Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



terça-feira, 4 de outubro de 2022

Não somos Alice nem Peter Pan, somos nordestinos!

O Brasil cresceu e muito devemos aos nordestinos. Eles não só construíram todo o país, mas são diferenciados de qualidade e criatividade em tudo o que fazem.

Por quê? Ora essa! Porque são determinados e profundamente entregues e comprometidos com o que assumem.

Dizem que não são gratos. São sim, senhor! Tanto é que alguns ainda votam por gratidão ao que no passado lhes foi dado.

Também são espertos, são gaiatos, não são bicho-do-mato como pesam, pejorativamente, alguns.

Qual a minha esperança? 

Que eles, tal como meu pai, BAIANO, que sempre viu Lula como sindicalista à porta da Volkswagen, no ABC Paulista, assumam que ser contra o "bom-velhinho Peter Pan" é fundamental para a Segurança e o futuro dos seus queridos.

Ganhamos hoje um incentivo a mais, sendo minha mãe MINEIRA lá do interior, de Goiabeira. O Governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, declarou abertamente que o Governo do Lula deixou um rastro de destruição em Minas Gerais.

Não precisamos voltar a ser a Terra do Nunca, onde se roubava para dar um pouco aos pobres e muito aos ricos.

Nem precisamos ficar iludidos com as promessas ludibriantes e rasas de quem fantasia um País de Maravilhas que nunca existiu naqueles 16 anos de engano. 

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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Os negócios desta vida e o pastor

"Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra." (2 Tm. 2.4)

O que são os negócios desta vida? 

Os negócios desta vida são as coisas próprias da vida civil, do cidadão comum. 

Então, os negócios desta vida estão relacionados com moradia, educação, bem-estar e trabalho? 

Como um pastor, um missionário,vão fugir disto?

Estaria Paulo a privar ao seu pupilo Timóteo de que constituísse família e vivesse uma vida normal? 

Vivia Paulo nesta suposta anormalidade? 

Um duplo não ressoa nas Cartas Pastorais. 

Paulo aos pastores Timóteo e Tito recomenda que se envolvam com os negócios desta vida de maneira categórica. Contradição?

A referência que pode englobar muitas outras é: "Que governe bem a sua própria casa..." (1 Tm. 3:5)

Governar a casa é uma temática que passa, necessariamente, pela basicalidade do dinheiro, do tempo, da corpo e da cultura.

Por que mexer com a administração financeira, da agenda, da saúde e da educação? 

Porque são as coisas que mais ocupam as nossas emoções, atenção e foco. Afinal, são elas itens básicos para um cidadão comum.

Como "fazer dinheiro" e como gastá-lo. Comer o mais saudável possível. Ter tempo de qualidade em família o que inclui lazer, tempo ao redor da mesa e, ainda que de maneira frugal, boas refeições.

O que mais? Investimentos. Quantos pastores terminam o seu ministério de maneira muito triste porque envelheceu e já não serve mais. Daí, vive da ajuda de outros, às vezes se torna um peso para a família porque estava tão comprometido com o ministério que não podia se envolver com as coisas desta vida.

A experiência do próprio Paulo como "fazedor de tendas" já seria suficiente para não entendermos que o não envolvimento com os negócios desta vida não está relacionada com os negócios em si, mas sim com a motivação e a sua legitimidade.

Por motivação é só perguntar "Por que vou investir nisto?" E se a resposta for o bem estar da família já seria nobre para começar a considerar.

E por legitimidade é a capacidade de discernir as implicações que envolvem aquele comprometimento. 

Quanto tempo? Onde? Com quem? É justo? É de boa fama? É um desafio que posso levar por quanto tempo? É um socorro presente na angústia? Por que poderia ser uma armadilha? De que forma podia somar com o ministério? 

E se formos mais honestos com o texto, leríamos o versículo anterior: "Suporte comigo os sofrimentos, como bom soldado de Cristo." (2 Tm. 2:3)

A legitimidade, antes de tudo, está relacionada com o sofrimentos a favor do Evangelho. 

