A família Real fez uma escala em Salvador antes de chegar ao Rio de Janeiro, depois de exaustivos 3 dias e pouco de viagem.
"Não vem ninguém de terra?" Questiona o D. João VI - o Príncipe Regente. João Saldanha da Gama - o então Governador - justifica ter impedido o povo a fim que tivesse primazia. Ao que contesta polidamente o Príncipe: "Deixe o povo vir como quiser, pois deseja ver-me".
"...À noite, a comitiva real se recolheu ao Paço do Governo. Seguiu-se uma semana de música, dança, espetáculos luminosos pelas ruas da cidade e longas cerimônias de beija-mão, nas quais o príncipe regente recebia, pacientemente, filas intermináveis de súditos..."
O Brasil nasceu neste contexto de festa, muita festa, honrarias ao Príncipe, nem que seja somente para "tirar uma selfie" - ou melhor, um "beija-mão".
As coisas mudaram? Nem no Brasil, nem em Portugal.
Faz parte da alma brasileira "paparicar" tudo que é europeu e aumenta a impressão que gostam os portugueses da posição de colonizadores. Parece que ficou no "inconsciente coletivo".
Esta postura subserviente é castradora porque é mentirosa. Os dois lados trazem razões que merecem ser honradas, e coisas a serem reprovadas.
E a festa? É uma maravilha perigosa, que pode alucinar. Sabemos "beber-com-moderação"? Que o diga nossos carnavais.
Sinta-se Em Casa
Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Não Poderia Ser Mais Rico? (Re-Leitura de 1808 - Parte I)
Como não admirar e enaltecer o caminho das Índias com Vasco da Gama, e consequentemente a imensa riqueza dos Lusíadas de Camões?
Quem não se inclinaria frente ao "Mar Salgado" de Fernando Pessoa, bem como ao respeito a tantas mães e noivas que cá ficaram a salgar os mares dos Descobrimentos?
Por outro lado, enquanto a América do Norte proclamava sua Independência e acontecia a Revolução Francesa, Portugal continuava atracado ao estilo de vida da Inquisição. "Não saiu da Península um único homem superior, que se possa colocar ao lado dos grandes criadores da ciência moderna." (Antero de Quental)
Afinal, depois de tantos Descobrimentos e Conquistas PORTUGAL NÃO PODERIA SER MAIS RICO E PODEROSO do que tudo que é hoje? (Ainda que seja um país fantástico pra se viver.)
Explorar, usufruir e desfazer era a filosofia. Portugal vivia e se deleitava num estilo de vida e cultura extrativista e mercantilista, enquanto os países em grande desenvolvimento avançavam com a manufatura. Criar a partir dos produtos explorados era uma tarefa para os ingleses, os maiores beneficiários das riquezas vindas do Brasil via Portugal.
O livro 1808 de Laurentino Gomes ajuda-me a entender porque os portugueses são "bilíngues", e porque ainda vivem tanto com recursos que vêm de fora - talvez isto explica a nova febre tão bem-sucedida do Turismo. Eles sabem fazer bem aquilo que os outros preferem pagar.
Seria por isto que há tantos Projetos e Iniciativas sustentados pelo "estrangeiro" (como se diz por cá)?
As Igrejas também refletem esta tendência? Os missionários estrangeiros são a mão-de-obra barata da manufatura que é preciso produzir nos campos de Portugal? "Produzir" através dos missionários - inclusivamente "produzir" missionários - também é tarefa do "estrangeiro"?
Graças a Deus que há um remanescente português sendo despertado e que traz à tona aquele espírito de conquista, e cuidadoso para não perder os bens desta bravura. E ademais, com uma atitude ir além...
Graças a Deus que há um remanescente português sendo despertado e que traz à tona aquele espírito de conquista, e cuidadoso para não perder os bens desta bravura. E ademais, com uma atitude ir além...
terça-feira, 8 de outubro de 2019
Casa Portuguesa
Boa parte dos meus 19 anos de pastorado foi enclausurado num Gabinete. Aconteceram coisas lindas ali, inclusivamente muitos relacionamentos significativos. Entretanto, gastei muito tempo em Reuniões intermináveis, e mais prolongadas ainda foram muitas conversas que não chegaram algures.
Muitas horas de livros, leitura, pesquisa, que o púlpito sempre agradece, mas que tornaram a alma pastoral mais desumana e seca. Por quê? É o que acontece quando queremos conhecer Deus alienado aos livros, sem pisar no chão empoeirado de todos nós.
