Sinta-se Em Casa

Entre. Puxe a cadeira. Estique as pernas. Tome um café, e vamos dialogar com a alma.



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Educação Teológica aos Ribeirinhos

SEARA significa Serviço de Evangelização e Assistência aos Ribeirinhos do Amazonas. Esse filme foi gravado num flutuante na base da missão Palavra da Vida. Passamos uma semana em Módulos de Teologia. Tinha dezesseis comunidades que distavam entre três horas a doze horas de viagem pelos rios.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

FAMÍLIA: Meu Primeiro Ministério

Questiono a legitimidade de grandes ministérios e de obreiros considerados bem-sucedidos quando eles não honram suas esposas, filhos e vida particular como base para alçar seus vôos.
Paulo aos presbíteros de Éfeso recomendou que cuidassem da Igreja e de si mesmos (At. 20.28). Claro que o cuidado não pode ser descompensado, afinal "o exercício físico tem proveito menor que a piedade" (1 Tm. 4.8). Equilíbrio é o caminho.
"Whitefield cultivava o mesmo hábito de John Wesley: acordar cedo. Não havia um minuto a perder. Para a vida da família, porém faltava tempo. Como não viviam bem com as mulheres, os dois raramente apareciam em casa". Essa citação, feita por Geoffrey Blaney, em "Uma Breve História do Cristianismo" é comprometedora.
Esses grandes pregadores podem ser modelo na maneira como oravam e pregavam. A dedicação exaustiva deles serve como modelo de homens abnegados. No entanto, se a citação acima procede ninguém poderia deixar de ouvir a Bíblia como justificativa de uma suposta exceção de Deus.
A Bíblia diz que quem não governar bem, isso mesmo "governar bem" a sua própria casa não tem o direito de cuidar da Igreja de Deus (1 Tm. 3.4-5). Esse texto de qualificação do obreiro aponta o "governar bem" para a casa e não pra Igreja. O raciocínio é simples: ninguém que governe bem a sua casa governará mal a Igreja de Deus, e ninguém que governe mal a sua casa governará bem a Igreja de Deus.
Se a vida de alguém transmite que não é assim é engano e procedência maligna.
Família é tão sério que se alguém abandonar os de sua própria casa é pior que um descrente (1 Tm. 5.8). E olha que é uma referência de uma carta pastoral.
A nossa tarefa é arduamente dupla. Aliás não gosto de separar. A Família Igreja e a família lar são as únicas instituições de Deus e devemos celebrá-las em harmonia.
O nosso sacerdócio é lá e cá simultâneamente. E não existe sacerdócio sem oração, assim como não existe oração ouvida sem o discernimento do lar (1 Pe. 3.7).
Queridos colegas de ministério vamos vigiar para que depois de termos pregado a outros não sejamos nós mesmos desqualificados(1 Co. 9.27).

domingo, 7 de outubro de 2012

Caio Fábio é um Quaker?

Os quakers aprenderam que as igrejas deviam ser simples, sem adornos, pois George Fox, o fundador, chamava a sua igreja de "casa de reuniões" e as outras de "campanários".

Eles foram fundamentais nas denúncias sociais contra o sistema carcerário da época, do qual foram vítimas, e também se levantaram contra a guerra.
 
Os quakers não comemoram festas tradicionais como o Natal, pois "todo dia é aniversário de Cristo". Eles acreditavam ainda que a Ceia deveria estar em todas as refeições.
 
E o que o Caio tem a ver? Ele optou por uma vida de simplicidade ao que parece, do lugar onde confere as suas entrevistas. E afirmou que essa casa é emprestada e a decoração tem pedras tiradas de entulhos. Também busca exercer uma postura profética no sentido de confrontação. Pena que perdeu muito da moral que tinha.
 
Outro detalhe curioso é que os quakers se colocaram de maneira separatista, das outras igrejas e o seu fundador, George Fox, usava cabelos longos, que terminava com um "rabo".

O Caio Fábio afirma que se libertou das filosofias eclesiásticas que "castram" (termo que ele gosta de usar). Claro que é uma postura questionadora e isso é bom, mas muito perigosa entre os mais imaturos.
 
E sobre o "rabo de cavalo" está aí. Paulo já falou sobre a questão aos coríntios (1 Co. 11:14).
 