As angústias do Evangelho devem ser as minhas, e quantas vezes, estar fora do contexto eclesiástico integral é uma oportunidade de ver estampado as razões porque Cristo sofreu. 

Enfim, é todo investimento e renúncia que contribui com o Evangelho.

Então, "Business as Mission" é mais que bem-vindo, não apenas em países em que trabalhar é obrigatório.

Cada vez mais, o campo missionário precisa de gente que trabalha fora porque em algumas realidades somente assim poderão testemunhar de sua fé de maneira a serem ouvidos, porque antes de ouvirem, viram-no a viver.

Aliás, diga-se de passagem que a ocupação com uma atividade paralela pode ser uma das poucas oportunidades de humanizar um pastor, onde ele será chamado pelo nome, e será tido como um "sujeito normal", gente como toda gente.

@vacilius.lima
Professor, diga-se de passagem

quinta-feira, 24 de março de 2022

Ao redor da mesa começa e termina uma caminhada

Caminhar com tranquilidade, sem presa, provoca em nós contemplação e a bênção de baixarmos a guarda.

"Baixar a guarda" não é vulnerabilidade? Sim. E quem disse que a vulnerabilidade é negativa? 

A vulnerabilidade faz com que estejamos abertos a uma abordagem diferente.

A vulnerabilidade faz com que estejamos abertos a reconhecer as nossas limitações e fraquezas.

Se vamos para um encontro assim, relaxados, diminuem os nossos preconceitos.

Então, depois de uma caminhada sentamos ao redor da mesa vulneráveis a partilhar, a ouvir, a considerar, a cuidar e a ser cuidado.

E se não houver a caminhada prévia? Não há problema porque a mesa tem um poder semelhante.

Aliás, a nossa proposta é o que acontece "ao redor da mesa", onde somos cuidados e também onde podemos cuidar. Cuidar não de nós mesmos, num instinto de sobrevivência, mas cuidar dos outros numa entrega de servos.

O autocuidado bem como o cuidado mútuo florescem ao redor da mesa.

Ao redor da mesa somos iguais porque, num primeiro momento, a conexão é o que está posto sobre a mesa. A comida é o interesse comum.

Há um esvaziamento de nós mesmos. Estamos unidos em torno dos mesmos sabores, e então comentamos ou, simplesmente, expressamos a respeito. 

Isto também nos desarma, e mais uma vez a bênção da vulnerabilidade para que alguém nos cuide e também seja cuidado.

Então, a partilha se estabelece, e acontece os olhos nos olhos, as perguntas, as histórias, a partilha de sabores e dissabores da vida.

Há aí um ambiente fértil para a confissão e a cura, as lágrimas e o consolo, a confrontação e o acolhimento, as perguntas e algumas respostas, as dores e a empatia.

E, depois? 

Retomamos a caminhada. Talvez, não aquela caminhada que incentivamos no início, mas a caminhada de volta para a vida, para o futuro.

Voltamos à nossa realidade numa dimensão mais ampla e com uma cosmovisão mais completa porque fomos amados e amamos.

Sendo assim, permita-se cuidar de si mesmo, permita-se ser cuidado. Cultive a bênção da partilha ao redor da mesa.

A mesa não apenas como um lugar de sobrevivência, mas de acolhimento.


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Ao redor da mesa os olhos se abrem

As últimas notícias nos tabloides de Jerusalém eram de morte. Foi-se a esperança. Jesus, o Messias prometido para a restauração de Israel, estava morto. 

Dois discípulos iam cabisbaixos em decorrência desta triste notícia, sem perspectiva do amanhã. 

O que aconteceu? 

Jesus aproximou-se deles, e a narrativa do Evangelho de Lucas cap. 24 diz que Jesus, simplesmente, "ia com eles". Ele andou com eles.

Na verdade, o que Jesus fez? 

Primeiramente, Jesus ouviu o que estava em seus corações.

Ouviu e fez-lhes algumas perguntas. Perguntas intencionais. Perguntas que demonstravam interesse pelo que eles estavam a viver.

Depois, expor a Palavra numa jornada que terminou ao redor da mesa.

