Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



sábado, 23 de janeiro de 2021

Legado

Davi quando ia partir dessa vida, orientou a seu filho Salomão, de como deveria viver (
1 Rs. 2.1-12).

A sua orientação contemplou duas coisas: 

1. A importância de apegar-se a Palavra; 

2. A importância de viver com sabedoria.

Viver com sabedoria incluia:

1. Ter consciência de quem tinha um histórico negativo; 

2. Saber quem fez o bem; 

3. Ter cuidado em se sujar com quem não valha a pena.

O que para mim isso implica na educação de meus filhos?

Ensinar a Palavra com discernimento da vida prática. O ensino teórico da Bíblica, sem aplicabilidade, não é eficaz. Eles precisam ver a conexão da mensagem com a vida deles. 

Portanto, educar é muito mais que ensinar a memorizar, e repetir histórias. É mostrar as implicações, as relevâncias e as pertinências com as práticas da vida.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Confissões de um Ex-Pastor


Ex-pastor? Não são os dons irrevogáveis? Sim, sim. O que ocorre hoje, no campo missionário são conjugações libertárias, dos moldes eclesiásticos.

As demandas impunham que eu fosse um profissional da Bíblia. Precisava estudá-la porque o servir era técnico. O domínio de temáticas, ora complexas, ora "fast-food", definia a agenda.

Ser um excelente comunicador do texto sagrado, era um trabalho mais interessante que a vontade divina, que ele propunha. 

Havia ali um "bichinho" que buscava "maquiar" isto. Aliás, ele estará em toda esta confissão, dizendo: "Olhe o lado bom. Não foi bem assim".

Os livros eram lidos porque eu precisa dar respostas. O sabor das palavras era a possibilidade em reproduzi-las.

O campo missionário é uma graça que me tirou o púlpito, mas presenteou-me os vizinhos. A oratória deu lugar a escutatória, sem agenda.

Estou a aprender "fazer amigos" sem precisar ser a solução. Sei que antes, muitos foram engendrados nas dores de parto, os quais muito estimo-lhes. Entretanto, é diferente ser socorro, quando não esperam isto de você. 

Eu era o "homem que Deus usa", hoje sou apenas aquele servo que Deus usa, quando quer.

A família também ganhou, porque aprendi a dizer "não" para os outros. "Jogar conversa fora", sorrir, brincar, e descobrir que a culinária é arte, culto e servir.

Quando ganhava um salário, ainda que a igreja não cobrasse, sentia que devia trabalhar x horas por dia. Uma imposição tecnocráta, que engessa a liberdade no Espírito. 

Os pastores deviam conjugar responsabilidade consciente de servo, com liberdade e direção do Espírito. A minha agenda era mercantilista. Fazia o que a igreja local ganhava com aquilo.

E a natureza ao redor de mim? Era para curtir em dias de Férias. Era aquela dose de oxigênio mais puro, que precisava cheirar, por ano. Até a cadelinha que tínhamos sofreu a falta de carinho, de uma cosmovisão que limitava Deus a um calhamaço de letras. 

Não havia "tempo" para dar uma olhadela na natureza. Contemplar? Devia ser programado. Observar uma flor? Coisa para vovózinha.

Tudo remete-me ao que disse nosso mentor Transcultural, Oswaldo Prado: "O missionário não foi chamado só para pregar o Evangelho, antes também para viver o Evangelho".

Meu Deus! Salve os pastores de uma vida mesquinha. Senhor, torne-os mais parecidos com Jesus, que tinha tempo para a viúva, para as crianças, e para olhar os lírios do campo. 

Dê-nos um coração cheio da compaixão, que enxerga as ovelhas sem pastor, e que não seja mandatório serem elas "nossas".

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Hoje estamos a servir em Portugal

A Associação Evangélica Cascatas é um Centro de Hospitalidade, Serviço e Reflexão 

Instagram: vacilius.lima

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Marido na Cozinha

Este espaço está reservado aos homens. É um "papo-cueca". E se elas derem uma olhadela, vamos "fazer de conta" que nada é com elas, e seguir firmes em nossas conversas.