Precisei decidir portar-me diferente cá nas terras de Camões (sem abandonar os livros), pois desejo que ao final de uma década ou mais, a pintura de um quadro com mais gente, mais colorido, mais mesa, mais partilha e mais jardim.
Quem sofreu por um pastorado à beira da tecnocracia? A Igreja, a família e afinal eu mesmo. Ninguém sai a ganhar quando os papéis, as paredes, o planeamento saem mais importante que um café com tempo e sem presa.
Hoje há mais espaço para conversas, aparentemente tolas e sem propósito. Assim são algumas tardes da minha nova vida. E olha que achava que já fazia! E, naturalmente, tem todo sentido quando acontece com os portugueses.
Vou ao Café e não quero apenas os sabores maravilhosas desta terra. Quero saber os nomes dos pastéis e doces que peço. Hoje apetece-me uma "meia-de-leite" com uma "tosta-mista", e outro dia um "jesuíta" com um "galão" no pequeno-almoço. Ah, e hoje no almoço calhou de alguém oferecer-me um bife chamado "Naco", e outro dia uma salada estranhamente boa de "polvo".
O segredo é tornar-se como criança. Parece que Alguém já falou sobre a arte de voltar a ver as pessoas e o mundo num olhar ingênuo e ao mesmo tempo curioso de uma criança.
Antes de ensinar cheguei para aprender, ouvir, perguntar, observar, admirar, e viver outra vida à moda deles. A família agradece imenso. Tudo é mais leve e mais consciente. Ainda que seja participar de uma "apanha de pera".
Afinal, celebramos um dos mais belos resultados de algumas almoçaradas, e longas conversas até mesmo sobre Geringonça política, pois começamos a estudar a Bíblia com um casal muito querido.
Vale muito ser mais gente desta gente!
Instagram: @vacilius.lima
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
Testes e Oportunidades
Os testes precisam ser vistos como uma oportunidade. Mesmo um teste indesejável?
Pense num teste escolar. Se os estudantes pudessem, eles não fariam alguns testes. Mas, se os testes fossem olhados como oportunidade de novo aprendizado, de novas percepções, de maior crescimento, eles poderiam ser recebidos numa atmosfera emocional melhor.
Aliás, os próprios professores deveriam ter caminhos mais dinâmicos e criativos para fazê-lo.
A vida também não traz os seus testes?
As coisas não seriam bem melhores caso tivéssemos uma postura de maior aceitação?
Aceitação não significa acomodação. Acomodação é aceitar sem reagir.
Aceitar é discernir os próprios limites, a força das circunstâncias, e ter uma estratégia de reação.
O que fazemos com os nossos testes e provas?
Sabemos que somos amados por Deus, mesmo em meio as lutas?
Sabemos que nossa identidade em Jesus, quem nEle somos, não pode ser alterada?
Sabemos que não somente podemos aprender, mas que os testes podem ser uma oportunidade de aprendizado aos outros também?
Enfim, esperamos reagir com enfrentamento, mas sem a ilusão de um positivismo que tentar minimizar qualquer dura circunstâncias.
Precisamos ser ensináveis!
Pense num teste escolar. Se os estudantes pudessem, eles não fariam alguns testes. Mas, se os testes fossem olhados como oportunidade de novo aprendizado, de novas percepções, de maior crescimento, eles poderiam ser recebidos numa atmosfera emocional melhor.
Aliás, os próprios professores deveriam ter caminhos mais dinâmicos e criativos para fazê-lo.
A vida também não traz os seus testes?
As coisas não seriam bem melhores caso tivéssemos uma postura de maior aceitação?
Aceitação não significa acomodação. Acomodação é aceitar sem reagir.
Aceitar é discernir os próprios limites, a força das circunstâncias, e ter uma estratégia de reação.
O que fazemos com os nossos testes e provas?
Sabemos que somos amados por Deus, mesmo em meio as lutas?
Sabemos que nossa identidade em Jesus, quem nEle somos, não pode ser alterada?
Sabemos que não somente podemos aprender, mas que os testes podem ser uma oportunidade de aprendizado aos outros também?
Enfim, esperamos reagir com enfrentamento, mas sem a ilusão de um positivismo que tentar minimizar qualquer dura circunstâncias.
Precisamos ser ensináveis!
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Bird Box
Se ainda não assistiu ao filme, por favor, não leia. Longe de mim fazer "spoiler". Assista e volte aqui depois.
O filme é cristão? Não. Ele lembra algumas verdades bíblicas? Lembra. Ou melhor, lembrei-me. Talvez você classifique-me como um alienado, e então vamos à isto. O que um alienado ao Evangelho diria do filme Bird Box?
