Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Quando estamos muito sensíveis...

Sensibilidade à flor da pele? Pode não ser no sentido de irritabilidade.

A sensibilidade costuma brotar de situações indesejáveis. Sabe aquele desconforto com o que estamos a viver no momento? Pode ser algo sobre a nossa saúde, a vida financeira, os relacionamentos etc. 

Há dias que estamos mais sensíveis. Precisamos cuidar, vigiar, olhar acima das circunstâncias porque a tendência é ressaltarmos a nossa impotência.

A sensibilidade à flor da pela é terreno fértil para as comparações, e se entramos por aí vamos enxergar muitas injustiças. Elas existem, entretanto, quando alimentamos estas comparações tendemos criar ambiente para a inveja, o ciúmes, a revolta e até a vingança.

Esta sensibilidade toda tem razão de ser, não é estúpida. Aliás, não há sentimento estúpido. Pode até haver perspectivas estúpidas, mas sentimentos são sentimentos. 

Todo sentimento é sentimento que existe e só por existir precisar ser respeitado e considerado.

Fraqueza? Revolta? Impotência? Injustiça? Perda? Falta de direção? Confusão? Desânimo? 

O caminho não é a rejeição dos nossos sentimentos. O melhor caminho é assumi-los como parte de nós e tratá-los com honesta confissão: "O meu sentimento é..." 

E, depois, vamos buscar conversas, reflexões, textos, palavras, pessoas, experiências que nos ajudem a abrir os nossos olhos para outros sentimentos. 

Por exemplo, se estou honestamente com raiva da maneira como o meu vizinho faz descaso de meu filho, eu preciso criar oportunidades para relacionamentos mais saudáveis para ele, e isto pode demandar mais esforço e atenção da minha parte, ou quem sabe ser eu mesmo parte desta resposta de oração que visa promover boas experiências para o meu filho. 

E se a questão for financeira? Posso trabalhar agora? Mudar de emprego? As portas estão fechadas? 

Então, primeiro desviar os meus olhos de comparações. Em segundo lugar, eu precisaria ser grato pelo sustento que tenho tido até aqui. O terceiro passo, conforme as necessidades exigirem, ser humilde para pedir socorro e ver nisto a boa mão do Senhor; pois, quem já socorreu pode precisar e quem já precisou pode socorrer.

Há ainda questões que nos podem fugir, completamente, como os casos de saúde sem garantia de cura. O que fazer? O que tenho a falar sobre isto é o que vejo em alguns amigos que passam por um processo de quimioterapia. 

É uma luta diária. Eles agradecem tudo o que tem vivido e já viveram, celebram a vida hoje, renovam a esperança no Único que pode tudo, e ainda confiam no amor leal de Deus independentemente das circunstâncias.

Quais são os seus sentimentos hoje? 

Que tal se abrir com alguém? 

Enfim, vamos "confessar as nossas fraquezas uns aos outros para sermos curados" (Tg. 5:16)

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domingo, 27 de agosto de 2023

A Bênção do Contentamento

Hoje num café com a Mara falávamos sobre as tantas oportunidades que já desfrutamos juntos. Dentre outras bênçãos recordamos a nossa viagem a Romênia, onde nasceu o seu avó Paulo. 

Ela disse-me: "Sinto que tudo que desfrutamos não merecíamos e que nada a mais tem de acontecer, necessariamente".

E eu pontuei: "A sensação é de plenitude. Nada precisa acontecer, entretanto, tudo o que vier é lucro, bônus acrescido". 

Seria este um incentivo ao comodismo? De maneira nenhuma, antes é a gratidão plena no Deus de toda dádiva, que não tem de fazer nada e o faz abundantemente mais do que tudo o que pensamos ou pedimos. 

O contentamento é a satisfação de plenitude que - contraditoriamente - não paralisa nem castra os sonhos. 

A bênção do contentamento é a gratidão humilde de que tudo é uma graça e que por mais que façamos, no final nada depende de nós, inclusivamente, o sustento básico pelo qual lutamos.

"Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes." (1 Timóteo 6:6-8)

E assim, acrescentamos uma pitada de piedade ao contentamento.

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sábado, 19 de agosto de 2023

A UNIDADE da Igreja Evangélica em Portugal

O que dizer da unidade do Corpo de Cristo em Portugal? O Corpo de Cristo cuja visibilidade encontramos na igreja local.

Antes de tudo, precisamos considerar que pelo Espírito Santo há "diversidade de dons, ministérios, atuações e manifestações": 

"Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus que efetua tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum." (1 Co. 12:4-7)

Temos nós todos os mesmos dons? 

Servimos todos em ministérios iguais? 

Compreendemos todos a diversidade dos caminhos da multiforme graça de Deus? 

Gerimos nós as manifestações do Espírito Santo? 

Tendo hoje este temor e tremor, penso que devíamos cuidar com julgamentos temerários. 

O que cabe a nós ponderarmos é o que é palpável ao mínimo de bom senso. 