Alguns podem julgar desnecessário a reflexão sobre o papel do homem no lar, uma vez que a nova geração de homens já tem uma mentalidade diferente. 

No entanto, precisamos refletir biblicamente, para além das tendências culturais. Comos homens de Deus, não queremos fazer só porque todo mundo está a fazer. E nem pode ser circunstancial como na pandemia. 

As sociedades que viviam da caça, desenvolveram um padrão de masculinidade machista? É natural que alguns povos sim, mais que outros. 

E a Bíblia? O que mostra? A título de exemplo, podemos caminhar em Gênesis capítulo 27. Temos um Jacó, mais caseiro, que foi buscar o cabrito, mas quem cozinhou foi a mãe Rebeca. Ou seja, um filho mais protegido, e que, entretanto, nem por isso cozinhou. Seu irmão Esaú foi à caça, e ao retornar, depois de muito tempo - uma vez que o cabrito foi morto, preparado e Isaque já o havia comido - ainda foi prepará-lo para ao pai. 

Longe de nós, tirarmos doutrinas da referência acima, mas podemos inferir que situações como esta se repetem. Há aqueles que saem à "caça" e ainda dão conta de preparar um prato especial, e servi-lo aos outros. E ainda há aqueles que são protegidos, dentro de casa, ajudam numa "coisita" ou outra, e apenas se servem do que os outros fizeram.

Há sociedades que levam o nome de Patriarcal, mas na prática há um regime de governo bem Matriarcal. Aliás, as sociedades mais machistas, são aquelas onde as mulheres dominam a família a partir da cozinha. Os homens fazem de conta que "mandam", e as mulheres fingem que se submetem. 

E os Evangelhos? Jesus deixou alguma sugestão para o nosso tema? 

Quando chegou o Dia dos Pães Asmos, onde era costume sacrificar o cordeiro pascal, o qual depois era comido, numa especial Ceia, Jesus disse: "Onde queres que vamos fazer os preparativos...?" (Mc.14:12)

Depois disso, foram os discípulos orientados, por Jesus: "...ali fazei os preparativos." (Mc. 14:15). E o verso 16 diz que eles prepararam a Páscoa.

Quem preparou o Banquete da Ceia? Quem preparou o cordeiro? Quem preparou o sacrifício e o churrasco, ao mesmo tempo? Foram os discípulos. Os homens assumiram a cozinha. Jesus não era contra? Já não haviam as mulheres voluntárias?

Falando em "churras" não foi isto que vemos após a Ressurreição à beira-mar? (Lc. 21.9-10)

E o que as Cartas Apostólicas têm a dizer? As Cartas fazem a dosagem para ninguém cair nos extremos. 

Antes de tudo, é preciso relembrar que faz parte do bom testemunho cristão, a mulher que cuida bem de seu lar, e isto inclui amar o marido, cuidar dos filhos e ser boa dona de casa (Tito 2:4). Então, a Bíblia exclui os próprios filhos, e o marido, do cuidado mútuo com o lar e a casa? Não.

O mesmo texto que fala para a mulher se submeter ao homem, fala para - igualmente - cada um de nós, sermos submissos uns outros (Ef. 5.21-22).

O "juiz deixa seguir o jogo", e o que acontece mais a frente? O marido é ordenado a amar, e o texto sugere o cuidado do próprio corpo como referência. Não podemos "sacralizar", e não enxergar o dia a dia do lar, neste cuidado com o próprio corpo.

E ainda sobre o dia a dia do lar, o apóstolo Pedro diz que uma condição para sermos ouvidos em nossas orações, é dos maridos viverem a "vida comum" do lar (1 Pe. 3:7). 

É verdade que, a "vida comum" sugere - originalmente - a vida sexual do casal. No entanto, quando olhamos para o verso 8 fala: "entranhavelmente misericordiosos e afáveis", e mais adiante o verso 11 diz: "...fazei o bem...".

Cooperar no cuidado da casa então, seria um ato de bondade? Parece que sim. Mas, não podemos permitir que isto seja visto como "esmola" do nosso amor. 