Primeiro, a personagem Malorie (Sandra Bullock) fez-me lembrar da dura tarefa de criar os filhos no mundo de hoje, sem que eles sejam enganados pelas vozes que os cercam. As vozes são muitas, de todos os lados. Quem ouvir? Qual a nossa base para filtrarmos tudo o que vemos? Algumas vezes torna-se mesmo angustiante não ceder as estas vozes.
Associar o vislumbre de quem via o mal como algo lindo, maravilhoso, espectacular, também é inevitável. "Satanás apresenta-se como anjo de luz." "Os filhos das trevas são mais prudentes que os filhos da luz." Há encantos magníficos apresentados pelo mal. Aliás, os prazeres da carne são mesmo tão atraentes que até aqueles que "nasceram de novo" precisam cuidar para não dar marcha-atrás, ou simplesmente perder-se enfeitiçados como se o mal fosse a melhor saída.
E a necessidade de estarmos unidos para auto-proteção contra o mal? Estar numa pequena comunidade faz parte da luta. A comunidade é vulnerável, mas todos juntos cuidam-se. Ainda assim, alguém infiltra-se Gary (Tom Hollander) e quase acaba com todos. Causou mortos e muitos prejuízos.
O que dizer daquela cena que Malorie sai do barco e tem uma linha ligada à ela? Ela sai para buscar algum suplemento. Afastar-se de algumas circunstâncias para reabastecer faz parte do desafio.Mas, há perigos de perder-se, o que é muito fácil quando não criamos pontos de conexão. Sair da situação de maneira consciente e retornar, sair e retornar, e depois prosseguir ao alvo faz-se necessário.
E a chamada? Ela a ouviu e foi ao encontro daquela voz solitária. E quando estava por chegar parece que não chegaria, pois o bote virou e eles quase morreram. Muitos obstáculos levantam-se à nossa frente quando estamos a obedecer a chamada, e coisas difíceis podem surgir na reta-final de uma conquista. E as aparências das circunstâncias não podem obscurecer a fé.
Finalmente, chegamos à última e magnífica cena. Ufa! Estamos num lugar seguro. O que mais tocou-me foi a chegada ao destino. Malorie lembrou ao Boy e à Girl que aquela voz falou haveria outros miúdos, e que o lugar era mesmo um lugar de paz. Havia outros.Eles não estavam só. Outros também lutaram e venceram. Havia flores, havia pássaros. E tudo podia ser contemplado sem a ilusão do mal. Assim, será connosco que aguardamos do Alto a manifestação dos filhos de Deus (Rm. 8.19).
O filme é cristão? Não. Ele lembra algumas verdades bíblicas? Lembra. Ou melhor, lembrei-me. Talvez você classifique-me como um alienado, e então vamos à isto. O que um alienado ao Evangelho diria do filme Bird Box?
Primeiro, a personagem Malorie (Sandra Bullock) fez-me lembrar da dura tarefa de criar os filhos no mundo de hoje, sem que eles sejam enganados pelas vozes que os cercam. As vozes são muitas, de todos os lados. Quem ouvir? Qual a nossa base para filtrarmos tudo o que vemos? Algumas vezes torna-se mesmo angustiante não ceder as estas vozes.
Associar o vislumbre de quem via o mal como algo lindo, maravilhoso, espectacular, também é inevitável. "Satanás apresenta-se como anjo de luz." "Os filhos das trevas são mais prudentes que os filhos da luz." Há encantos magníficos apresentados pelo mal. Aliás, os prazeres da carne são mesmo tão atraentes que até aqueles que "nasceram de novo" precisam cuidar para não dar marcha-atrás, ou simplesmente perder-se enfeitiçados como se o mal fosse a melhor saída.
E a necessidade de estarmos unidos para auto-proteção contra o mal? Estar numa pequena comunidade faz parte da luta. A comunidade é vulnerável, mas todos juntos cuidam-se. Ainda assim, alguém infiltra-se Gary (Tom Hollander) e quase acaba com todos. Causou mortos e muitos prejuízos.
O que dizer daquela cena que Malorie sai do barco e tem uma linha ligada à ela? Ela sai para buscar algum suplemento. Afastar-se de algumas circunstâncias para reabastecer faz parte do desafio.Mas, há perigos de perder-se, o que é muito fácil quando não criamos pontos de conexão. Sair da situação de maneira consciente e retornar, sair e retornar, e depois prosseguir ao alvo faz-se necessário.
