de espera"

Gostei tanto desta expressão. Ouvi-a de uma worker de L'Abri, e passei a pensar...

Quem falou esta expressão, vive num contexto em que o ritmo de vida adequa-se, ou inspira-se, nas estações. As casas L'Abri trabalham com "termos" onde as estações são referenciadas.

Ouvir esta expressão: "habitar o tempo de espera", de quem trabalha naquele contexto, também é inspirador, porque eles têm uma prática de oração e dependência de Deus que, normalmente, não tomam decisões para ontem. Aliás, o mais natural é deixar para amanhã, a fim de que hajam confirmações.

Pensei mais...

"Habitar o tempo de espera" é diferente de só esperar, porque não há outra opção, como se fosse uma carga pesada e desnecessária. 

"Habitar o tempo de espera" é assumir que o outono nos prepara para o inverno, e a paz de que o inverno também tem o seu fim. 

"Habitar" este tempo difícil da espera, como um tempo importante e necessário, abre os nossos olhos para contemplar e depender dAquele que "muda os tempos e as estações" (Dn. 2:21-22).

Enfim, vamos entrar no processo da espera, como quem habita o lugar onde deve estar, o tempo que for preciso, na dependência do Senhor dos tempos. 


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