Quando um homem é cuidadoso com a casa, ele está a fazê-lo como se fosse ele um ajudante geral? Não. Ele é o líder. Ele serve como Jesus servia. Ele torna-se a referência para os filhos. Ele lidera os filhos a serem cooperadores do lar. Os filhos olham para ele, e são desafiados a terem cuidado, a serem asseados, a não desperdiçarem nada. Esse homem é uma referência de quem ama a sua esposa, cuida dela e do lar.

A esposa olha ao redor, e só tem a agradecer a Deus, porque tem um homem em casa, que não é mais um peso a ser cuidado. Entretanto, se fosse mais um peso, ela deveria seguir focada nos bons costumes, para o bem do lar, e honra do Evangelho. 

Há situações compreensíveis. Cada qual deve aplicar - sabiamente - à sua realidade. Quando há um bebezinho a cooperação é muito maior. Quando os dois trabalham fora, é muito prudente combinar como cada um pode dar o seu contributo, sem sufocar ninguém. 

E ainda temos a situação da esposa, que por convicção, ou circunstância tem o dia livre para lar? É óbvio, que mesmo a mulher que deseja cuidar do lar, e só do lar, ela terá aptidões e desejos outros. Aliás, ela também terá o seu tempo de descanso, e até seu merecido dia de folga. E ainda pode desenvolver projetos pessoais, que passam por leituras, lazer, e trabalho autônomo, ainda que não rentável. 

E então, querido companheiro? Vamos assumir nossa casa, como nosso lar? Vamos cooperar com o nosso lar? Vamos mudar a linguagem, e parar de falar que vamos ajudá-las, e passar a ajudar a nós mesmos, os filhos e o próprio lar, para além dela? 

Devemos ser uma Equipa. Todos pelo lar, no lar de todos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Mulher Maravilha e Algumas Verdades

Levei minha filha ao cinema, e vimos a "Mulher Maravilha - 1984". E fomos re-lembrados de princípios tão básicos para a vida.

Sem "spoiler" quero partilhar apenas 6 tópicos:

1. A verdade está acima do sucesso, e por isso, ganhar com tramoia, com batota, não é o caminho da realização plena. 

2. O carácter deve ser cultivado desde cedo, bem cedo. Não podemos lançar nossos filhos ao mundo, sem uma base ética. 

3. Há pessoas extremamente egocêntricas, que farão o bem aos outros, apenas de maneira aparente e enganosa, ainda que os outros sejam prejudicados.

4. Todos temos desejos supérfluos e egoístas, e que se fossem satisfeitos só fariam mal.

5. Renunciar aos desejos mais dominantes, pode ser um caminho para o bem de todos. 

6. Os filhos não querem que seus pais lhes provem nada. Eles só querem os pais por perto. 

Bom filme!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Natureza, Sustentabilidade e Missão

Vivemos numa Aldeia - Mouraria - nas Caldas da Rainha - Portugal. Esta "Village", aparentemente tão arcaica, traz Contentores de Coleta Seletiva. O que fazemos? Algumas vezes, em família, todos juntos levamos os sacos, e juntos, separamos em suas respectivas cores. 

O que será natural, no coração de nossos filhos? 

Não é assim também que a Igreja devia fazer? A Igreja não pode mais viver como se a Natureza fosse um tema apenas para aqueles que não têm esperança de Novos Céus e Nova Terra.

Aos líderes eclesiásticos que não pisam o chão do povo, que nunca andam descalço na terra, a Criação será sempre um tema bom apenas para Rituais. 

O máximo que suas igrejas podem atingir é um desfrute utilitarista, quando a Natureza é sugada nos Acampamentos, como se estivessem todos aos limites de uma overdose de oxigênio mais puro. E depois? Todos voltam para um estilo de vida pesado, com pouquíssima qualidade, e sem nenhum compromisso com a sustentabilidade.

Ensinar sobre adoração ao Criador, especialmente nestes dias, deve passar por programas que - didaticamente - cuidam do Planeta. Afinal, a Bíblia começa com um Jardim e termina com a restauração dele. O que há entre eles é uma história onde a Natureza geme, e não podemos acrescentar sofrimento a esta agonia, enquanto aguardamos a Redenção. 