E a chamada? Ela a ouviu e foi ao encontro daquela voz solitária. E quando estava por chegar parece que não chegaria, pois o bote virou e eles quase morreram. Muitos obstáculos levantam-se à nossa frente quando estamos a obedecer a chamada, e coisas difíceis podem surgir na reta-final de uma conquista. E as aparências das circunstâncias não podem obscurecer a fé.
Finalmente, chegamos à última e magnífica cena. Ufa! Estamos num lugar seguro. O que mais tocou-me foi a chegada ao destino. Malorie lembrou ao Boy e à Girl que aquela voz falou haveria outros miúdos, e que o lugar era mesmo um lugar de paz. Havia outros.Eles não estavam só. Outros também lutaram e venceram. Havia flores, havia pássaros. E tudo podia ser contemplado sem a ilusão do mal. Assim, será connosco que aguardamos do Alto a manifestação dos filhos de Deus (Rm. 8.19).
sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Problemas com o MAL?
UM AMIGO QUESTIONOU-ME ASSIM: "...o que quero mesmo lhe perguntar é se o senhor puder me dar um esclarecimento sobre o agir de Deus."
Ele continuou: "1º- Como o Deus Todo Poderoso pode permitir que o diabo coloque uma enfermidade no corpo dos seus servos, dos seus filhos; pois eu jamais permitiria ou colocaria uma enfermidade no meu filho. Existe um versículo bíblico que diz que se um filho nos pedir pão eu não lho daria uma pedra, Jesus disse que nós somos maus e não deixamos nossos filhos sofrerem, mas como pode Deus deixar, pois existe crianças acometidas por enfermidades que nem sabem porque estão assim."
Ele continuou: "1º- Como o Deus Todo Poderoso pode permitir que o diabo coloque uma enfermidade no corpo dos seus servos, dos seus filhos; pois eu jamais permitiria ou colocaria uma enfermidade no meu filho. Existe um versículo bíblico que diz que se um filho nos pedir pão eu não lho daria uma pedra, Jesus disse que nós somos maus e não deixamos nossos filhos sofrerem, mas como pode Deus deixar, pois existe crianças acometidas por enfermidades que nem sabem porque estão assim."
E argumentou ainda: "2º - Se não for Deus que permite acontecimentos ruins em nossa vida, quem poderia fazer-nos mal, seria o diabo? Mas se Deus quisesse poderia impedir sua forma de agir. Teria o diabo "poder" para nos causar tanto mal? E Deus só irá vencê-lo nos últimos dias apocalípticos?"
Ele ainda citou: "Um exemplo cruel é a morte de João Batista, que teve a sua cabeça retirada do corpo. Será que Deus faria isso ou foi obra exclusiva de homens maus ou do próprio inimigo de nossas alma?"
AO QUE RESPONDI:
"Precisamos enxergar a questão do mal como uma moeda de dois lados. De um lado está o diabo, homens maus, e algumas circunstâncias naturais. As circunstâncias naturais são um mal que não precisa ter a ação do diabo necessariamente. Elas são apenas naturais. Aqui há espaço inclusivamente para aquelas consequências de sofrer um choque térmico para quem sai do forno e abre a geladeira. O que Deus ou o diabo tem a ver com isto?"
"Nesta categoria do mal, vale à pena lembrar das palavras de Jesus: "No mundo tereis aflições... (Jo. 16.33).
"O outro lado da moeda é o Deus de amor, cujo amor leal, usa tudo a favor dos Seus propósitos soberanos. Então, até o diabo, os homens maus, e o próprio mal, podem estar a Seu serviço em algum momento. Porque Ele é Soberano e controla todas as coisas. As coisas ruins não tem um fim em si mesmas. Deus pode promover um bem maior em meio as dores, ainda que desconhecemos. Precisamos confiar.
"Nisto vale à pena lembrar que vivemos por fé, e a fé não trabalha com base naquilo que vemos (Hb. 11.1). Confiar no amor leal de Deus precisa estar acima das circunstâncias.
"A vida de Jó pode ser uma boa lembrança desta realidade, de um Deus Soberano e de filhos que vivem por fé, e descansam em Seu amor leal."
"Que o Senhor o fortaleça, e renove a tua fé".
(Obs.: A minha resposta foi informal e superficialmente básica, pois esta questão merece pesquisar um pensador antigo (Santo Agostinho), um filósofo moderno (Paul Ricouer), e alguns pensadores atuais como Luis Sayão).
Assinar:
Postagens (Atom)