E não é de bom senso a maneira descabida como alguns brasileiros invadem Portugal num "modus operandi" in(consciente) de inverter a colonização, agora evangélica, como se os brasileiros fossem os donos da terra e das verdades da fé. 

Aliás, nós os que viemos de outras terras, devíamos ter "olhos de ver" e "ouvidos de ouvir" de quem cá vive porque se assim não for, ainda que tenhamos bons caminhos, não sabemos as maneiras e os modos que caibam nestas terras.

Não adianta a mensagem certa dita de maneira descontextualizada, salvo se não queremos alcançar os portugueses, o que não faz o mínimo sentido.

Rechaçamos movimentos unilaterais que não conversam com quem sofre as agruras próprias da terra há algum tempo, e acabam por atropelarem os valores culturais na ilusão de que estão a fazer missões transculturais.

E lado de cá? Há alguns que não se abrem a nada novo que o Senhor da Igreja pode estar a trazer? Falam em nome de Jesus, entretanto, se esquecem de que ele, a Cabeça do Corpo, prometeu: "edificarei a minha igreja" (Mt. 16:18), e que Ele, por vezes, toma caminhos que são mais elevados que os nossos.

Ah, se não ficaremos surpresos quando a Noiva estiver, plenamente, ataviada para as Bodas do Cordeiro.

A respeito de uma outra denominação, bem disse Marcelo Ferreira, missionário da Sepal em Viana do Castelo, que decidiu lavar os pés a um líder português: "Há um certo preciosismo com as doutrinas denominacionais que leva a um receio exacerbado com tudo o que não está no enquadramento".

E assim podemos estar a jogar a criança junto com a água suja.

Há ainda um terceiro grupo, daqueles que são levados de um lado para o outro, por qualquer vento de doutrina, e que nunca acharão descanso. Sobre eles nada temos a dizer, antes alertamos aos que os perdem para que não chorem por este tipo de leite derramado.

Enfim, é altura de abraçarmos, de discernirmos, de andarmos a segunda milha e tomarmos medidas cautelosas no temor do Senhor.

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terça-feira, 1 de agosto de 2023

Eu assisti Barbie

Vi uma mulher levar a bandeja do café para servir o seu homem, e foi exatamente o que eu havia feito por minhas meninas. Realidade que vejo todos os dias. E na minha última viagem foi o que vi no aeroporto, uma mulher a tirar as malas da esteira enquanto o seu homem contemplava sei lá o que. 

O filme denuncia insensibilidades deste tipo, as quais estão escondidas num distorcido patriarcado. Não vi como crítica a liderança masculina, antes o vi como denuncia ao machismo mais primitivo embrenhando em homens másculos, executivos de sucesso, ou simplesmente naqueles "zés" que não sabem a que vieram e fazem da mulher um instrumento dos seus interesses. 

Se eu fosse definir o atual filme Barbie em duas palavras, elas seriam: "desconstrução e identidade". 

Diferente do que alguns acham o filme serve de ponto de partida para uma boa discussão sobre os múltiplos papéis da mulher e, inclusivamente, sobre o seu papel no lar. 

Não precisamos dizer que há uma relativização quando nivela o papel do lar a todos os outros papéis, uma vez que sabemos, biblicamente, ser o lar a primazia. Entretanto, não vamos entrar por aqui porque também teríamos muito a dizer que esta primazia do lar também mexeria com os homens. 

Gostei também das reflexões em torno da identidade no que tange a fugir de autodefinições a partir de estereótipos. 

Enfim, o filme Barbie pode servir de pano de fundo para boas discussões bíblicas sobre o papel do homem e da mulher, sobre crise de identidade e a importância de desconstruir paradigmas e tradições forjadas, historicamente, por uma cultura machista. 

Quem não assistiu faz bem se assistir.

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Simplicidade

A simplicidade não é sinônimo de pobreza, nem de ignorância cultural. A simplicidade é a bênção de ter, todos os recursos possíveis, todos os acessos, muitas conquistas, e ainda assim ter um espírito humilde. 

É ter como se não tivesse, é ser como se não fosse. Enfim, é a arte de valorizar a vida e as pessoas acima dos próprios bens e conquistas.

A simplicidade também não é uma falsa humildade. Aparentar-se humilde como estratégia para ser visto e elogiado. Isto seria a pior maneira de ostentar o que se tem. 

A ostentação, diga-se de passagem, sendo ela oposta da falsa humildade, ela é o falso poder. Por quê? Porque ainda que a pessoa tenha e seja tudo o que demonstra, a motivação dela está na estética, no aparecer. 

E se a pessoa aparece, mas não tem como motivação aparecer, ela só quer celebrar, curtir, aproveitar a vida? 

Neste caso ela correrá o risco de ser julgada, no entanto, se tiver uma motivação pura, respeito, cuidado para não constranger, ela acabará por "cair" na bênção da simplicidade.

Enfim, a base para uma vida simples é "tendo o que comer e o que vestir, estejamos com isto satisfeitos" (1 Tm. 6:8), o que passar daí é lucro para ser celebrado e partilhado. 

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terça-feira, 25 de julho de 2023

Missões e Turismo

Os Frades Menores, da Ordem Franciscana, inspirados em Jesus, fizeram o voto de pobreza, o qual constituía em dependência total do Pai para as suas provisões. 

Os Franciscanos passaram a ser referência de vida modesta, e ainda sinônimo de abnegação e devoção missionária.  

Não é este o olhar de alguns para com os missionários? Quanto mais "coitadinhos" mais transmitem a seriedade digna das missões.

O outro lado da moeda, são aqueles que foram para o outro extremo do pêndulo. Talvez já tenho visto abusos desnecessários e tomaram o caminho da ostentação, onde os missionários precisam ter tudo de bom e do melhor sempre. 

Vamos fugir desta cosmovisão pendular? Vamos buscar o ponto de equilíbrio? 

"Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, sem bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece." (Fp. 4:12-13)

Precisamos discernir entre os missionários e os "missioristas". 

Não vamos perder tempo a falar dos "missioristas" cujo motivação número 1 é a de promover a si mesmo e buscar o próprio bem. Aliás, a agenda deles submete o ministério aos interesses pessoais. Eles também poderiam ser chamados de mercenários e lobos vestidos de ovelha. 

Vamos falar de gente séria, que está no campo missionário a fazer um bom trabalho com a motivação correta e aproveita as oportunidades, todas as oportunidades. 

Por que um missionário deve aproveitar as todas as oportunidades, inclusivamente turísticas? 

1) Faz parte do pregar o Evangelho também o viver o Evangelho. O que é viver o Evangelho? Inclui tempo de descanso, tempo em família, tempo de contemplação da Criação, tempo de admirar os feitos humanos como expressão da criatividade divina. Enfim, tempo de desfrutar da vida em sua totalidade;

2) Viver num outro país sem explorar todas as suas realidades empobrece a visão sobre o mesmo. As oportunidades turísticas comunicam muito da cultura local;

3) As realidades mais duras e mais difíceis já virão naturalmente, como parte da realidade missionária, então, abrir espaço para o belo e para as experiências de contemplação têm o poder de trazer um renovo necessário; 

4) A saudade, a falta da família, precisam ser compensados como caminho de cuidar do coração, então, passear com a família ajuda neste processo; 

5) As pessoas que conhecem de maneira direta uma família missionária, que participa com ela e a ama, terá alegria em ver que estão a desfrutar de certas oportunidades. Já recebemos algumas vezes, ofertas específicas para fazermos férias. Isto não viria de quem não anda junto e não acredita em nós;

6) Também seria uso negligente dos recursos estar num lugar para pregar, para evangelizar, para viver, e não ter a sensibilidade de abrir espaço para uma caminhada na praia, uma entrada num Castelo ou provar um prato diferente. Tudo isto é uma expressão da graça de Deus;

7) A propósito, o Evangelho da Graça, nas palavras do próprio Cristo, afirma que nesta vida receberíamos uma recompensa considerável, de 100 vezes mais, e sabemos que tais oportunidades é cumprimento destas palavras (Mc. 10:30). 

Cá entre nós. Aqueles que mais criticam e não entendem não são, justamente, os que não investem em missões? 

Então, quais os cuidados que os missionários precisam ter? 

1) Não submeter a agenda ministerial frente as oportunidades turísticas. Não é o turismo que deve ditar o ritmo do ministério. Dizer sim ou não com motivação turística seria fazer mal uso do servir;

2) Fazer o ministério como prioridade e aproveitar as oportunidades ao redor. A exemplo, em nosso último Retiro Sepal de Missionários Transculturais em Málaga, fizemos questão de entrar nas águas quentes do Mediterrâneo, que ligeiramente lembra o Brasil, e no retorno visitamos Huelva onde estão as caravelas que descobriram a América. Tocamos na História que já havíamos lido;

3) Não podemos postar todas as oportunidades porque nem todos compreendem. Não sou a favor de que devemos dar uma de "franciscanos", só na aparência. Acho que podemos partilhar sim, nem sempre e nem tudo.

4) Não podemos alimentar esta distorção de que os missionários nada podem;

5) Agradecer abertamente a graça de Deus manifesta através das ofertas que contemplam as oportunidades de Férias; especialmente, quando alguém vem nos visitar e oferece a bênção de turistarmos juntos. 

6) Promover e planejar oportunidades para a família como uma prioridade. Todas as famílias devem considerar o descanso em algum lugar diferente e a família missionária também;

7) Aproveitar as oportunidades baratas, e tantas oportunidades que nada se gasta para desfrutar como ir a praia tão perto de casa. Também os Museus e Castelos estão com entrada livre aos residentes aos domingos, então aproveitamos estas oportunidades.

Enfim, espero de todo coração que todas as famílias missionárias e missionários espalhados por este mundão de Deus, trabalhem duro e não percam as oportunidades de celebrar a vida de Deus em suas múltiplas formas.

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