O que é marcante nesta narrativa é que o coração deles queimava, entretanto, os olhos somente foram abertos ao redor da mesa.

Foi ao redor da mesa que os seus olhos foram-se abertos.

O que isto pode nos sugerir? 

Não haveria de acontecer situações semelhantes? 

Quantas vezes, as pessoas ouvem e ouvem a Palavra do Senhor, ela chega a queimar os corações, todavia, apenas ao redor da mesa podemos enxergar a revelação de algumas verdades, que Deus quer nos ensinar.

É aquela experiência sobrenatural, que parece um tanto óbvia, quando dizemos: "Uau! Isto é aquilo!"

"Afinal, posso enxergar o que pensei saber."

"Agora, meus olhos podem ver."

Quantas pessoas recebemos, quantas delas vivenciam o que aconteceu depois da caminhada? Somos muitos. Aliás, sobre a caminhada que termina ao redor da mesa podemos falar no próximo episódio. 

Aprendemos de arrependimento, e ao redor da mesa temos oportunidade de confissão.

Ouvimos falar de não guardar rancor, nem amargura, e nem de deixar o sol se pôr sobre a nossa ira, então ao redor da mesa temos oportunidade de reconciliação e perdão antes de recostarmos a cabeça cheia de angústias. 

Quantas pregações sobre avançar e não deixar que o passado nos aprisione, e ali ao redor da mesa as nossas vivências são descortinadas, fazemos conexões e percebemos porque somos como somos, e fazemos o que fazemos.

São muitas as vezes que ouvimos sobre andar prudentemente, e então, ao redor da mesa vemos aplicabilidade e pertinência com a nossa realidade.

É ao redor da mesa que a Palavra de Deus que enxergamos será enxergada em nossas vidas.

Enfim, ao redor da mesa todos temos oportunidade de termos "olhos de ver" e "ouvidos de ouvir" com um significado mais profundo, revelador e transformador.

Boa refeição! E que os nossos olhos se abram...


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sábado, 19 de março de 2022

Ucrânia: uma necessidade Emergente

Todos nós estamos a falar nos horrores que circundam a Ucrânia, naturalmente. Não daria para ser diferente nesta conjuntura. Entretanto, não podemos nos esquecer que há outras tantas necessidades para respondermos. 

A Invasão da Ucrânia não pode nos cegar, inclusivamente, de que há sérias consequências para os próprios russos, e a nossa humanidade e bom senso não nos permitem celebrar que os russos vivam isolados novamente, e amarguem duras penalidades. 

Há muitas mães a chorarem na Ucrânia, entretanto, muitas delas também choram do outro lado as perdas deste desatino. 

Não podemos nos esquecer da Síria cuja Guerra já dura por 11 anos. O que dizer da Palestina? Por que ninguém mais fala na Venezuela? E também não podemos deixar que a África fique ainda mais abandonada. 

Queremos fazer o bem aos ucranianos? Fazemos bem. 

Por outro lado, não devemos tratar as necessidades a nossa volta como, algumas vezes, tratamos as doenças crônicas. "É mesmo assim! Não há o que fazer. Um paliativo aqui, outro ali, e vai-se vivendo."

A Igreja, as Ongs, as Agências Missionárias, os próprios missionários, o ser humano com coração, não podem se esquecer de que existem por uma razão e não devem se desviar do que devem fazer, só porque todos estão a correr numa só direção. 

A necessidade emergente está aí, e devemos abraçá-la, no entanto, vamos seguir em nosso foco. Vamos avaliar. Vamos agir com clareza.

Muito cuidado para não sermos engolidos pela tirania do urgência emergente. Muito cuidado para não usarmos os ucranianos para a autopromoção e nos desviarmos fazendo o bem.

Enfim, bem-vindos aos ucranianos, mas não nos esqueçamos do necessitado à nossa porta. 

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Brasileiros sem lenço nem documento em Portugal

 
"Sem lenço, sem documento

Nada no bolso ou nas mãos

Eu quero seguir vivendo, amor

Eu vou

Por que não"

O final da música Alegria, Alegria de Caetano Veloso lembra-me a realidade de muitos brasileiros cá em Portugal.