A Natureza não pode ser matéria apenas para cantorias e homilias. A Igreja deve ter seus Contentores de Coleta Seletiva. Ela deve desenvolver, sobretudo com as crianças, programas de "escoteiros/adoradores", quando a Bíblia, o Criador, a Criação e a humanidade se encontram em cuidado mútuo. E assim, com mais cuidado sustentável devia pensar seus encontros.

Por quê? 

Porque é uma maneira de honrar o Criador. Faz tanto gosto quando somos elogiados por algo de bom, que fizemos. O Deus Criador, deleita-se na adoração.

Tornou-se urgente, porque aquela mensagem de o mundo vai de mal a pior, já é uma realidade. Já não precisa ser pior do que está, para que nossos filhos e netos, tenham dificuldades em respirar - função básica que já não é possível, com qualidade, em muitos lugares.

Nossa vida na Associação Cascatas, inspirada em L'Abri de Francis Schaeffer, fundamenta-se em gigantes tão humanos, que souberam ter um olhar holístico. Schaeffer bebeu de Hans Hookmaaker, Hookmaaker já havia bebido de Herman Dooyeweerd, e Dooyeweerd de Abraham Kuyper. 

Eles sempre acreditaram nas ciências como ferramenta para discernir e perscrutar a Criação. Eles viam Jesus em todas as coisas. 

"Não há um centímetro quadrado em todo o domínio de nossa existência humana, sobre a qual Cristo não clama: "É Meu!" (Abraham Kuyper)

Onde o mundo vai parar sem o cuidado da Natureza já sabemos. E a Igreja? Onde vai parar, se apenas pregar, mas deixar de cuidar do Planeta? 

Se a Igreja quiser ter sua voz ouvida, sem necessariamente compactuar-se com "movimentos ecológicos" que adoram a criação, e cair na graça do povo, deverá transitar em práticas sustentáveis.

Aliás, não é apenas para evitar o perigo de ser irrelevante em sua mensagem, mas sim, por consciência de uma cosmovisão de responsabilidade, diante do Criador e de Sua criação. 

Não podemos fazer isto como aquelas igrejas que dão cestas básicas, e só renovam a ajuda se as pessoas "se converterem". Não. Não pode ser apenas naquela visão mais utilitarista que evangelista. 

Falando em cestas básicas, as nossas ações de sustentabilidade deveriam passar por ajuda humanitária. Não podemos cair na armadilha de que os animais, especialmente aqueles ameaçados de extinção, são mais importantes que o próprio ser humano. 

Apoiar programas que recolhem produtos no limite do vencimento, e transformá-los numa ajuda imediata, por exemplo.

Enfim, vamos ao primeiro-passo: trabalhar uma cosmovisão cristã, onde Cristo é o Senhor de toda a criação, cuja proposta de restauração inclina-se a ouvir o gemido da criação. E enquanto aguardamos a redenção do nosso corpo, e de todas as coisas criadas, trabalhamos e criamos estratégias sustentáveis com o Planeta, e compassivas com seres humanos. 

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Dar o que não custa nada?

O que acha de ofertarmos ao Senhor, coisas que não nos custam nada?

Davi foi recomendado a construir um altar, na eira de Araúna, o jebuseu, o qual lhe foi oferecido. No entanto, Davi não quis oferecer ao Senhor algo que não lhe tenha custado.

Davi também não queria oferecer algo que pertencesse a outra pessoa, e podia fazê-lo na qualidade de rei. E não oferecer algo que não lhe custasse o preço justo (1 Cr. 21:24-25).

O que aprendemos com isto?

1. A oferta ao Senhor, algumas vezes, pode estar relacionada com uma atitude de renúncia e investimento.

2. A oferta ao Senhor não pode ser "emprestada" de outra pessoa, no sentido de custar aos outros, e não a nós. A oferta deve ser originalmente pessoal.

Sendo assim, precisamos de uma atitude de fé, para além de um coração abnegado.