Sinta-se Em Casa
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
O Perdão na Perspectiva da Restauração
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Perdão na Perspectiva do Cuidado
sábado, 11 de dezembro de 2021
Nos Bastidores da Hospitalidade
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Round 6 - Qual o seu número?
Aconselho? Não. Por quê? Porque não gosto de ver sangue e sinto-me desconfortável com algumas cenas, especialmente de suicídio. Por outro lado, se tivesse que definir em alguns adjetivos diria: eletrizante, inteligente, sagaz, inquietante e metafórico. Vi a cada jogo a realidade da vida estampada ali.
Vamos a algumas considerações bem pessoais:
1. Por que tanto sucesso? É porque resgatou as memórias de infância com os jogos e as brincadeiras, as quais revelam os mesmos sentimentos que estavam em nós quando criança, no entanto, agora de maneira potencializada e desenvolvida no mal. Também ficávamos com raiva e queríamos vingança, mas logo passava. Já na série as mesmas brincadeiras e jogos estão lá, e com os mesmos sentimentos de antes. O que mudou é que a diversão assume a confissão da ganância, do poder e da necessidade.
2. Um ambiente lúdico não combina com atrocidades. Entretanto, não é isto que acontece em algumas escolas e lares? Lugares que deviam ser de proteção e diversão, acabam por se tornarem macabros.
3. Em meio ao caos é possível encontrar gestos de graça e generosidade o que demonstra uma "fagulha" daquilo que foi perdido por causa do pecado. Foi perdido totalmente na perspectiva de que o homem em si mesmo não soluciona o problema, e não foi perdido totalmente porque a graça deixa algo lá, que nos remete ao original da nossa criação.
4. Quando a vida chega no nível do "não tenho nada a perder", aceita-se qualquer proposta, ainda que a própria morte venha no pacote. Aliás, há propostas nas quais a morte é o que há de mais certo.
5. Quando se está no fundo do poço faz-se necessário enrijecer-se e conviver com o caos. Assumi-lo como parte da vida é uma maneira de reagir.
6. Vidas valem dinheiro. Não é o que fazemos quando sufocamos o que traz vida em nome daquilo que é transitório? Temos muitas dessas trocas no dia-a-dia. Qual é a sua?
7. No caos, o caos aumenta. E a desesperança assume dimensões "inescapáveis" em si mesma.
8. O embrulho da morte, um caixão envolto em fitas, revela que ela é um presente quando a vida já foi perdida - na perspectiva dos manipuladores e dos impiedosos.
9. Quem consegue manter a calma e raciocinar, vai mais longe. O desespero na hora do desespero diminui a ponta da esperança.
10. Triste. Muito triste é quando a vida precisa ser decidida entre duas vidas. Acontece todos os dias.
Quando olhamos o sistema de saúde não seria um jogo que envolve morte? Não foi exatamente isto que assistimos na Pandemia? Não é isto o que acontece todos os dias quando Hospitais limitados de capacidade atendem alguns em detrimento de outros? Aliás, os milhares que estão na fila de espera por um órgão, ou simplesmente para uma consulta ou tratamento, não estão dentro de um jogo de vida ou morte?
11. Aquela "fagulha" de graça e misericórdia mesmo no caos, em situação de risco é capaz de dar lugar a atrocidades desumanas, quando a ganância toma o seu lugar.
12. O dinheiro não resolve os problemas mais essenciais, antes porém, a falta dele potencializa-os.
13. Os poderosos em sua ganância não veem o seu próximo como gente, mas simplesmente como um número que pode ser eliminado a qualquer momento, enquanto eles assistem e se divertem.
14. Um ponto à parte seria um positivo. Tem coisa boa? Sim, sim. Tem, tem. Esta série tem provocado um retorno às brincadeiras antigas. Meu filho Murilo não assistiu, mas brinca de Greenlight Redlight ou Batatinha Frita 1, 2, 3. E nós entramos na brincadeira. É bem divertido.
Vamos parar de demonizar o que é bom porque alguém usou mal. Brincar faz parte da essência do ser humano. Deus nos criou assim, com esta veia lúdica.
15. Outro ponto bastante positivo é que existe uma conexão fortíssima com a família. A família faz parte da espinha dorsal. Inúmeras vezes, os jogadores estão a buscar suas memórias, e aliás, os jogos acontecem porque os jogadores querem resolver, basicamente, problemas familiares.
Ainda que a família esteja mal e destruída a vida sempre estará ligada a suas origens.
16. Mais um ponto positivo? Quanta sabedoria naquele velhinho simpático. Sabedoria que se demonstra, inclusive quando se abre a aprender, ou simplesmente a responder a partir do silêncio. Sabedoria que lhe foi acrescentada através dos anos, das vivências e da reflexão. Fala sério, como o 001 (Oh Il-nam) é uma das melhores personagens.
Ah, não podia deixar de mencionar que há muitas cenas que a mentalidade Ocidental não consegue entender ou aceitar. Uma série feita na Coréia do Sul não tem nada a ver com Hollywood em termos de cosmovisão, e é por isso que nos desaponta algumas vezes.
E termino com um agradecimento ao produtor e diretor Hwang Dong Hyuk, e também ao Apóstolo Paulo que disse: "Examinai tudo. Retende o que é bom." (1 Ts. 5.21)
Instagram: @vacilius.lima
terça-feira, 7 de setembro de 2021
Os Jardineiros Perdidos
Deus criou todas as coisas e viu que tudo era bom. Ao criar o homem, fê-lo para que fosse o jardineiro de sua criação. E o que somos agora?
Não temos dúvida de que a nossa missão hoje é a Grande Comissão – e faz parte dela pregar todos os desígnios de Deus.
Faz parte da mensagem do Evangelho que todo discípulo seja mordomo e, por isso, cuidar do Jardim.
A Grande Comissão existe porque a nossa primeira missão foi perdida, a de cuidar do jardim. O resgate da comunhão com o Criador implica o cuidado da Criação.
Qual é a problemática? É que pensamos resgatar apenas almas, como se fossem apenas exploradoras deste mundo a favor de um Reino Futuro.
De um lado, estão aqueles cujo mundo criado, caído, promove algum bem ou prazer, mas não passam de “vãos terrestres esplendores”, como eu cantava quando criança. E nesta direção também cantava: “No espaço sideral há um lar sem igual, para quem serve a Deus com alegria.” O que é isto? A criação não passa de um “carma” que precisamos superar?
Por outro lado, há uma tendência de exploradores da Criação a favor da Igreja e da obra missionária. A ordem é ganhar dinheiro, de alguma ou qualquer forma, e investir naquilo que é espiritual e eterno. As coisas criadas jamais fariam parte das coisas eternas, então só esperam o dia que serão queimadas pelo fogo, pensam alguns.
Erroneamente, interpretam 2 Pedro 3:12 como a mensagem final: tudo será queimado pelo fogo. Nem vale a pena agora entrar no mérito de que o “queimado” é “purificado”. O que importa é não parar no texto. Se seguimos, chegamos ao verso 14: “Por isso, amados, enquanto aguardais estes eventos, esforçai-vos para que sejais encontrados por Ele em plena paz, sem mácula e livres de culpas diante dele.”
Uma mácula e uma culpa que os discípulos não deveriam ter é afrontar a Deus ao destruir sua Criação ou simplesmente não cuidar dela.
Imagina um animal em extinção? Quanto do tempo e do amor de Deus foi dispensado no ato da Criação? Sem contar que Deus estabeleceu interdependência em sua Criação. Quando perdemos uma espécie, prejudicamos outras. Ou seja, é como se disséssemos a Deus: “Não precisaria ter investido tanta criatividade nisto.”
Bem disse Peter Harris, fundador de “A Rocha”, que o nosso chamado é para relacionamento com Deus, com as pessoas e com a Criação, e que a gratidão é uma das diferenças que demonstramos.
Como cultivar a gratidão sem o cuidado prévio? Sou muito grato a Deus pela existência de movimentos nesta direção. Ouvi numa Palestra de Guilherme de Carvalho pela ABC² – Cristãos na Ciência – que estão trabalhando no Projeto Éden, um movimento que envolve a Aliança das Igrejas Evangélicas e outras frentes, gente responsável e visionária que trabalha para que tenhamos música, reflexão e projetos que enalteçam o Criador e que zelam por sua Criação.
A questão da responsabilidade ambiental precisa fazer parte da agenda daqueles que foram alcançados pela Grande Comissão e que agora podem resgatar a sua missão como jardineiros da Criação.
O que comemos? Quais produtos compramos? O que fazemos com os “restos”? Quanto investimos em projetos com estes?
Lembrei-me de minha filha Jamily ao comprar um cosmético. Ela preferiu o produto que não fazia testes em animais. São atitudes como essas que devem nos impulsionar.
E não podemos nos contentar apenas em fazer reciclagem. Precisamos avançar. Fazer compostagem. Comprar alimentos mais saudáveis e investir em projetos que, para além de missionários, dignificam a missão perdida.
Aliás, a começar dos missionários, deveríamos ser os primeiros a enxergar o campo, não apenas como um campo de batalha, mas também como um campo criado, a ser cultivado e cuidado. Os missionários são pessoas de influência que podem abençoar muito à sua volta.
É mais do que fazer alguma coisa para ganhar almas: é fazer da mordomia parte da missão de Deus.
Um alcançado que assume a sua jardinagem glorifica a Deus como mordomo.
E não para por aí, porque ao ser um bom mordomo, num relacionamento satisfatório com o Criador, não cairemos numa espécie de “panteísmo evangélico” que só fica na contemplação, mas que busca trazer um número maior de jardineiros perdidos.
Vamos missionar para resgatar mais do que almas?
terça-feira, 3 de agosto de 2021
A Criação Adora
Podemos adorar no deserto ou em meio aos "arranha-céus", entretanto, quando estamos mergulhados na Criação há uma conexão diferente.
Por quê?
Porque a criação também adora. Sabe quando nos juntamos a pessoas que gostam e fazem as coisas que também gostamos?
É mais do que nos sentirmos em casa. É abraçar juntos no mesmo propósito.
O Salmo 148 fala que cada coisa criada louva ao Criador, e esta conexão de que estamos a falar.
Quando paramos tudo para contemplar um "sunset" com as suas cores alaranjadas, ou simplesmente um flor, o que estamos a fazer?
Estamos a dar as mãos com aquilo que faz o mesmo que estamos nós a fazer. Que maravilha!
Quando contemplamos os céus, as árvores, os animais, num ato de contemplação não apenas a coisa criada, mas ao Criador, estamos a adorar juntos, no mesmo momento e local.
É uma congregação reunida num ato de culto.
Contemple a natureza, cuide dela, promova o seu bem, e ao contemplar não se esqueça de que está diante do Criador e eles também, num ato reconhecimento de Sua majestade.