Deixando as críticas e os elogios, qualquer semelhança pode ser mera coincidência, pois não sei onde, exatamente, o Caio costuma beber. Talvez dos quakers...

sábado, 6 de outubro de 2012

Bolsa de Valores e Igreja: grandes negócios

"Igualite, Fraternite, Liberte" foram os ideais da Revolução Francesa. Ideais que lembram a Igreja do Primeiro Século. 
O Comunismo de Marx defendia a igualdade por uma sociedade mais justa. 
A Igreja Primitiva também lembrava essa filosofia de vida. 
Tanto os ideais da Revolução Francesa como o Comunismo se mostraram utópicos. Lindos no papel para a sociedade e a Igreja de nossos dias, mas inviável na prática. 
E o capitalismo selvagem? Esse em nada lembra a Primeira Igreja Cristã, mas se parece muito com a Igreja de nossos dias.
A força motora é a conquista. A vida se resumiu a conquistas pessoais. Busca-se o melhor dessa terra. É o que se canta, e o que se quer ouvir, e o que se prega, e o que se ora. Se não for assim não tem sentido. 
Podemos chamar de Igreja essas "fábricas de conquistas"? 
Onde o Evangelho do repartir o pão, dar aos pobres, ajuntar tesouro nos céus e não onde a ferrugem destrói e o ladrão rouba? 
Onde a mensagem para pensarmos nas coisas lá do alto? 
Onde a disposição em sofrer o prejuízo por amor ao Evangelho? 
Essa foi a mensagem de nossos pais. Eles viviam pela fé. Hoje viver pela fé se tornou gastar e comprar, depois fazer campanhas e participar de unção para pagar. 
E se alguma coisa der errado já classificamos o diabo como sujo. A guerra espiritual agora não é entre a Igreja que milita a causa do Evangelho e os opositores do mesmo. Hoje a guerra é contra as castas que querem impedir o meu sucesso particular. 
Até os pastores entraram nessa e suas Igrejas agora disputam uma fatia maior no rentável mercado da fé. 
Jesus dizia que quem não é contra é a favor. Hoje os demônios, agentes do pai da mentira, são testemunhas contra a "concorrência". Hoje é cada um por si e Deus por mim. 
E a Igreja? A agência que legitima a benção do individualismo. Juntos só pra ver quer recebe primeiro. E se o irmão não recebeu ele tem que orar mais - faltou fé. 
A Bolsa de Valores é o grande símbolo do Capitalismo Selvagem, e da Igreja também.
Aliás, a Igreja pode ser a maquete da Bolsa. Uma maquete simplória porque usa o nome de Deus em vão. As "ações" estão nas mãos dos pastores e elas se valorizam dependendo de quanto se dá.

Chegando a Manaus para o Seminário Flutuante entre os ribeirinhos do Rio Abacaxis, onde dar e melhorque receber.

Os Bichos Daqui e Os De Lá

Já é a primeira hora da madrugada, minha janela está aberta, e a tela pintada à minha frente é arte do Criador: céu com algumas estrelas, mata fechada, e o reflexo da lua no majestoso rio Abacaxis,e nele um barulho curioso e intrigante de mergulho, asas batendo, grunhidos e a impressão de respirações ofegantes. 
Esses barulhos trazem um misto de admiração e espanto, já os que ouço na madrugada de meu quarto em São Paulo são só de espanto, nunca de admiração. 
Jovens gritando, se embebedando, muitos palavrões, gritos de mães que perderam seus filhos, carros correndo, polícia passando, xingamentos, cheiro de erva queimando, pó que suja a casa toda e o carro também, e muito do outro pó nas esquinas. 
Medo dos bichos? Que bicho? Do bicho que está em seu habitat natural? Ou medo do bicho homem que desestabiliza o habitat natural de outros homens? Que habitat? O meu tem só uma árvore no meu quintal e mais um pequeno limoeiro e um aceroleiro menor ainda. 
Aqui no Amazonas um grande gramado, lá ruas movimentadas por caminhões, carros e motos que não respeitam. 
Aqui estou ilhado de rios, lá afogado num bairro industrial. Como estão os pulmões de meus filhos? Por eles eu preciso mudar? Mas, o chamado não sou eu quem escolhe. 
Que selva é mais perigosa? Que bicho é mais cruel?

Fingir Que é Dor a Dor Que Deveras Sinto?

Desde o meu chamado, ainda garoto, desejei ir pelas nações. E fui! Hoje continuo indo, mas tenho uma esposa querida e três filhos maravilhosos. E agora?
Agora me sinto incapacitado emocionalmente. Estou aqui no Amazonas há quase uma semana e meu coração está em frangalhos.
É estranho. Ao mesmo tempo em que a saudade me machuca, sou aliviado por presenciar e fazer parte do alcance de Deus para os povos ribeirinhos.
É um momento de crise falar com a minha esposa e saber que passou sozinha por algumas lutas. É incômodo pensar que há provas especiais quando estou longe de casa.
Já no próximo mês é Curitiba. Serão três dias e eu já não consigo dizer: "apenas três dias". Não é apenas não.
Em Maio de 2013 tem Conferência em Manaus e eu espero levar a família. Então dá pra sonhar.
E o convite de Agosto do ano que vem? Se conseguir um documento será pra ficar um mês fora. Como ficar tanto tempo fora? Como ir pra tão longe sem a família? Será que estou disposto a pagar esse preço duríssimo? E se disposto estiver, teria eu condição e saúde emocional pra multiplicar por muitas vezes essa dor que é privilégio de  quem ama? 
Não sou capaz, como o grande poeta, "que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente".