Sinta-se Em Casa
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
"Pra já" tudo é "mais pequeno"? (Portugal não é Brasil - VI)
O Gosto pelo "Papelim" e por Museus (Portugal não é Brasil - V)
Meu pai, Lidio Faria, queria conhecer Lisboa. Então, ao chegarmos na Bilhetera (Bilheteria), pedi o desconto para idosos, na passagem de Comboio (trem). Então, o atendente olhou para meu pai, e autorizou mediante apresentação de Documento. Natural.
Havia uma cópia do Passaporte no Telemóvel (Celular). Entreguei-lho. E qual foi a pergunta imediata? "Não tem em papel?" Enfim, não obtivemos o desconto.
Não foi somente aí. Tivemos experiências parecidas, em outras situações. Até que um dia, no Mercado, pudemos usar as informações virtuais, para obter os descontos, e não o cartão-físico, necessariamente.
Isto comunica o quê? Que há alguma resistência as mudanças. E é natural, pois se trata de uma país de muitos anos. As mudanças num país mais jovem, são mais normais.
Aliás, faz parte da Marketing no Brasil, explorar o fator "Novidade", enquanto em Portugal, o argumento mais bem aceito, é o da "Tradição". (Obs.: sei que ambas estratégias, são usadas cá e lá. Falo daquilo que é mais natural.)
Aliás, quero associar o tema do "papelim" a realidade dos pontos turísticos, que remetem a História.
Os Museus foram citados no título da reflexão. Mas, caberia mencionar as Muralhas, os Palácios, os Castelos, as Praças, os Mosteiros, as Aldeias, os Monumentos, as Estações, ou cidades inteiras, como Guimarães - onde nasceu Portugal. Enfim, o Turismo em Portugal está, em muito, relacionado com a sua própria História.
Até as Praias, trazem informações históricas importantes, e naturalmente o Tejo. Aliás, este merecia uma capítulo à parte. Outro capítulo que merecia destaque são os Jardins.
Toda esta ligação com a História, ligada a Diversão, faz os pés ficarem na Tradição cada vez. Isto deve ser admirado, pois um povo que não valoriza o seu passado, corre o risco de se perder em seu futuro.
Instagram: @vacilius.lima
Foto: Parque Eduardo VII, ao pé da Marques de Pombal
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
A Lógica de Raciocínio (Portugal não é Brasil - IV)
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
A Cultura da Rotunda (Portugal não é Brasil - III)
Ríamos das Rotundas. Achávamos tão desnecessárias. E, até um bocado incómodas. Hoje, porém, temos uma opinião diferente.
Aliás, estamos tão acostumados, que acabei de perguntar à Jamily, qual é o nome de "rotunda" no Brasil. Ela também não se lembrou. Depois de alguns segundos, veio-nos: "Ora, pois. Rotatória".
Elas são tão práticas. Normalmente, os motoristas obedecem às regras. O que, aliás, nos irrita um pouco. Como brasileiros, achamos que regras são para serem obedecidas quando há necessidade, e não "cegamente". Deixa estar. Esta é outra questão, por hora, seguimos na temática da "cultura geográfica do trânsito".
A cultura do trânsito não é mesma, não só por conta das Leis, das Sinalizações, mas há uma questão de "timing" de reação, e ainda bem presente, o mapa geográfico em si.
O mapa geográfico é o que mais trazia-me confusão. Meu mapa era simples. Estou cá, e desejo ir para o outro lado, então só faço o contorno, e chegarei lá.
"Fazer o contorno" cá em Portugal, só serve às rotundas, porque se saímos dela, a coisa muda drasticamente. Estou cá, e quero chegar do outro, então, entro ali, e acolá, contorno, retorno, encontro uma saída, e normalmente, estou perdido. Inúmeras vezes, irritei-me por aplicar o meu mapa geográfico cá.
Hoje, sou mais cauteloso, e até passei a admirar, estas entradas e saídas, e até algumas não saídas, de ruas sem saídas, porque há uma questão histórica de "dar a volta" ao inimigo. Ou simplesmente, embrenhar-se - só com a bússola - mar a dentro, com espírito de desbravar e descobrir.
Retornar, e desfazer o caminho? Não. Deixa como está. Até hoje conduzimos por ruas estreitas, por onde os reis trafegavam. Mudar para quê? Preservar a História seria outro tema bem interessante.
Enfim, visitem Portugal, mas não esperem a lógica do mapa geográfico e de trânsito, que temos no Brasil. Boa viagem, e boas rotundas.
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Foto: Rotunda Marquês de Pombal
Viver numa Aldeia (Portugal não é Brasil - II)
Vivíamos numa região populosa, do Conselho de Lisboa. Hoje vivemos numa na pequena Aldeia, do Chão da Parada, porque cá parou o Rei D. João II, esposo da Rainha Leonor, a qual foi curada pelas águas termais, das Caldas da Rainha, como é chamada hoje. À ela, deve-se o Hospital da Cidade.
Há alguma diferença? Afinal, estamos há 1 hora de viagem, apenas. Esta é uma curiosidade interessante. Tão perto, tão diferente. Com 30 minutos de viagem, já saímos do grande centro, e encontramos vilarejos, as aldeias.
Em Lisboa, as pessoas estão a correr, bem ocupadas, e focadas em si mesmas. As pessoas estão ali, não para se relacionar. Elas estão ali para trabalhar, para estudar, ou para "turistar".
E nas Aldeias? As pessoas não estão ocupadas? Não trabalham? Sim, sim. Mas, há muitos aposentados disponíveis, à procura de uma prosa. Também os via em Lisboa, mas a cultura é diferente. Quando os cumprimentava, havia uma resposta um tanto surpresa. E passear o cão e a criança, provocava alguns contactos. Contactos momentâneos, corriqueiros e superficiais.
Enquanto que numa Aldeia, as pessoas estão mais abertas. Mais prontas para se relacionarem. Não sabemos ainda a profundidade disto, entretanto, há sim maior abertura, nem que seja para uma conversava mais alargada. O que lá acontecia nos cafés, cá na Aldeia acontece quando passamos por alguém, e não só com os vizinhos mais próximos.
Há um espírito de ajuda mútua. Trocamos verduras, e alguns serviços. E até algumas atitudes de carinho, em datas festivas. Fomos surpreendidos no Natal, com uma "tarte" deliciosa.
O que é mais impressionante, é que estamos há 7 minutos do Centro das Caldas. Lá as pessoas também são mais amistosas. Foi a nossa experiência nos órgãos públicos, e especialmente nas Escolas.
E também estamos há 7 minutos da Praia, Salir do Porto e São Martinho. Estão uma ao lado da outra, mas há uma diferença de público ou motivação. Em Salir as pessoas querem subir as Dunas, em São Martinho, elas querem as Lojas, ou simplesmente uma caminhada mais elegante, no "passeio marítimo" (o "calçadão" do Brasil).
Tão perto geograficamente, e tão longe culturalmente. É assim cá em Portugal.
Instagram: @vacilius.lima
Foto: Aldeia de Monsanto, a "Aldeia mais portuguesa de Portugal"
domingo, 31 de janeiro de 2021
Eu, Tu e Você (Portugal não é Brasil - I)
No Brasil havia algumas "aplicabilidades gramaticais" curiosas. Dizia-se por lá que o "teu" é para referir-se a um objeto que está mais perto, e "seu" para um que está mais longe. Equivalente seria o "isto" e o "isso", ou "este" e "esse".
Já em Portugal o que está perto não é a coisa em si, mas a pessoa. Mais que a pessoa enquanto objeto. Não se trata de distância geográfica, mas sim, de proximidade relacional, de afetos, de posição, de hierarquia, e até de idade.
Como assim?
As crianças e o jovens tratam-se por "tu", já os mais velhos serão tratados por "você". Também entre os alunos, é normal o "tu", entretanto o professor e a "stora" sempre serão tratados por um "você" implícito. Por exemplo: "a stora podia explicar novamente, se faz favor".
E num nível mais íntimo, o "tu" fica mesmo reservado ao círculo dos mais próximos, família, amigos. Àqueles com quem cabem a informalidade e a intimidade.
Isto fez-me tanta confusão. Aliás, até hoje não é tão claro, quando posso avançar a barreira do "você" para o "tu". Algumas vezes, já tive de recuar. Pensei que já havia amizade o suficiente, e então a conjugação do "suposto amigo", permanecia no "você" para comigo.
O tempo para um brasileiro fazer um amigo, pode ser já no primeiro encontro. Já o português, é bem mais cauteloso. Demora um bocado para confiar, e abrir sua casa.
É verdade, que a "zona" onde se vive, pode influenciar neste "timing". Quem o brasileiro é, e como se porta, também pode encurtar este tempo. Embora, sempre seremos os brasileiros. É natural que haja um tom de desconfiança no ar.
Nisto há uma mistura de precaução, desconfiança, ou simplesmente, da maneira do ser como são. Facto que todos precisamos respeitar, e não sermos invasivos, o que não é nada fácil. Afinal, faz parte de nós, brasileiros, a intromissão, a precipitação, o dar-se tão prontamente.
Por outro lado, concordo com o que se diz por cá: "Os brasileiros "desabraçam" com a mesma facilidade em que abraçam." E o inverso para os portugueses é válido.
Perceber a alma de povo, o seu "inconsciente coletivo", é um mistério a ser desvendado, ao qual não falta "gafes". Lembro-me que tratei uma atendente do mercado por "tu". Hoje sei que foi muito estranho, e soou desrespeitoso.
Outra problemática, é que a conjugação verbal precisa ser coerente. E o uso do imperativo na negativa, com o pronome no lugar certo? "Não te preocupes (tu)." "Não se preocupe (você)." E o afirmativo? "Pega (tu) para mim." "Pegue (você)." É uma canseira transitar de um para o outro, e ainda mais difícil discernir o momento adequado.
Até as pessoas mais simples de nossa Aldeia, para alguns, uma Província, demonstram ser a Língua Portuguesa o seu berço nativo. "Oiço" alguns velhotes, e rio comigo. "Eles falam muito bem." Assim, orgulham-se em ser a Língua o seu País.
Enfim, vamos seguir "step by step", com idas e vindas, encontros e desencontros, sabores e dissabores, neste incrível país.
@vacilius.lima
Foto: Convento de Mafra