Sabemos de famílias que não puderam fazer o Teste Grátis do Covid pelo SNS porque não tinham o número de Utente. Já vivem uma vida de severas limitações e tiveram de pagar 30 Euros por cada Teste e não podiam deixar de fazê-lo porque foi à pedido da Escola.

Onde tudo isto começou?

Com a decisão de viver em Portugal e, ao mesmo tempo, entrar como turista. O visto de turista vence em 3 meses e depois disto, sem o Visto de Permanência, a pessoa fica vulnerável. 

Outra problemática é a busca de um Contrato de Trabalho para com isto buscar o Visto de Residência. Normalmente, não é fácil conseguir um Contrato porque há uma "engrenagem maligna" que se alimenta de ter alguém que precisa na mão de quem que quer pagar menos, clandestinamente.

Conhecemos pessoas que trabalham duro, sem direitos básicos, e nem sequer podem reivindicar nada, porque estão a espera de uma promessa de Contrato há alguns anos.

E as taxas moderadoras nos Hospitais, e a compra de medicamentos? Quem tem aquele número de Utente paga um valor simbólico para o atendimento hospitalar, e há muitos exames com valores ínfimos, e também medicamentos com descontos consideráveis.

Então, é só ter o número de Utente? Lembram-se do Visto de Residência?

As coisas estão mesmo interligadas. Uma depende da outra.

Isto pode afetar o "turistar"? Sim, sim. Os Meios de Transportes para já não são tão viáveis assim, então ter um carro é fundamental. Ter um carro não é o mais difícil. Trabalha-se e compra-se um. Não é tão caro como no Brasil. 

Qual é o problema? 

A Carta de Condução. Os 3 meses de turista termina, então vamos transferir a Carta de Motorista do Brasil para Portugal. É simples. É só ir ao IMT passar lá algumas boas horinhas, e quando chegar no Atendente apresentar a Carteira + o Visto de Residência. 

Problema? Sim. Problema de mobilidade. Limitação em desfrutar de tantas belezas e privilégios. 

Isto afeta a oportunidade de conhecer e viajar pela Europa? Também. Pode até sair. Escolher aquela Capital dos sonhos, mas quando retornar vai passar pela Alfândega, e então temos problemas.

Há mais um possível problema. 

Todos estes constrangimentos, normalmente, levam as pessoas a não conhecerem o melhor de Portugal, e dos portugueses e das portuguesas.

Há então, o perigo de criar uma indisposição tão severa que a vida torna-se amarga e não se vê a beleza, e não se desfruta dos melhores sabores.

A História, a Cultura, a Geografia, e a Culinária tornam-se mais possíveis quando há uma visão e também uma logística básica.

E tudo agrava-se quando fala-se em nome de Deus para justificar as suas próprias escolhas. Soa muito mal e desconfortável. 

Todos sabemos que Deus usa caminhos diversos e surpreendentes para abençoar, mas o que está em questão não é o que Deus faz, antes sim, o básico que nós podemos fazer.

Devia haver ao menos um esforço prévio de conseguir um emprego antes de vir, e ter paciência no processo com o Consulado Português no Brasil. Também esta é a experiência de muitos. 

Tenho visto gente que escolheu este caminho e enfrentou um processo moroso e delicado, entretanto, chegaram a Portugal com as "bênçãos" da Agência Portuguesa para as Migrações e Asilo (APMA).

Nós passamos por este processo como família. Não foi fácil reunir tantos Documentos e cumprir tantas exigências prévias ainda no Brasil, e foram acrescentadas outras quando cá ao chegarmos. 

Naquela altura "enfrentamos" o então SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) com a visão de que os gastos eram investimentos, e de que cumprir as exigências era uma carta de liberdade.

Então, a pergunta que fica é muito pessoal. Você quer mesmo cantar esta música?

"Sem lenço, sem documento

Nada no bolso ou nas mãos

Eu quero seguir vivendo, amor

Eu vou

Por que não"


Instagram: @vacilius.lima